Todos os caminhos do mundo levam ao meu coração, ele mergulha sem hesitar no rio das paixões que sempre corre por sua vida.
Sei que sou livre para escolher o que desejo, minhas decisões são tomadas com coragem, desprendimento, e - às vezes com uma certa dose de Loucura!
Aceito minhas paixões, e as desfruta intensamente. Sei que não preciso renunciar ao entusiasmo das minhas conquistas, elas fazem parte da minha vida, e alegram a todos que participam.
Mais jamais perco de vista as coisas duradouras, e os laços criados com solidez através do tempo.
Sei distinguir o que é passageiro, e o que é definitivo.
Tô aprendendo, sentindo, e hoje...Agradecendo.
Enjoy The Maximum, Thet is Enough !
terça-feira, 10 de maio de 2011
quinta-feira, 17 de março de 2011
Baixinho.
Eu sou uma espécie quase em extinção: Eu acredito nas pessoas.
Ô minha filha, as suas dores não são as maiores do mundo e nem vão ser. Sacode a poeira. Toma um banho de rio. Abre essas asas. Grita alto, chora baixo. Pula alto e cai de cara. Desenha toda a beleza do mundo. Compra uma caixa de lápis de cor e sai aí colorindo a vida
Que o tempo nos permita alguns reencontros sem culpas porque é bom sentir sempre mais uma vez. Porque mesmo a gente voltando para outros abraços só o nosso valerá a pena !
Ô minha filha, as suas dores não são as maiores do mundo e nem vão ser. Sacode a poeira. Toma um banho de rio. Abre essas asas. Grita alto, chora baixo. Pula alto e cai de cara. Desenha toda a beleza do mundo. Compra uma caixa de lápis de cor e sai aí colorindo a vida
Que o tempo nos permita alguns reencontros sem culpas porque é bom sentir sempre mais uma vez. Porque mesmo a gente voltando para outros abraços só o nosso valerá a pena !
segunda-feira, 24 de janeiro de 2011
"Snaider"
Meus segundos de lucidez estão chegando ao fim. A cortina se abre, as conversas e as luzes aumentam. Eu me rendo. Se tudo está errado, assim permanecerá. Se este script não me satisfaz, ninguém mais tem que saber. Mais um dia se passou sem que eu exigisse meus direitos. Habito, mas não comando, está ai tudo, tudinho eu diria um TUDÃO!
É uma loucura insatisfeita, uma loucura que sente, que permite que desabafa, que chora, que constrói, que se diverte, que fala e que acima de tudo AMA!
É a loucura mais consciente que qualquer sanidade já existente nesse universo, daquelas que você chega a dizer - Se eu estivesse assim amanhã, resolveria todos os meus problemas.
Era tudo tão pequeno, tudo tão grande, tão frio, tão quente, tão apertado, tão gostoso, tão maravilhado, tão violento [no sentido de acabar com o que você acha que ainda te resta no peito].
Me sentia como se fluasse em nuvens feitas do mais puro algodão, como se o mundo inteiro estivesse na ponta dos meus dedos, como as borboletas estivesse na boca do meu estomago, como se tudo estivesse em câmera lenta e eu fazendo tudo pra chamar a atenção.
Minha mente percorria cada pedaço desse mundo, ela caminhava, livre, leve, solta, Louca!
Meu coração, ah meu coração esse não saia um segundo das suas mãos, era a troca mais mutúa,e ao mesmo tempo que eu tomava todo o cuidado pra não acabar amassando o seu coração com toda minha delicadeza inexistentes eu queria mesmo era guardá-lo dentro de uma caixinha bem do lado da minha cama e beijá-lo todas as noites.
Uma doçura existia no seu olhar, e isso me encantava, enquanto eu sempre querendo “tagarelar” de alguma coisa, seu olhar sempre me dizia que apenas um abraço resolvia qualquer “brisa” mal interpretada.
Eu quero sim te matar, porque você tem uma mania surda de responder todas as minhas perguntas com um "ãhhh?" enjoado, e eu quero te socar porque você já descobriu tudo o que me irrita e gosta de me ver assim. Mas quando qualquer outra coisa no mundo me irrita, eu lembro que eu tenho você pra me fazer sentir essa raiva tão “sei lá”.
Minha intensidade às vezes me matava, eu pensava, pensava e pensava [e claro falava] das coisas mais inbecis possíveis, minha mente viajava longe muito longe, e quando achava que estava sendo boba demais vinha você me convidando para um passeio em marte!
Podia ser no meio de 30 milhões de pessoas ou somente eu e você no alto de uma pedra que a intensidade de só existir 2 pessoas no mundo era SEMPRE a mesma. As pessoas não existiam, simplesmente elas desapareciam, ué cadê todo mundo! - Calma agente não precisa de ninguém aqui, você basta!
Um abraço nos levava simplesmente para qualquer lugar no mundo, nas estrelas, nos céus ou simplesmente no NOSSO planeta. O mundo nem sequer lutava com a nossa força de mudá-lo em questão de segundos, em transformá-lo no planeta mais perfeito com a filosofia mais pura e sensata claro!
Tudo ficava claro e sincero, o mundo sim ficava mais puro e mais calmo. É, porque não nos candidatamos a Presidentes do país, era um começo! [é talvez fosse loucura demais, edaaaaí]
Cadê meu medo eterno!? Me ensina a tirar assim como você faz todas as vezes que me encontra! Quero ficar o tempo todo encolhida nos teus braços como uma menininha que chora com o joelho todo ralado.
Sou durona demais pra isso, mais nessas horas viro a menina mais doce, mais carinhosa, mais aberta, mais meiga, mais amada.
Aquela brisa suave parece percorrer minha pele e entrar pelos meus póros e bater direto na minha alma, me faz sentir de perto toda aquela paz que vem no soprar da noite, no soprar do vento nos meus cabelos, ao seu falar aos meus ouvidos.
A cada tocar seu em minha pele era uma explosão vibrante de energia, uma combustão como se a qualquer momento fossemos explodir e virar bolhas coloridas no ar!
Queria sumir te levar pra longe, para uma ilha, uma floresta, pra outro planeta, pra lua, pra qualquer lugar, e que eu não tenha que voltar pra merda do amanhã ou para o depois porque o depois mata!
Eu simplesmente vomitava as palavras, sabe aqueles filtros que você tem na cabeça pra não dizer tanta besteira, pois é eu já não tinha mais o meu, e sabe o melhor !? Você também não tinha o seu. E seguíamos com longas e longas conversas, e na nossa linguagem eram filosofias propriamente poéticas, íamos do meio fio da calçada até marte de brincadeira. Era a risada mais gostosa, aquela que você sente sua barriga doer, e pede, por favor, pra parar!
Porque o perfeito é cheio de estripulias, mas eu detesto estripulias e adoro nosso jeito intenso de se amar cheio de inconformismos com a intensidade...E o perfeito teria a maior paciência do mundo em me curar dessa loucura, e você tem a maior paciência do mundo em aumentar a minha loucura. Nossa dança num baile de máscaras é eterna, porque quando eu peso a mão, você me faz voar. E quando você perde o chão, eu te dou um soco na cabeça pra ver se achato a sua alegria pra caber na minha... E você cabe de sobra na minha intensidade, e acaba que a minha neurose fria é o quentinho da sua cama.
E o perfeito tem um beijo profundo e ritmado, que de tão melado e encaixável me deixa saciada de um jeito que encerra o meu desejo. E você tem um jeito caótico de me beijar meio burro, porque se eu vou para um lado, você vai para o mesmo. E é nesta única hora em que você não deveria concordar comigo, que você concorda... E eu nunca me dou por satisfeita, e acabo achando que a gente ainda nem deu o nosso primeiro beijo, o que me causa uma ansiedade de paixão inicial que não deixa o peito relaxar... E o homem das minhas ilusões me deixaria relaxar numa enorme cama amorosa, e acordaria inúmeras vezes para me ver dormir abraçada a toda a certeza que ele me daria com apenas um segundo de olhar... É muito quase como se você nem existisse, porque só o homem perfeito mereceria tanto sentimento. E eu te anulo o tempo todo dizendo para mim, repetindo para mim, o quanto você falha, o quanto você fraqueja, o quanto você se engana. E fazendo isso, eu só consigo te amar mais ainda. Porque você enterrou meu sonho aprisionado pela perfeição e me libertou para vivê-lo. E a gente vai por aí, se completando assim meio torto mesmo. E Deus escrevendo certo pelas nossas linhas que se não fossem tão tortas, não teriam se cruzado.
E Calma, calma, por favor! E Poooooft! Caímos no chão sem a menor piedade, sem a menor explicação. E aí, doeu, acho que não sinto meu coração [de novo], talvez até cicatrize logo, mais a dor não vai passar!
Não faz sentido viver sem ter no mínimo a essência mais bela no coração, apagar tudo isso seria uma afronta a qualquer sentimento meu e seu, aos menos me deixe essa linda lembrança na alma.
Ao menos me jure amor eterno, pois o meu já é seu e não importa o que aconteça ou eu esteja. Jure que todos esses momentos nunca serão esquecidos.
É uma loucura insatisfeita, uma loucura que sente, que permite que desabafa, que chora, que constrói, que se diverte, que fala e que acima de tudo AMA!
É a loucura mais consciente que qualquer sanidade já existente nesse universo, daquelas que você chega a dizer - Se eu estivesse assim amanhã, resolveria todos os meus problemas.
Era tudo tão pequeno, tudo tão grande, tão frio, tão quente, tão apertado, tão gostoso, tão maravilhado, tão violento [no sentido de acabar com o que você acha que ainda te resta no peito].
Me sentia como se fluasse em nuvens feitas do mais puro algodão, como se o mundo inteiro estivesse na ponta dos meus dedos, como as borboletas estivesse na boca do meu estomago, como se tudo estivesse em câmera lenta e eu fazendo tudo pra chamar a atenção.
Minha mente percorria cada pedaço desse mundo, ela caminhava, livre, leve, solta, Louca!
Meu coração, ah meu coração esse não saia um segundo das suas mãos, era a troca mais mutúa,e ao mesmo tempo que eu tomava todo o cuidado pra não acabar amassando o seu coração com toda minha delicadeza inexistentes eu queria mesmo era guardá-lo dentro de uma caixinha bem do lado da minha cama e beijá-lo todas as noites.
Uma doçura existia no seu olhar, e isso me encantava, enquanto eu sempre querendo “tagarelar” de alguma coisa, seu olhar sempre me dizia que apenas um abraço resolvia qualquer “brisa” mal interpretada.
Eu quero sim te matar, porque você tem uma mania surda de responder todas as minhas perguntas com um "ãhhh?" enjoado, e eu quero te socar porque você já descobriu tudo o que me irrita e gosta de me ver assim. Mas quando qualquer outra coisa no mundo me irrita, eu lembro que eu tenho você pra me fazer sentir essa raiva tão “sei lá”.
Minha intensidade às vezes me matava, eu pensava, pensava e pensava [e claro falava] das coisas mais inbecis possíveis, minha mente viajava longe muito longe, e quando achava que estava sendo boba demais vinha você me convidando para um passeio em marte!
Podia ser no meio de 30 milhões de pessoas ou somente eu e você no alto de uma pedra que a intensidade de só existir 2 pessoas no mundo era SEMPRE a mesma. As pessoas não existiam, simplesmente elas desapareciam, ué cadê todo mundo! - Calma agente não precisa de ninguém aqui, você basta!
Um abraço nos levava simplesmente para qualquer lugar no mundo, nas estrelas, nos céus ou simplesmente no NOSSO planeta. O mundo nem sequer lutava com a nossa força de mudá-lo em questão de segundos, em transformá-lo no planeta mais perfeito com a filosofia mais pura e sensata claro!
Tudo ficava claro e sincero, o mundo sim ficava mais puro e mais calmo. É, porque não nos candidatamos a Presidentes do país, era um começo! [é talvez fosse loucura demais, edaaaaí]
Cadê meu medo eterno!? Me ensina a tirar assim como você faz todas as vezes que me encontra! Quero ficar o tempo todo encolhida nos teus braços como uma menininha que chora com o joelho todo ralado.
Sou durona demais pra isso, mais nessas horas viro a menina mais doce, mais carinhosa, mais aberta, mais meiga, mais amada.
Aquela brisa suave parece percorrer minha pele e entrar pelos meus póros e bater direto na minha alma, me faz sentir de perto toda aquela paz que vem no soprar da noite, no soprar do vento nos meus cabelos, ao seu falar aos meus ouvidos.
A cada tocar seu em minha pele era uma explosão vibrante de energia, uma combustão como se a qualquer momento fossemos explodir e virar bolhas coloridas no ar!
Queria sumir te levar pra longe, para uma ilha, uma floresta, pra outro planeta, pra lua, pra qualquer lugar, e que eu não tenha que voltar pra merda do amanhã ou para o depois porque o depois mata!
Eu simplesmente vomitava as palavras, sabe aqueles filtros que você tem na cabeça pra não dizer tanta besteira, pois é eu já não tinha mais o meu, e sabe o melhor !? Você também não tinha o seu. E seguíamos com longas e longas conversas, e na nossa linguagem eram filosofias propriamente poéticas, íamos do meio fio da calçada até marte de brincadeira. Era a risada mais gostosa, aquela que você sente sua barriga doer, e pede, por favor, pra parar!
Porque o perfeito é cheio de estripulias, mas eu detesto estripulias e adoro nosso jeito intenso de se amar cheio de inconformismos com a intensidade...E o perfeito teria a maior paciência do mundo em me curar dessa loucura, e você tem a maior paciência do mundo em aumentar a minha loucura. Nossa dança num baile de máscaras é eterna, porque quando eu peso a mão, você me faz voar. E quando você perde o chão, eu te dou um soco na cabeça pra ver se achato a sua alegria pra caber na minha... E você cabe de sobra na minha intensidade, e acaba que a minha neurose fria é o quentinho da sua cama.
E o perfeito tem um beijo profundo e ritmado, que de tão melado e encaixável me deixa saciada de um jeito que encerra o meu desejo. E você tem um jeito caótico de me beijar meio burro, porque se eu vou para um lado, você vai para o mesmo. E é nesta única hora em que você não deveria concordar comigo, que você concorda... E eu nunca me dou por satisfeita, e acabo achando que a gente ainda nem deu o nosso primeiro beijo, o que me causa uma ansiedade de paixão inicial que não deixa o peito relaxar... E o homem das minhas ilusões me deixaria relaxar numa enorme cama amorosa, e acordaria inúmeras vezes para me ver dormir abraçada a toda a certeza que ele me daria com apenas um segundo de olhar... É muito quase como se você nem existisse, porque só o homem perfeito mereceria tanto sentimento. E eu te anulo o tempo todo dizendo para mim, repetindo para mim, o quanto você falha, o quanto você fraqueja, o quanto você se engana. E fazendo isso, eu só consigo te amar mais ainda. Porque você enterrou meu sonho aprisionado pela perfeição e me libertou para vivê-lo. E a gente vai por aí, se completando assim meio torto mesmo. E Deus escrevendo certo pelas nossas linhas que se não fossem tão tortas, não teriam se cruzado.
E Calma, calma, por favor! E Poooooft! Caímos no chão sem a menor piedade, sem a menor explicação. E aí, doeu, acho que não sinto meu coração [de novo], talvez até cicatrize logo, mais a dor não vai passar!
Não faz sentido viver sem ter no mínimo a essência mais bela no coração, apagar tudo isso seria uma afronta a qualquer sentimento meu e seu, aos menos me deixe essa linda lembrança na alma.
Ao menos me jure amor eterno, pois o meu já é seu e não importa o que aconteça ou eu esteja. Jure que todos esses momentos nunca serão esquecidos.
quinta-feira, 13 de janeiro de 2011
A História Completa de Nikita !
Nikita fingiu a vida inteira mas nunca deixou de procurar a verdade. Sempre uma tosse de angústia na boca do peito. Sempre um motorzinho acelerado enjoado lá pro meio de algo que fica dentro. O olho ardia. A língua travava de vontade de mudar todo o discurso pronto e dizer apenas a verdade. Mas qual era a verdade? Então seguia fingindo. A vida inteira. Estudou um monte de coisa que se embaralhava na sua frente, mas fingia acreditar que aquilo a levaria para algum lugar. Um lugar com novos amigos e novos amores, talvez. Talvez essa fosse a verdade que purificaria tanta coisa sem sentido. Mas também não era isso porque, com esses amigos e amores, Nikita seguia fingindo. De fingir estudar passou em tudo que fingiu se importar. De fingir curtir as festas e os amigos e aquilo tudo,Nikita vivia em álbuns felizes e acabava feliz. De fingir amar, acabou chorando e doendo e escrevendo tantas coisas bonitas. Nikita seguia fingindo o tempo todo. Às vezes, com medo de morrer soterrada por tanto teatro, Nikita segurava firme no fundo dos olhos de alguém e dizia: a verdade é que, a verdade é que. E a pessoa, caso fosse assim como Nikita, uma pessoa especial (porque quem procura essa verdade sempre é) só dizia: eu sei, eu sei. E era isso. Um momento especial, de verdade, sem a bola de pêlo presa na goela. Sem a tosse de angústia, tentando soltar algo pro ar entrar. Mas que algo? Mas que tosse? Então Nikita ia ao psiquiatra e dizia não entender todas essas coisas como nuvens e casamentos e rodas fedorentas de caminhões bafando quente e infernal e abajures e cartões fidelidade e apostilas e tudo isso que acaba acontecendo porque acontece com todo mundo. Mas pra quem? Por quê? Qual é a verdade? Todos caminhando, todos com horários, todos de volta, cansados, o cérebro já bem gasto, agora podemos dormir, ufa, podemos dormir, pra quê? Pra amanhã mais e mais. E Nikita ia. Como na hora do rush do ônibus. Empurrada pela multidão sem verdade pra dentro de algo que leva pra algo. Pra onde? Eles precisam pagar as contas, eles precisam pagar o plano de saúde, diria sua mãe. Tá, e daí? Ter um problema sério nos ocupa de não ter o problema real. O problema real é que não dá pra calar a cabeça procurando a verdade. Que verdade? Quem inventou as nuvens? Porque as rodas de caminhões soltando fumaças quentes lembram tanto o inferno? E quem disse que a roda solta alguma coisa? Onde está a saída daqui? O tempo todo essa pergunta: onde está a saída daqui? Qual o caminho mais rápido para a minha cama, o silêncio, o escuro. Nikita abraça as pernas, como criança, e se diz baixinho: não dá pra saber a verdade, não dá pra parar a cabeça, nada parece realmente o que é, hoje eu não disse o que realmente queria, aquelas pessoas não sentem aquilo que demonstram, eu pouco me importo com 70% dos preenchimentos do meu dia, mas é preciso chegar até amanhã. É preciso chegar. Nikita se formou, trabalhou, namorou, viajou, casou, teve filhos, escolheu vestidos, escolheu pisos, escolheu tacos, escolheu flores, escolheu travesseiros, escolheu máquinas de lavar, escolheu o nome do neto, escolheu fazer a cirurgia, escolheu o sapato baixo, escolheu ver a novela ao invés do filme, escolheu dormir até mais tarde no dia que a empregada chegava mais cedo. Sem saber a verdade, Nikita escolheu viver. No último segundo, até porque prometi que essa era a história completa de Nikita, Nikita descobriu algo que nunca mais poderá contar a ninguém. Só o que sabemos é que, em sua última sugestão do que seria a verdade, ela sorriu como sorrimos para um bebê quando ele se levanta bem e disse: APENAS VIVA !
quarta-feira, 22 de dezembro de 2010
Seu Zé.
Não é isso que todo mundo acha super divertido? Beber e fumar, e beber, e fazer sexo sem amor, e beber e fumar e dançar e chegar tarde e envelhecer e não sentir nada? Sabe Seu Zé, ahh posso te chamar só de Zé né!? Posso, ah posso né com um papo tão profundo já somos desses somos amigos! Sabe Zé no começo doeu não sentir nada. Mas eu consegui. Eu não sinto nada. Nada. Uns vem, uns vão. As garrafas tão lá, ao lado do lixo. As cinzas saem dançando por aí. As minhas vão junto. No dia seguinte eu acordo, tomo um banho, passo protetor solar, sento na minha varanda com o meu jornalzinho e ó: nada. Nadinha. Pode ser boa que é uma coisa. Já chorei muito, já doeu muito esse coração. Mas agora tô, ó, tá vendo? De pedra. Nem pena do mundo eu consigo mais sentir. Minha pureza era linda, Zé, mas ninguém a entendia, ninguém acolhia ela. Todo mundo só abusava dela. Agora ninguém mais abusa da minha alma pelo simples fato de que eu não tenho mais alma nenhuma. Já era, Zé. É isso que chamam de ser esperto? Nossa, então eu sou uma ninja. Bate aqui no meu peito, Zé? Sentiu o barulho de granito? Quebrou o braço, Zé? Desculpa!
-Psiu Zé conta pra ninguém não, mais eu menti um pouquinho. Tá Tá eu menti quase tudo! Ah Seu Zé não quero mais ser sua amiga, você nem ao menos me deixa inventar meus sentimentos!
-Psiu Zé conta pra ninguém não, mais eu menti um pouquinho. Tá Tá eu menti quase tudo! Ah Seu Zé não quero mais ser sua amiga, você nem ao menos me deixa inventar meus sentimentos!
terça-feira, 21 de dezembro de 2010
Querido Papai Noel,
Esse ano fui uma menina muito boazinha. Passei fio dental, paguei todas as minhas contas (ou quase todas) e usei camisinha. Por isso, queria te pedir um presente. A última vez que te escrevi uma cartinha eu devia ter uns seis anos. Depois disso, o Thiago, o menino ranhento da minha classe, riu bem alto de mim, me apontando enquanto girava no gira-gira: Ela acredita! Ela acredita! HAHAHA.
Pois é, eu acreditava, e morri de vergonha. E nunca mais quis saber de você. Por causa do trauma de ser inocente e do dedo apontado do menino cheio de ranho, você virou um velho tarado que fica de pau duro em shopping, querendo mais é sentar as jovens mães em seu colo barato. O mundo foi ficando feio e cínico e com cheiro de saco de Papai Noel que não tem tempo de lavar a única calça abafada.
Mas esse ano fui uma menina boazinha e resolvi resgatar o 0,1% de crença que ainda existe em mim e te fazer esse pedido. Eu acredito Papai Noel. Eu acredito no amor, eu acredito ainda! Eu TENHO que acreditar.Que por trás desse mundo sujo existe apenas pessoas que querem preservar o amor que elas sentem dentro de si.Mais realmente se tudo fosse tão fácil como apenas camuflar seus sentimentos com sujeira ou com a simplicidade de acreditar num velho fazedor de brinquedo e seus viadinhos sobrevoando nossas cabeças.
Se eu te contasse como foi minha vida nesses últimos anos, Santa, você diria: pegue seu amor e se mude agora para o Pólo Norte! Congelada e solitária talvez você viva melhor!
Mas cara, quer dizer, Papy, vou te falar que sou leonina e teimosia é meu sobrenome. E eu ainda acredito no amor. Eu acredito! Volto agora pra cena macabra da infância. Thiago tem apenas sete anos. Ele gira, gira. Segura com uma mão o brinquedo e com a manga do outro bracinho gordo ele limpa seus ranhos. Escuta aqui, moleque, mas escuta bem: eu acredito que dá pra sonhar. Dá pra sonhar seu desgraçadinho entupido! Ouviu? Assopra tapando o nariz pra destampar esse ouvido!
Noel, cara, eu cansei. Só quero que seja natural, simples, fácil e bom. Não quero falar o que meus amigos me mandam falar porque se eu falar o que eu tenho vontade de falar poucos vão ficar. Eu não quero poucos. Eu não quero muitos. Eu quero um. Um amor. Só um.
Já tive bastante do resto que parece amor, já fiz bastante do resto que parece amor, já provei bastante pro Thiago que ele tava certo em relação a girar e rir e não acreditar e escorrer pelo nariz de medo de ficar aqui dentro. Agora eu quero sentar no seu colo, sem você ficar de pau duro, e quero que exista alguma porra de pureza nessa vida.
Pois é, eu acreditava, e morri de vergonha. E nunca mais quis saber de você. Por causa do trauma de ser inocente e do dedo apontado do menino cheio de ranho, você virou um velho tarado que fica de pau duro em shopping, querendo mais é sentar as jovens mães em seu colo barato. O mundo foi ficando feio e cínico e com cheiro de saco de Papai Noel que não tem tempo de lavar a única calça abafada.
Mas esse ano fui uma menina boazinha e resolvi resgatar o 0,1% de crença que ainda existe em mim e te fazer esse pedido. Eu acredito Papai Noel. Eu acredito no amor, eu acredito ainda! Eu TENHO que acreditar.Que por trás desse mundo sujo existe apenas pessoas que querem preservar o amor que elas sentem dentro de si.Mais realmente se tudo fosse tão fácil como apenas camuflar seus sentimentos com sujeira ou com a simplicidade de acreditar num velho fazedor de brinquedo e seus viadinhos sobrevoando nossas cabeças.
Se eu te contasse como foi minha vida nesses últimos anos, Santa, você diria: pegue seu amor e se mude agora para o Pólo Norte! Congelada e solitária talvez você viva melhor!
Mas cara, quer dizer, Papy, vou te falar que sou leonina e teimosia é meu sobrenome. E eu ainda acredito no amor. Eu acredito! Volto agora pra cena macabra da infância. Thiago tem apenas sete anos. Ele gira, gira. Segura com uma mão o brinquedo e com a manga do outro bracinho gordo ele limpa seus ranhos. Escuta aqui, moleque, mas escuta bem: eu acredito que dá pra sonhar. Dá pra sonhar seu desgraçadinho entupido! Ouviu? Assopra tapando o nariz pra destampar esse ouvido!
Noel, cara, eu cansei. Só quero que seja natural, simples, fácil e bom. Não quero falar o que meus amigos me mandam falar porque se eu falar o que eu tenho vontade de falar poucos vão ficar. Eu não quero poucos. Eu não quero muitos. Eu quero um. Um amor. Só um.
Já tive bastante do resto que parece amor, já fiz bastante do resto que parece amor, já provei bastante pro Thiago que ele tava certo em relação a girar e rir e não acreditar e escorrer pelo nariz de medo de ficar aqui dentro. Agora eu quero sentar no seu colo, sem você ficar de pau duro, e quero que exista alguma porra de pureza nessa vida.
domingo, 12 de dezembro de 2010
Ainda Não.
Às vezes cansa e entristece tanto, o mundo com os mutilados todos. Enxergar os pedaços, pegar um cinema com um tronco, tomar um café com meio rosto, apertar as mãos de uma canela, sentir o abraço idiota de um joelho com aquele cheiro de pele lixada pela continuidade.
Não é arrogância, se fosse, eu a usaria pra me sentir menos assustada e sozinha. É só mesmo a busca de me formar pelos outros ou me ver neles, nunca sei o peso da troca, e nem se é justa. Mas é tão de verdade que não se pode dizer arrogância ou loucura.
Na pressa de juntar tudo pra ver de uma vez só e me enojar menos, na pressa de juntar tudo pra ser de uma vez só e sentir menor o silêncio de ser uma parte que nem em si tem companhia, o mundo é como os desenhinhos que fazemos no cantinho de um bloco. Corra, corra, e todos terão tudo, todos se movimentarão tanto, o mundo rola, role com ele, basta o dedão percorrer rápido os cantinhos e a vida vai.
Dar certo é questão de segundos, sentir é questão de segundos, sempre a um passo de ser melhor e sentir pra valer. E a sensação deliciosa de dormir só e em silêncio mas junto com o mundo inteiro. Ser sem gente pra encher o saco, mas ser junto com todo mundo que é. Se isso ocorrer, esse segundo antes de dormir, isso sim é dormir. O resto é desculpa pra continuar mais tarde, varrendo o chão do inferno, o chuá, chuá do cérebro que brinca de lixeiro mas é só o chuá, chuá da repetição. A poeira fica, só nos enganamos chutando o que somos cada hora para um lado.
Como assusta o instante em que qualquer enrolação não é suportável e vemos, da janela, do carro, da mesa, da porta, de nós, as pernas correndo sem cabeça, as cabeças se dando sem mãos, os pés chutando sem estômago, as tripas acariciando sem pulso.
Quando cansa e entristece, os amigos dedos com anel, os amigos cintura com cinto, os amigos orelha com cabelo liso atrás, os amigos calça antes de encostar no calcanhar. O que me mantém em pé apesar da falta de corpo é a saudade de algo encaixável e inteiriço, é a curiosidade e a fé em algo encaixável e inteiriço. O que me mantém em pé é perseguir um corpo, pra ser igual ou pra que seja. O que me mantém em pé é, justamente, o quase tudo isso, o quase que sempre foi e o quase de daqui a pouco. É o gosto da lembrança e da iminência. A promessa sempre atual do há ou daqui a. Mas nunca, nunca, nunca, foi. Será?
Onde estão os amigos? Devagar, com paradas, com amor, são restos de algo, são quase, tudo é quase, tudo é resto, tudo é ainda não, mas quase. Nunca sei se serão ou se sobraram. Então, o desespero, o desespero é justamente não existir um corpo inteiro que se abrace. O desespero é, principalmente, não se ser um corpo inteiro para abraçar. É nunca aprender porque não ensinamos. É nunca copiar porque não estamos. A queda que ninguém segura e nem a gente mesmo. O desespero é, sobretudo, não desistir, não acabar, sequer ser queda. Sequer ser desespero. Desespero é nem isso. Ainda não ser, ainda não ter, ainda não não.
Não é arrogância, se fosse, eu a usaria pra me sentir menos assustada e sozinha. É só mesmo a busca de me formar pelos outros ou me ver neles, nunca sei o peso da troca, e nem se é justa. Mas é tão de verdade que não se pode dizer arrogância ou loucura.
Na pressa de juntar tudo pra ver de uma vez só e me enojar menos, na pressa de juntar tudo pra ser de uma vez só e sentir menor o silêncio de ser uma parte que nem em si tem companhia, o mundo é como os desenhinhos que fazemos no cantinho de um bloco. Corra, corra, e todos terão tudo, todos se movimentarão tanto, o mundo rola, role com ele, basta o dedão percorrer rápido os cantinhos e a vida vai.
Dar certo é questão de segundos, sentir é questão de segundos, sempre a um passo de ser melhor e sentir pra valer. E a sensação deliciosa de dormir só e em silêncio mas junto com o mundo inteiro. Ser sem gente pra encher o saco, mas ser junto com todo mundo que é. Se isso ocorrer, esse segundo antes de dormir, isso sim é dormir. O resto é desculpa pra continuar mais tarde, varrendo o chão do inferno, o chuá, chuá do cérebro que brinca de lixeiro mas é só o chuá, chuá da repetição. A poeira fica, só nos enganamos chutando o que somos cada hora para um lado.
Como assusta o instante em que qualquer enrolação não é suportável e vemos, da janela, do carro, da mesa, da porta, de nós, as pernas correndo sem cabeça, as cabeças se dando sem mãos, os pés chutando sem estômago, as tripas acariciando sem pulso.
Quando cansa e entristece, os amigos dedos com anel, os amigos cintura com cinto, os amigos orelha com cabelo liso atrás, os amigos calça antes de encostar no calcanhar. O que me mantém em pé apesar da falta de corpo é a saudade de algo encaixável e inteiriço, é a curiosidade e a fé em algo encaixável e inteiriço. O que me mantém em pé é perseguir um corpo, pra ser igual ou pra que seja. O que me mantém em pé é, justamente, o quase tudo isso, o quase que sempre foi e o quase de daqui a pouco. É o gosto da lembrança e da iminência. A promessa sempre atual do há ou daqui a. Mas nunca, nunca, nunca, foi. Será?
Onde estão os amigos? Devagar, com paradas, com amor, são restos de algo, são quase, tudo é quase, tudo é resto, tudo é ainda não, mas quase. Nunca sei se serão ou se sobraram. Então, o desespero, o desespero é justamente não existir um corpo inteiro que se abrace. O desespero é, principalmente, não se ser um corpo inteiro para abraçar. É nunca aprender porque não ensinamos. É nunca copiar porque não estamos. A queda que ninguém segura e nem a gente mesmo. O desespero é, sobretudo, não desistir, não acabar, sequer ser queda. Sequer ser desespero. Desespero é nem isso. Ainda não ser, ainda não ter, ainda não não.
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