Não é isso que todo mundo acha super divertido? Beber e fumar, e beber, e fazer sexo sem amor, e beber e fumar e dançar e chegar tarde e envelhecer e não sentir nada? Sabe Seu Zé, ahh posso te chamar só de Zé né!? Posso, ah posso né com um papo tão profundo já somos desses somos amigos! Sabe Zé no começo doeu não sentir nada. Mas eu consegui. Eu não sinto nada. Nada. Uns vem, uns vão. As garrafas tão lá, ao lado do lixo. As cinzas saem dançando por aí. As minhas vão junto. No dia seguinte eu acordo, tomo um banho, passo protetor solar, sento na minha varanda com o meu jornalzinho e ó: nada. Nadinha. Pode ser boa que é uma coisa. Já chorei muito, já doeu muito esse coração. Mas agora tô, ó, tá vendo? De pedra. Nem pena do mundo eu consigo mais sentir. Minha pureza era linda, Zé, mas ninguém a entendia, ninguém acolhia ela. Todo mundo só abusava dela. Agora ninguém mais abusa da minha alma pelo simples fato de que eu não tenho mais alma nenhuma. Já era, Zé. É isso que chamam de ser esperto? Nossa, então eu sou uma ninja. Bate aqui no meu peito, Zé? Sentiu o barulho de granito? Quebrou o braço, Zé? Desculpa!
-Psiu Zé conta pra ninguém não, mais eu menti um pouquinho. Tá Tá eu menti quase tudo! Ah Seu Zé não quero mais ser sua amiga, você nem ao menos me deixa inventar meus sentimentos!
quarta-feira, 22 de dezembro de 2010
terça-feira, 21 de dezembro de 2010
Querido Papai Noel,
Esse ano fui uma menina muito boazinha. Passei fio dental, paguei todas as minhas contas (ou quase todas) e usei camisinha. Por isso, queria te pedir um presente. A última vez que te escrevi uma cartinha eu devia ter uns seis anos. Depois disso, o Thiago, o menino ranhento da minha classe, riu bem alto de mim, me apontando enquanto girava no gira-gira: Ela acredita! Ela acredita! HAHAHA.
Pois é, eu acreditava, e morri de vergonha. E nunca mais quis saber de você. Por causa do trauma de ser inocente e do dedo apontado do menino cheio de ranho, você virou um velho tarado que fica de pau duro em shopping, querendo mais é sentar as jovens mães em seu colo barato. O mundo foi ficando feio e cínico e com cheiro de saco de Papai Noel que não tem tempo de lavar a única calça abafada.
Mas esse ano fui uma menina boazinha e resolvi resgatar o 0,1% de crença que ainda existe em mim e te fazer esse pedido. Eu acredito Papai Noel. Eu acredito no amor, eu acredito ainda! Eu TENHO que acreditar.Que por trás desse mundo sujo existe apenas pessoas que querem preservar o amor que elas sentem dentro de si.Mais realmente se tudo fosse tão fácil como apenas camuflar seus sentimentos com sujeira ou com a simplicidade de acreditar num velho fazedor de brinquedo e seus viadinhos sobrevoando nossas cabeças.
Se eu te contasse como foi minha vida nesses últimos anos, Santa, você diria: pegue seu amor e se mude agora para o Pólo Norte! Congelada e solitária talvez você viva melhor!
Mas cara, quer dizer, Papy, vou te falar que sou leonina e teimosia é meu sobrenome. E eu ainda acredito no amor. Eu acredito! Volto agora pra cena macabra da infância. Thiago tem apenas sete anos. Ele gira, gira. Segura com uma mão o brinquedo e com a manga do outro bracinho gordo ele limpa seus ranhos. Escuta aqui, moleque, mas escuta bem: eu acredito que dá pra sonhar. Dá pra sonhar seu desgraçadinho entupido! Ouviu? Assopra tapando o nariz pra destampar esse ouvido!
Noel, cara, eu cansei. Só quero que seja natural, simples, fácil e bom. Não quero falar o que meus amigos me mandam falar porque se eu falar o que eu tenho vontade de falar poucos vão ficar. Eu não quero poucos. Eu não quero muitos. Eu quero um. Um amor. Só um.
Já tive bastante do resto que parece amor, já fiz bastante do resto que parece amor, já provei bastante pro Thiago que ele tava certo em relação a girar e rir e não acreditar e escorrer pelo nariz de medo de ficar aqui dentro. Agora eu quero sentar no seu colo, sem você ficar de pau duro, e quero que exista alguma porra de pureza nessa vida.
Pois é, eu acreditava, e morri de vergonha. E nunca mais quis saber de você. Por causa do trauma de ser inocente e do dedo apontado do menino cheio de ranho, você virou um velho tarado que fica de pau duro em shopping, querendo mais é sentar as jovens mães em seu colo barato. O mundo foi ficando feio e cínico e com cheiro de saco de Papai Noel que não tem tempo de lavar a única calça abafada.
Mas esse ano fui uma menina boazinha e resolvi resgatar o 0,1% de crença que ainda existe em mim e te fazer esse pedido. Eu acredito Papai Noel. Eu acredito no amor, eu acredito ainda! Eu TENHO que acreditar.Que por trás desse mundo sujo existe apenas pessoas que querem preservar o amor que elas sentem dentro de si.Mais realmente se tudo fosse tão fácil como apenas camuflar seus sentimentos com sujeira ou com a simplicidade de acreditar num velho fazedor de brinquedo e seus viadinhos sobrevoando nossas cabeças.
Se eu te contasse como foi minha vida nesses últimos anos, Santa, você diria: pegue seu amor e se mude agora para o Pólo Norte! Congelada e solitária talvez você viva melhor!
Mas cara, quer dizer, Papy, vou te falar que sou leonina e teimosia é meu sobrenome. E eu ainda acredito no amor. Eu acredito! Volto agora pra cena macabra da infância. Thiago tem apenas sete anos. Ele gira, gira. Segura com uma mão o brinquedo e com a manga do outro bracinho gordo ele limpa seus ranhos. Escuta aqui, moleque, mas escuta bem: eu acredito que dá pra sonhar. Dá pra sonhar seu desgraçadinho entupido! Ouviu? Assopra tapando o nariz pra destampar esse ouvido!
Noel, cara, eu cansei. Só quero que seja natural, simples, fácil e bom. Não quero falar o que meus amigos me mandam falar porque se eu falar o que eu tenho vontade de falar poucos vão ficar. Eu não quero poucos. Eu não quero muitos. Eu quero um. Um amor. Só um.
Já tive bastante do resto que parece amor, já fiz bastante do resto que parece amor, já provei bastante pro Thiago que ele tava certo em relação a girar e rir e não acreditar e escorrer pelo nariz de medo de ficar aqui dentro. Agora eu quero sentar no seu colo, sem você ficar de pau duro, e quero que exista alguma porra de pureza nessa vida.
domingo, 12 de dezembro de 2010
Ainda Não.
Às vezes cansa e entristece tanto, o mundo com os mutilados todos. Enxergar os pedaços, pegar um cinema com um tronco, tomar um café com meio rosto, apertar as mãos de uma canela, sentir o abraço idiota de um joelho com aquele cheiro de pele lixada pela continuidade.
Não é arrogância, se fosse, eu a usaria pra me sentir menos assustada e sozinha. É só mesmo a busca de me formar pelos outros ou me ver neles, nunca sei o peso da troca, e nem se é justa. Mas é tão de verdade que não se pode dizer arrogância ou loucura.
Na pressa de juntar tudo pra ver de uma vez só e me enojar menos, na pressa de juntar tudo pra ser de uma vez só e sentir menor o silêncio de ser uma parte que nem em si tem companhia, o mundo é como os desenhinhos que fazemos no cantinho de um bloco. Corra, corra, e todos terão tudo, todos se movimentarão tanto, o mundo rola, role com ele, basta o dedão percorrer rápido os cantinhos e a vida vai.
Dar certo é questão de segundos, sentir é questão de segundos, sempre a um passo de ser melhor e sentir pra valer. E a sensação deliciosa de dormir só e em silêncio mas junto com o mundo inteiro. Ser sem gente pra encher o saco, mas ser junto com todo mundo que é. Se isso ocorrer, esse segundo antes de dormir, isso sim é dormir. O resto é desculpa pra continuar mais tarde, varrendo o chão do inferno, o chuá, chuá do cérebro que brinca de lixeiro mas é só o chuá, chuá da repetição. A poeira fica, só nos enganamos chutando o que somos cada hora para um lado.
Como assusta o instante em que qualquer enrolação não é suportável e vemos, da janela, do carro, da mesa, da porta, de nós, as pernas correndo sem cabeça, as cabeças se dando sem mãos, os pés chutando sem estômago, as tripas acariciando sem pulso.
Quando cansa e entristece, os amigos dedos com anel, os amigos cintura com cinto, os amigos orelha com cabelo liso atrás, os amigos calça antes de encostar no calcanhar. O que me mantém em pé apesar da falta de corpo é a saudade de algo encaixável e inteiriço, é a curiosidade e a fé em algo encaixável e inteiriço. O que me mantém em pé é perseguir um corpo, pra ser igual ou pra que seja. O que me mantém em pé é, justamente, o quase tudo isso, o quase que sempre foi e o quase de daqui a pouco. É o gosto da lembrança e da iminência. A promessa sempre atual do há ou daqui a. Mas nunca, nunca, nunca, foi. Será?
Onde estão os amigos? Devagar, com paradas, com amor, são restos de algo, são quase, tudo é quase, tudo é resto, tudo é ainda não, mas quase. Nunca sei se serão ou se sobraram. Então, o desespero, o desespero é justamente não existir um corpo inteiro que se abrace. O desespero é, principalmente, não se ser um corpo inteiro para abraçar. É nunca aprender porque não ensinamos. É nunca copiar porque não estamos. A queda que ninguém segura e nem a gente mesmo. O desespero é, sobretudo, não desistir, não acabar, sequer ser queda. Sequer ser desespero. Desespero é nem isso. Ainda não ser, ainda não ter, ainda não não.
Não é arrogância, se fosse, eu a usaria pra me sentir menos assustada e sozinha. É só mesmo a busca de me formar pelos outros ou me ver neles, nunca sei o peso da troca, e nem se é justa. Mas é tão de verdade que não se pode dizer arrogância ou loucura.
Na pressa de juntar tudo pra ver de uma vez só e me enojar menos, na pressa de juntar tudo pra ser de uma vez só e sentir menor o silêncio de ser uma parte que nem em si tem companhia, o mundo é como os desenhinhos que fazemos no cantinho de um bloco. Corra, corra, e todos terão tudo, todos se movimentarão tanto, o mundo rola, role com ele, basta o dedão percorrer rápido os cantinhos e a vida vai.
Dar certo é questão de segundos, sentir é questão de segundos, sempre a um passo de ser melhor e sentir pra valer. E a sensação deliciosa de dormir só e em silêncio mas junto com o mundo inteiro. Ser sem gente pra encher o saco, mas ser junto com todo mundo que é. Se isso ocorrer, esse segundo antes de dormir, isso sim é dormir. O resto é desculpa pra continuar mais tarde, varrendo o chão do inferno, o chuá, chuá do cérebro que brinca de lixeiro mas é só o chuá, chuá da repetição. A poeira fica, só nos enganamos chutando o que somos cada hora para um lado.
Como assusta o instante em que qualquer enrolação não é suportável e vemos, da janela, do carro, da mesa, da porta, de nós, as pernas correndo sem cabeça, as cabeças se dando sem mãos, os pés chutando sem estômago, as tripas acariciando sem pulso.
Quando cansa e entristece, os amigos dedos com anel, os amigos cintura com cinto, os amigos orelha com cabelo liso atrás, os amigos calça antes de encostar no calcanhar. O que me mantém em pé apesar da falta de corpo é a saudade de algo encaixável e inteiriço, é a curiosidade e a fé em algo encaixável e inteiriço. O que me mantém em pé é perseguir um corpo, pra ser igual ou pra que seja. O que me mantém em pé é, justamente, o quase tudo isso, o quase que sempre foi e o quase de daqui a pouco. É o gosto da lembrança e da iminência. A promessa sempre atual do há ou daqui a. Mas nunca, nunca, nunca, foi. Será?
Onde estão os amigos? Devagar, com paradas, com amor, são restos de algo, são quase, tudo é quase, tudo é resto, tudo é ainda não, mas quase. Nunca sei se serão ou se sobraram. Então, o desespero, o desespero é justamente não existir um corpo inteiro que se abrace. O desespero é, principalmente, não se ser um corpo inteiro para abraçar. É nunca aprender porque não ensinamos. É nunca copiar porque não estamos. A queda que ninguém segura e nem a gente mesmo. O desespero é, sobretudo, não desistir, não acabar, sequer ser queda. Sequer ser desespero. Desespero é nem isso. Ainda não ser, ainda não ter, ainda não não.
quarta-feira, 8 de dezembro de 2010
Seja Idiota !
A idiotice é vital para a felicidade.
Gente chata essa que quer ser séria, profunda e visceral sempre.
A vida já é um caos. Por que fazermos dela, ainda por cima, um tratado?
Deixe a seriedade para as horas em que ela é inevitável: mortes,separações, dores e afins.
No dia-a-dia, pelo amor de Deus, seja idiota!
Ria dos próprios defeitos. E de quem acha defeitos em você.
Ignore o que o boçal do seu chefe disse.
Pense assim: quem tem que carregar aquela cara feia, todos os dias, inseparavelmente, é ele. Pobre dele!
Milhares de casamentos acabaram não pela falta de amor, dinheiro, sexo, sincronia, mas pela ausência de idiotice.
Trate seu amor como seu melhor amigo, e pronto.
Quem disse que é bom dividirmos a vida com alguém que tem conselho pra tudo, soluções sensatas, mas não consegue rir quando tropeça?
Alguém que sabe resolver uma crise familiar, mas não tem a menor idéia de como preencher as horas livres de um fim de semana?
Quanto tempo faz que você não vai ao cinema?
É bem comum gente que fica perdida quando se acabam os problemas. E daí, o que elas farão se já não têm por que se desesperar?
Desaprenderam a brincar. Eu não quero alguém assim comigo.
Você quer? Espero que não!
Tudo que é mais difícil é mais gostoso, mas... a realidade já é dura; piora se for densa.
Brincar é legal!
Adultos podem (e devem) contar piadas, passear no parque, rir alto e lamber a tampa do iogurte.
Ser adulto não é perder os prazeres da vida e esse é o único "não" realmente aceitável.
Teste a teoria.
Acorde de manhã e decida entre duas coisas: ficar de mau humor e transmitir isso adiante ou sorrir...
Bom mesmo é ter problema na cabeça, sorriso na boca e paz no coração!
Aliás, entregue os problemas nas mãos de Deus e que tal um cafezinho gostoso agora?
Gente chata essa que quer ser séria, profunda e visceral sempre.
A vida já é um caos. Por que fazermos dela, ainda por cima, um tratado?
Deixe a seriedade para as horas em que ela é inevitável: mortes,separações, dores e afins.
No dia-a-dia, pelo amor de Deus, seja idiota!
Ria dos próprios defeitos. E de quem acha defeitos em você.
Ignore o que o boçal do seu chefe disse.
Pense assim: quem tem que carregar aquela cara feia, todos os dias, inseparavelmente, é ele. Pobre dele!
Milhares de casamentos acabaram não pela falta de amor, dinheiro, sexo, sincronia, mas pela ausência de idiotice.
Trate seu amor como seu melhor amigo, e pronto.
Quem disse que é bom dividirmos a vida com alguém que tem conselho pra tudo, soluções sensatas, mas não consegue rir quando tropeça?
Alguém que sabe resolver uma crise familiar, mas não tem a menor idéia de como preencher as horas livres de um fim de semana?
Quanto tempo faz que você não vai ao cinema?
É bem comum gente que fica perdida quando se acabam os problemas. E daí, o que elas farão se já não têm por que se desesperar?
Desaprenderam a brincar. Eu não quero alguém assim comigo.
Você quer? Espero que não!
Tudo que é mais difícil é mais gostoso, mas... a realidade já é dura; piora se for densa.
Brincar é legal!
Adultos podem (e devem) contar piadas, passear no parque, rir alto e lamber a tampa do iogurte.
Ser adulto não é perder os prazeres da vida e esse é o único "não" realmente aceitável.
Teste a teoria.
Acorde de manhã e decida entre duas coisas: ficar de mau humor e transmitir isso adiante ou sorrir...
Bom mesmo é ter problema na cabeça, sorriso na boca e paz no coração!
Aliás, entregue os problemas nas mãos de Deus e que tal um cafezinho gostoso agora?
sábado, 4 de dezembro de 2010
Mais um vez ...
Eu nunca vou entender porque a gente continua voltando pra casa querendo ser de alguém, ainda que a gente esteja um ao lado do outro. Eu nunca vou entender porque você é exatamente o que eu quero, eu sou exatamente o que você quer, mas as nossas exatidões não funcionam numa conta de mais nem de dividir.
Eu nunca aceitei a simplicidade do sentimento. Eu sempre quis entender de onde vinha tanta loucura, tanta emoção. Eu nunca respeitei sua banalidade, nunca entendi como pude ser tão escrava de uma vida que não me dizia nada, não me aquietava em nada, não me preenchia, não me planejava, não me findava. Nós éramos sem começo, sem meio, sem fim, sem solução, sem motivo. Mais existia um amor louco, insano! Que por nada deixava nos separarmos. Eu sinto saudades do seu amor, de como ele cuidava de tudo, de como ele cuidava de mim .. Sinto falta da perdição involuntária que era congelar na sua presença. Sinto falta da guerra de leões que havia todas as tardes quando procurávamos mais amor um no outro. Era a vida se mostrando mais poderosa do que eu e minhas listas de certo e errado. Era a natureza me provando ser mais óbvia do que todas as minhas crenças. Eu não mandava no que sentia por você, eu não aceitava, ainda assim, era inundada diariamente por uma vida trezentas vezes maior que a minha. Eu te amava por causa da vida e não por minha causa. E isso era lindo. Você era lindo.
Simplesmente isso. Você, a pessoa que eu ainda vejo passando no corredor e me levando embora. Eu mais uma vez me pergunto como é mesmo que se faz a coisa mais profunda do mundo com total superficialidade. Como é que se ama sem amor? Como é que se entrega de dentro de uma prisão? Nunca soube. Prometi não tentar entender e apenas sentir, sentir mais uma vez ! Com um início de perder o fôlego, mas com um eterno três pontinhos num final que nem existe.
Os três pontinhos são o que me matam, ponto final seria a dureza clara e o fim da história, três pontinhos são o que me matam !
E você continua indo embora, e eu continuo ficando, vendo você levar partes de mim que antes eu nem sentia falta. Ninguém acredita na gente: nenhum cartomante, nenhum pai-de-santo, nenhuma terapeuta, nenhum parente, nenhum amigo, nenhum e-mail, nenhuma mensagem de texto, nenhum rastro, nenhuma reza, nenhuma fofoca e, principalmente (ou infelizmente): nem você Os grandes αmores são assim mesmo, eles nos dão o caminho da emoção, mas os sentimentos de verdade são apenas nossos, ninguém copiα, ninguém leva, ninguém divide.
Aquele abraço era o lado bom da vida, mas para valorizá-lo eu
precisava viver. E que irônico: pra viver eu precisava perdê-lo !
Eu nunca aceitei a simplicidade do sentimento. Eu sempre quis entender de onde vinha tanta loucura, tanta emoção. Eu nunca respeitei sua banalidade, nunca entendi como pude ser tão escrava de uma vida que não me dizia nada, não me aquietava em nada, não me preenchia, não me planejava, não me findava. Nós éramos sem começo, sem meio, sem fim, sem solução, sem motivo. Mais existia um amor louco, insano! Que por nada deixava nos separarmos. Eu sinto saudades do seu amor, de como ele cuidava de tudo, de como ele cuidava de mim .. Sinto falta da perdição involuntária que era congelar na sua presença. Sinto falta da guerra de leões que havia todas as tardes quando procurávamos mais amor um no outro. Era a vida se mostrando mais poderosa do que eu e minhas listas de certo e errado. Era a natureza me provando ser mais óbvia do que todas as minhas crenças. Eu não mandava no que sentia por você, eu não aceitava, ainda assim, era inundada diariamente por uma vida trezentas vezes maior que a minha. Eu te amava por causa da vida e não por minha causa. E isso era lindo. Você era lindo.
Simplesmente isso. Você, a pessoa que eu ainda vejo passando no corredor e me levando embora. Eu mais uma vez me pergunto como é mesmo que se faz a coisa mais profunda do mundo com total superficialidade. Como é que se ama sem amor? Como é que se entrega de dentro de uma prisão? Nunca soube. Prometi não tentar entender e apenas sentir, sentir mais uma vez ! Com um início de perder o fôlego, mas com um eterno três pontinhos num final que nem existe.
Os três pontinhos são o que me matam, ponto final seria a dureza clara e o fim da história, três pontinhos são o que me matam !
E você continua indo embora, e eu continuo ficando, vendo você levar partes de mim que antes eu nem sentia falta. Ninguém acredita na gente: nenhum cartomante, nenhum pai-de-santo, nenhuma terapeuta, nenhum parente, nenhum amigo, nenhum e-mail, nenhuma mensagem de texto, nenhum rastro, nenhuma reza, nenhuma fofoca e, principalmente (ou infelizmente): nem você Os grandes αmores são assim mesmo, eles nos dão o caminho da emoção, mas os sentimentos de verdade são apenas nossos, ninguém copiα, ninguém leva, ninguém divide.
Aquele abraço era o lado bom da vida, mas para valorizá-lo eu
precisava viver. E que irônico: pra viver eu precisava perdê-lo !
sábado, 27 de novembro de 2010
Pra Sempre.
Tem muita gente que se distrai e é feliz pra sempre, sem conhecer as delícias de ser feliz por uns meses, depois infeliz por uns dias... Viver não é seguro. Viver não é fácil. E não pode ser monótono. Mesmo fazendo escolhas aparentemente definitivas, ainda assim podemos excursionar por dentro de nós mesmos e descobrir lugares desabitados em que nunca colocamos os pés, nem mesmo em imaginação. E, estando lá, rever nossas escolhas e recalcular a duração de "pra sempre". Muitas vezes o "pra sempre" não dura tanto quanto duram nossa teimosia e receio de mudar.
Te amo mesmo, talvez pra sempre. Mas nem por isso eu deixo de ser feliz ou viver minha vida !
Não somos um casal melado, mas duvido que tenha alguém que duvide do nosso amor. Quer dizer, a gente duvida, mas a gente é LOUCO !
Te amo mesmo, talvez pra sempre. Mas nem por isso eu deixo de ser feliz ou viver minha vida !
Não somos um casal melado, mas duvido que tenha alguém que duvide do nosso amor. Quer dizer, a gente duvida, mas a gente é LOUCO !
sexta-feira, 26 de novembro de 2010
Até Breve !
Nunca gostei da palavra adeus. Ela me parece forte demais. Deixa no ar uma ligação direta com o findar de uma existência de amizades. Tem o cheiro apavorante de um quarto de enfermo. Soa como uma despedida da vida. Prefiro, quando me despeço, dizer, um até mais, um até breve.
Faz um ano e meio que estou no aqui onde fui acolhido com muitas mãos de flores, com muitas línguas perfumadas, com doces olhares de bondade. Mais também tive um ardo caminho durante esse tempo A vida ensinou-me a não tomar decisões precipitadas, ingratas. Achei, por isso, que seria mais prudente tirar umas "férias", um projeto cultural profundamente bem elaborado, mas, cujas janelas, ultimamente, por onde entrava o sol ardente da liberdade estão sendo decoradas com cortinas pintadas com a cor do luto da inimizade, da injustiça, das ofensas pessoais.
Se um dia resolver voltar, espero que suas portas por onde entraram tantas delícias de muitas almas de luz, sensíveis, naturais, continuem abertas para novamente abrigar o mesmo coração aberto de esperanças cuja a mudança é necessária.
Uma glória. Uma vitória, um sonho, para quem aprendeu a desejar pouco da vida. Não fujo no meio da noite, não sou desleal com os amigos, com você que cobriu muitas das minhas dores com o teto seguro. Saio num meio de tarde aspirando uma brisa que parece querer me dizer que a desesperança no amanhã nunca é para sempre.
Falei para as calçadas enluaradas, para as caçadas em busca da felicidade. Fiz poemas para as estrelas. Bisbilhotei minha infância. Mandei cartas sem fim para minhas saudades. Clamei para a volta da esperança. Ansiei pela eternidade. Pela felicidade plena.
Escrevi doces recados para os pássaros. Tentei esconder o ontem. Pedi aos céus sinais de luz. Espalhei orações. Fabriquei a fé. Perdi-a nas noites escuras. Recuperei-a ao nascer de muitas alvoradas. Dei vida para muitos cansados telhados. Mandei um beijo interminável para vida. Amei muitas manhãs de chuvas. Apaixonei-me pelo sol poente. Odiei-o por me trazer tantas tristezas.
Enviei carta dura para a morte. Exaltei a vida, o amor com todas as suas ilusões e desilusões. Cobrei do ciúme exagerado uma nova postura. Aconselhei os corações ateus. Tentei abrir a fechadura espiritual de muitas almas. Sonhei ser santa. Sofri ao ver tantos indigentes deixando suas moribundas digitais em tantas portas que não se abriam.
Rasguei o ventre da terra. Vi muitos meninos desnudos brincando de nada. Inventei e reinventei sonhos. Copiei as esperanças alheias. Brindei bebendo pingos de luar, gotas de orvalho. Com a revolta que irrompe da injustiça, critiquei o Pai Noel por injuriar os sonhos dourados de muitas crianças pobres, por prometer e não cumprir. Senti como são longas e ingratas as asas do tempo.
Castiguei os corações desgovernados. Falei para a razão e a emoção. Pedi explicações sobre a diferença de amor e saudade. Ouvi no começo da primavera o primeiro canto de um sabiá. Escrevi uma grande carta para os múltiplos encantamentos da vida. Supliquei para a esperança acelerar seus passos. Senti como somos indiferentes com a dor que mora ao nosso lado. Vi que as cidades são grandes teatros de mentiras e assim mesmo, numa insensatez da minha alma, ansiei ser cidade quando espiava, um dia, meu particular horizonte de saudades.
Espalhei tantas cartas pelas ruas escuras. Muitas os ventos as levaram. Outras o tempo as escondeu, tantas a vida as reescreveu. Um dia resolvi sair pelas calçadas, pelas esquinas, pelas praças, recolhendo, sob a luz das estrelas ou sob a luz do sol ardente, retalhos de cada uma delas que pudessem contar um pedaço da minha vida que, mesmo andando entre a tristeza e a felicidade, é esperança que não cessa, é amor que não se acaba.
Entendi que a vida é feita de momentos, de pedaços, de sonhos que nascem no coração e acordam nos parapeitos das janelas. Muitos ficam, empoeirados nas prateleiras da alma, outros viram realidade e constroem, mesmo entre o riso e o pranto, um livro, que o danado do tempo jamais conseguirá fazer cair no esquecimento humano e para sempre ficará guardado Hoje sou sonho completo. Sou lábios que agradecem a Deus as bondades que me ofertou. Sou grata aos amigos que aqui garimpei. Sou grata a Você, por ter me permitido ser páginas escritas com os olhos da alma desse livro da minha vida. Não sei por quanto tempo ficarei ausente dessas “férias” forçadas. A vida e o tempo são meus donos. Talvez, se um dia voltar, e, se assim me for permitido, muita coisa tenha mudado, muitas vitórias tenham sido conquistadas, afinal, não se abre, impunemente, ao sopro dos ventos, uma mão carregada de pó de ouro.
Faz um ano e meio que estou no aqui onde fui acolhido com muitas mãos de flores, com muitas línguas perfumadas, com doces olhares de bondade. Mais também tive um ardo caminho durante esse tempo A vida ensinou-me a não tomar decisões precipitadas, ingratas. Achei, por isso, que seria mais prudente tirar umas "férias", um projeto cultural profundamente bem elaborado, mas, cujas janelas, ultimamente, por onde entrava o sol ardente da liberdade estão sendo decoradas com cortinas pintadas com a cor do luto da inimizade, da injustiça, das ofensas pessoais.
Se um dia resolver voltar, espero que suas portas por onde entraram tantas delícias de muitas almas de luz, sensíveis, naturais, continuem abertas para novamente abrigar o mesmo coração aberto de esperanças cuja a mudança é necessária.
Uma glória. Uma vitória, um sonho, para quem aprendeu a desejar pouco da vida. Não fujo no meio da noite, não sou desleal com os amigos, com você que cobriu muitas das minhas dores com o teto seguro. Saio num meio de tarde aspirando uma brisa que parece querer me dizer que a desesperança no amanhã nunca é para sempre.
Falei para as calçadas enluaradas, para as caçadas em busca da felicidade. Fiz poemas para as estrelas. Bisbilhotei minha infância. Mandei cartas sem fim para minhas saudades. Clamei para a volta da esperança. Ansiei pela eternidade. Pela felicidade plena.
Escrevi doces recados para os pássaros. Tentei esconder o ontem. Pedi aos céus sinais de luz. Espalhei orações. Fabriquei a fé. Perdi-a nas noites escuras. Recuperei-a ao nascer de muitas alvoradas. Dei vida para muitos cansados telhados. Mandei um beijo interminável para vida. Amei muitas manhãs de chuvas. Apaixonei-me pelo sol poente. Odiei-o por me trazer tantas tristezas.
Enviei carta dura para a morte. Exaltei a vida, o amor com todas as suas ilusões e desilusões. Cobrei do ciúme exagerado uma nova postura. Aconselhei os corações ateus. Tentei abrir a fechadura espiritual de muitas almas. Sonhei ser santa. Sofri ao ver tantos indigentes deixando suas moribundas digitais em tantas portas que não se abriam.
Rasguei o ventre da terra. Vi muitos meninos desnudos brincando de nada. Inventei e reinventei sonhos. Copiei as esperanças alheias. Brindei bebendo pingos de luar, gotas de orvalho. Com a revolta que irrompe da injustiça, critiquei o Pai Noel por injuriar os sonhos dourados de muitas crianças pobres, por prometer e não cumprir. Senti como são longas e ingratas as asas do tempo.
Castiguei os corações desgovernados. Falei para a razão e a emoção. Pedi explicações sobre a diferença de amor e saudade. Ouvi no começo da primavera o primeiro canto de um sabiá. Escrevi uma grande carta para os múltiplos encantamentos da vida. Supliquei para a esperança acelerar seus passos. Senti como somos indiferentes com a dor que mora ao nosso lado. Vi que as cidades são grandes teatros de mentiras e assim mesmo, numa insensatez da minha alma, ansiei ser cidade quando espiava, um dia, meu particular horizonte de saudades.
Espalhei tantas cartas pelas ruas escuras. Muitas os ventos as levaram. Outras o tempo as escondeu, tantas a vida as reescreveu. Um dia resolvi sair pelas calçadas, pelas esquinas, pelas praças, recolhendo, sob a luz das estrelas ou sob a luz do sol ardente, retalhos de cada uma delas que pudessem contar um pedaço da minha vida que, mesmo andando entre a tristeza e a felicidade, é esperança que não cessa, é amor que não se acaba.
Entendi que a vida é feita de momentos, de pedaços, de sonhos que nascem no coração e acordam nos parapeitos das janelas. Muitos ficam, empoeirados nas prateleiras da alma, outros viram realidade e constroem, mesmo entre o riso e o pranto, um livro, que o danado do tempo jamais conseguirá fazer cair no esquecimento humano e para sempre ficará guardado Hoje sou sonho completo. Sou lábios que agradecem a Deus as bondades que me ofertou. Sou grata aos amigos que aqui garimpei. Sou grata a Você, por ter me permitido ser páginas escritas com os olhos da alma desse livro da minha vida. Não sei por quanto tempo ficarei ausente dessas “férias” forçadas. A vida e o tempo são meus donos. Talvez, se um dia voltar, e, se assim me for permitido, muita coisa tenha mudado, muitas vitórias tenham sido conquistadas, afinal, não se abre, impunemente, ao sopro dos ventos, uma mão carregada de pó de ouro.
quarta-feira, 24 de novembro de 2010
Nasci Cedo.
Quem nasce cedo,
Aprende que a vida não é um mar de rosas não!
Quem nasce cedo,
Cedo colhe aquilo que plantou.
Quem queima os dedos,
Logo aprende a não brincar com fogo.
Quem lambe os dedos,
Morde os beiços de admiração.
Quem me dá sossego,
Também tira meu sossego!
Quem tem meu tempo,
Também invade o meu sono.
Quem vê meus medos,
Sabe que eu nasci cedo!
E quem têm minha verdade,
Sabe que na verdade eu queria estar com você.
Você estando bem
Está tudo bem!
Quem nasce cedo,
Paga pelos seus erros.
Quem teme o tempo,
Teme o passar do tempo.
Quem veio cedo,
Veio pra passar o tempo.
De quem têm medo
O medo passa com o vento. . .
Mas vamos tentar
vamos ficar separados
quem sabe a vida inteira.
talvez alguns minutos,
pois muito além do que gostar de mim
é ter confiança no que sou e se você contribuir ..
Que seja bom para nós dois !
Aprende que a vida não é um mar de rosas não!
Quem nasce cedo,
Cedo colhe aquilo que plantou.
Quem queima os dedos,
Logo aprende a não brincar com fogo.
Quem lambe os dedos,
Morde os beiços de admiração.
Quem me dá sossego,
Também tira meu sossego!
Quem tem meu tempo,
Também invade o meu sono.
Quem vê meus medos,
Sabe que eu nasci cedo!
E quem têm minha verdade,
Sabe que na verdade eu queria estar com você.
Você estando bem
Está tudo bem!
Quem nasce cedo,
Paga pelos seus erros.
Quem teme o tempo,
Teme o passar do tempo.
Quem veio cedo,
Veio pra passar o tempo.
De quem têm medo
O medo passa com o vento. . .
Mas vamos tentar
vamos ficar separados
quem sabe a vida inteira.
talvez alguns minutos,
pois muito além do que gostar de mim
é ter confiança no que sou e se você contribuir ..
Que seja bom para nós dois !
sábado, 13 de novembro de 2010
É Isso ...
Essa chuva foi um sim para tudo que eu estava pensando ontem à noite, para todas às lágrimas que até então controlei e que agora já não consigo mais. Essas poucas horas que se passou de ontem até hoje não me fizeram ter vontade de NÃO chorar, só em chorar,chorar aquele choro da alma, aquele que em tanto momentos eu precisei e não o fiz. E só agora depois de duas horas de sono, aqui estou eu, preparada pra chorar pela PRIMEIRA VEZ por estar triste, por estar com raiva de mim, eu não choro por ódio, nenhuma lágrimas dessas que agora escorrem são ódio. São apenas tristeza por eu sentir ódio por não conseguir. Desde que eu cheguei neste lugar sabia que se eu quisesse viver bem, para o bem, eu precisaria de paciência, aquela Patience do Guns n' Roses mesmo. Primeiro eu não a tive, depois eu a tive demais, hoje eu vejo ela fugindo de mim, eu pareço estar acenando pra ela. Como quem diz '- vá!' Eu entrei nesse jogo achando que saberia jogar, que dessa vez eu seria esperta, que DESSA VEZ eu não precisaria estar chorando. Eu realmente entrei no jogo sabendo jogar, eu joguei muito bem no inicio, mas com um jogo desse tão distante do final, realmente eu deveria me preocupar, eu deveria ter acreditado que seria difícil. Mas aí, eu sempre acho que sei tudo,que tô sempre no comando, magina EU sei o que tô fazendo .. doce engano, não sei nada. Então, você percebe que andou demais, olha para trás, e não dá para voltar, mais precisa voltar. E olho para frente e a estrada que continua se transformando em curvas sinuosas, cheias de pequenas estradas que te levaram a um novo rumo, uma nova direção. Essas pequenas estradas são de terra, algumas esburacadas, algumas belas com flores e até dá vontade de passar, de pegar, de sentir.Mais é seguro!? O que seria mais seguro cair em um barranco de vez ou caminhar entre flores com medo de encontrar espinhos !? Eu não contava que me perderia dessa forma. Sabe muito de mim, mas do que qualquer um sabe, e entende muito bem as coisas da forma das quais eu coloco. Não quero que NINGUÉM me faça perguntas sobre este texto, conclua o que quiser, eu apenas preciso escrever.Mais eu não quero ter que reproduzi-lo em um diálogo. O poder de uma frase é incrível, uma frase que pode ser inofensiva,e se torna sua vilã em menos de algumas horas quando falada. Mais FODA-SE, eu tinha que estar preparada pra isso! Não se preparou porque é uma besta, que ficar acreditando que o céu é sempre branco de chuva e que pelo menos uma vez por semana os raios iluminaram o céu, bem feito! Esse aqui é o meu ódio. Eu quero me distrair, não com essas palavras, mas foi algo sobre distrair-se que causou isso. Você estalou os dedos pra mim, para que talvez eu acordasse. Eu ainda não acordei. Eu não procurei distração, porque quando algo te faz feliz todos aqueles espaços são preenchidos, como você poderá alugá-lo para outra pessoa. Se eu me distrair será platônico, não da minha parte, da outra. Você me soltou como um pai solta o filho ao caminhar, como uma criança solta o balão, e ele voa. Nesse caso a criança chora. Eu ainda sinto a tua mão querendo pegar na minha, eu ainda sinto tudo o que deveria sentir. Eu passo quieta por você, você passa quieto por mim, e eu ainda escuto o barulho que agente faz !. Me dê uma distração, afinal, uma hora todos devem se distrair não é? Inclusive você. Quando você olha para o céu esperando que uma estrela caia, ela nunca cairá, você apenas vai se frustrar. Eu sempre olho pro céu esperando que uma caia pra então fazer um pedido. e quando você a procura ela nunca aparece, mas de repente você está distraido e você olha o céu, e lá está ela caindo, e você faz um pedido . Esse sentimento transformou-se em algo religioso o meu querer. Algo que me fez acreditar muito, pensar menos na realidade. Eu estou ainda com os pés no chão, os olhos no céu e ainda fico sonhando TODOS os planos. Mas vamos viver, vamos viver. Mas não, por favor, não me obrigue a acordar. Não dessa maneira. Fim !
- me pergunto sempre se você não teceu em volta de mim uma porção de coisas irreais.
e a resposta, sempre a mesma.
- me pergunto sempre se você não teceu em volta de mim uma porção de coisas irreais.
e a resposta, sempre a mesma.
quinta-feira, 11 de novembro de 2010
Cadê !?
Amanheci em cólera. Não, não, o mundo não me agrada. A maiorias das pessoas estão mortas e não sabem, ou estão vivas com charlatanismo. E o amor, em vez de dar, exige. E quem gosta de nós quer que sejamos alguma coisa de que eles precisam. Mentir dá remorso. E não mentir é um dom que o mundo não merece !
Queria saber onde estão aquelas pessoas de verdade, que a gente não compra mas também não vive sem. Aquele amigo que mudou para o outro lado do mundo mas você não pensa duas vezes antes de pegar o carro, o ônibus ou o avião e fazer uma visita. Só olhar para ele, sentar ao lado, ouvir a voz, faz tudo ficar mais feliz.
Algumas pessoas simplesmente valem a pena.
Queria saber onde é que está aquele tipo de namorado que você não veste para se exibir mas despe para provar só pra si mesmo o quanto é feliz. Que você não desfila ao lado, mas leva dentro do peito.
Que você não compra, consome, negocia ou contrabandeia. Mas se surpreende quando ganha de presente da vida.
Aquele tipo que você não usa para ser alguém e justamente por isso acaba sendo uma pessoa muito melhor.
Não culpo pessoas, lugares e sentimentos que se vendem e muito menos me culpo por viver pra cima e pra baixo com minha sacolinha de degustações frugais. É o nosso mundo moderno cheio de tecnologias e vazio de profundidades.
Mas hoje, só por hoje, vou sair de casa sem minha bolsa. Vamos ver se acabo conhecendo alguém impagável.
*LONGE DE TODA A NEGATIVIDADE DESSE MUNDO SUJO !
Queria saber onde estão aquelas pessoas de verdade, que a gente não compra mas também não vive sem. Aquele amigo que mudou para o outro lado do mundo mas você não pensa duas vezes antes de pegar o carro, o ônibus ou o avião e fazer uma visita. Só olhar para ele, sentar ao lado, ouvir a voz, faz tudo ficar mais feliz.
Algumas pessoas simplesmente valem a pena.
Queria saber onde é que está aquele tipo de namorado que você não veste para se exibir mas despe para provar só pra si mesmo o quanto é feliz. Que você não desfila ao lado, mas leva dentro do peito.
Que você não compra, consome, negocia ou contrabandeia. Mas se surpreende quando ganha de presente da vida.
Aquele tipo que você não usa para ser alguém e justamente por isso acaba sendo uma pessoa muito melhor.
Não culpo pessoas, lugares e sentimentos que se vendem e muito menos me culpo por viver pra cima e pra baixo com minha sacolinha de degustações frugais. É o nosso mundo moderno cheio de tecnologias e vazio de profundidades.
Mas hoje, só por hoje, vou sair de casa sem minha bolsa. Vamos ver se acabo conhecendo alguém impagável.
*LONGE DE TODA A NEGATIVIDADE DESSE MUNDO SUJO !
sexta-feira, 5 de novembro de 2010
É a Hora.
Me recordei de todas as pessoas e coisas que perdi por ainda não estar preparada para elas, ou por ainda ter muita curiosidade de mundo e dificuldade em ser permanente.
Minha fome é sobrevivência, minha vontade é mecânica, minha beleza é esforço, meu brilho é choro, meus dias são pontes para os dias de verdade que virão quando essa dor acabar, meus segundos são sentidos em milésimos de segundos, o tempo simplesmente não passa !
Entre idas e vindas me resumo feliz. Entre altos e baixos me resumo equilibrada. Sendo assim, tá na cara e não tem pane: Ando meio mal, mas vou sair dessa.
Atiram a gente nesse mundo, nosso coração sente um monte de coisa desordenada, nosso cérebro pensa um monte de absurdo. E a gente ainda precisa ser superequilibrada para ganhar alguma coisa da vida. Como se só por estar aqui, aturando tanta maluquice, a gente já não devesse ganhar aí um desconto para também ser louco de vez em quando.
Dessa vez tudo vai ser a meu modo, seja ele do modo mais louco ou mais consciente vai ser a MEU modo.
Sinto a vibração contagiante da MUDANÇA, e isso me deixa mais tranqüila.
Minha fome é sobrevivência, minha vontade é mecânica, minha beleza é esforço, meu brilho é choro, meus dias são pontes para os dias de verdade que virão quando essa dor acabar, meus segundos são sentidos em milésimos de segundos, o tempo simplesmente não passa !
Entre idas e vindas me resumo feliz. Entre altos e baixos me resumo equilibrada. Sendo assim, tá na cara e não tem pane: Ando meio mal, mas vou sair dessa.
Atiram a gente nesse mundo, nosso coração sente um monte de coisa desordenada, nosso cérebro pensa um monte de absurdo. E a gente ainda precisa ser superequilibrada para ganhar alguma coisa da vida. Como se só por estar aqui, aturando tanta maluquice, a gente já não devesse ganhar aí um desconto para também ser louco de vez em quando.
Dessa vez tudo vai ser a meu modo, seja ele do modo mais louco ou mais consciente vai ser a MEU modo.
Sinto a vibração contagiante da MUDANÇA, e isso me deixa mais tranqüila.
domingo, 31 de outubro de 2010
Confusão !
Eu quero ir embora e não esperar o dia seguinte. Porque cansei dessa gente que manda ter mais calma. E me diz que sempre tem outro dia que sempre tem o mês seguinte ou o ano que vem. E me diz que eu não posso esperar nada da vida[Porque ela Não espera mais nada de mim]. E me diz que eu preciso de uma camisa de força. Mais idaí se eu sofrer a loucura que é estar vivo. Se pudesse passaria a noite em claro de tanta vontade de viver esse dia sem esperar o outro, até colocaria a camisa de força me enroscando nesse corpo que com forças loucas me tragam algum equilíbrio.É uma grande mentira viver sozinho, permita-se. Eu só queria alguém pra vencer comigo esses dias terrivelmente chatos.
Eu jamais serei o que eu quero e jamais serei o que eu sou sem precisar disfarçar que quase sou o que eu quero. E cada hora eu quero uma coisa. E no fundo eu não quero Porra nenhuma !
Milhares de pessoas nascem e morrem, milhares de relacionamentos começam e terminam, um objeto que quebra, a garrafa de café quase vazia, uma amizade de anos que já não era a mesma.. Tudo, do simples ao inabalável,tudo chega ao fim. E há milhares de finais acontecendo todo dia.
Eu te amo' virou uma frase tão romântica quanto 'me passa o açúcar'. Eu não quero promessas. Promessas criam expectativas e expectativas borram maquiagens e comprimem estômagos. Gente, ta na hora da gente ser muito feliz. Primeiro porque somos de verdade, depois porque somos filhos de Deus e, pra terminar, porque existe escova progressiva!
Estar sempre insatisfeito, na verdade, é o que faz a gente nunca desistir de seguir em frente e quem sabe um dia se encontrar nesse mundo. Mas a solidão dói e eu sigo inventando personagens. Odeio minha fraqueza em me enganar. Eu invento amor, sim e dói admitir isso. Mas é que não agüento mais não dar um rosto para a minha saudade. É tudo pela metade, ao menos a minha fantasia é por inteiro.. enquanto dura. No final bruto, seco e silencioso é sempre isso mesmo, eu aqui meio querendo chorar, meio querendo mentir sobre a vida até acreditar. E aí eu deito e penso em coisas bonitinhas. E quando vou ver, já dormi.
Deus me proteja de mim, e da maldade de gente boa e da bondade de gente ruim.
Eu jamais serei o que eu quero e jamais serei o que eu sou sem precisar disfarçar que quase sou o que eu quero. E cada hora eu quero uma coisa. E no fundo eu não quero Porra nenhuma !
Milhares de pessoas nascem e morrem, milhares de relacionamentos começam e terminam, um objeto que quebra, a garrafa de café quase vazia, uma amizade de anos que já não era a mesma.. Tudo, do simples ao inabalável,tudo chega ao fim. E há milhares de finais acontecendo todo dia.
Eu te amo' virou uma frase tão romântica quanto 'me passa o açúcar'. Eu não quero promessas. Promessas criam expectativas e expectativas borram maquiagens e comprimem estômagos. Gente, ta na hora da gente ser muito feliz. Primeiro porque somos de verdade, depois porque somos filhos de Deus e, pra terminar, porque existe escova progressiva!
Estar sempre insatisfeito, na verdade, é o que faz a gente nunca desistir de seguir em frente e quem sabe um dia se encontrar nesse mundo. Mas a solidão dói e eu sigo inventando personagens. Odeio minha fraqueza em me enganar. Eu invento amor, sim e dói admitir isso. Mas é que não agüento mais não dar um rosto para a minha saudade. É tudo pela metade, ao menos a minha fantasia é por inteiro.. enquanto dura. No final bruto, seco e silencioso é sempre isso mesmo, eu aqui meio querendo chorar, meio querendo mentir sobre a vida até acreditar. E aí eu deito e penso em coisas bonitinhas. E quando vou ver, já dormi.
Deus me proteja de mim, e da maldade de gente boa e da bondade de gente ruim.
domingo, 24 de outubro de 2010
Diga Não Aos Covardes !
Intenções soltas e desejos desconexos. Esse mistério todo é uma violência contra a minha inteligência. Sejamos diretos para não sermos idiotas: Eu Te quero!?. Você me quer!? Tem duvida? Ah, então vá pra puta que te pariu. [E vá ser vago na casa da sua mãe !]
Seja inteligente, faça jus à espécie, seja Sapiens. Perceba o sinal verde, ultrapasse.
Eu não sou morna e, se você não quiser se queimar, morra na temperatura do vômito. E bem longe de mim.
Eu ainda quero muito. Quero as três da manhã de um sábado e não as cinco da tarde de uma quarta. Vamos viver uma história de verdade ou vou ter que te mandar pastar com outras vaquinhas?
A sorte é sua de estar ao meu lado hoje, ontem, semana passada.
Amanhã não sei mais das minhas prioridades: posso querer dormir com pijama de criança até meio-dia, pagar 500 reais numa saia amarela, comer uma trufa na Cacau Show ou quem sabe dar um soco na vaca que você insiste em olhar.
É assim que vivo, masturbando minha mente de sonhos para tentar sugar alguma realização. É assim que vivo: me fodendo.
Calma, raciocínio e estratégia são dons da força que pára para racionalizar. Força que é força não pára, não tem intervalo, atropela.
Não caio na mesma vala de quem empurra a vida porque ela me empurra. Ela faz com que eu me jogue em cima de você, nem que seja para te espantar.
Melhor te ver correndo pra longe do que empacado em minha vida !
Seja inteligente, faça jus à espécie, seja Sapiens. Perceba o sinal verde, ultrapasse.
Eu não sou morna e, se você não quiser se queimar, morra na temperatura do vômito. E bem longe de mim.
Eu ainda quero muito. Quero as três da manhã de um sábado e não as cinco da tarde de uma quarta. Vamos viver uma história de verdade ou vou ter que te mandar pastar com outras vaquinhas?
A sorte é sua de estar ao meu lado hoje, ontem, semana passada.
Amanhã não sei mais das minhas prioridades: posso querer dormir com pijama de criança até meio-dia, pagar 500 reais numa saia amarela, comer uma trufa na Cacau Show ou quem sabe dar um soco na vaca que você insiste em olhar.
É assim que vivo, masturbando minha mente de sonhos para tentar sugar alguma realização. É assim que vivo: me fodendo.
Calma, raciocínio e estratégia são dons da força que pára para racionalizar. Força que é força não pára, não tem intervalo, atropela.
Não caio na mesma vala de quem empurra a vida porque ela me empurra. Ela faz com que eu me jogue em cima de você, nem que seja para te espantar.
Melhor te ver correndo pra longe do que empacado em minha vida !
sexta-feira, 22 de outubro de 2010
Obrigada.
Ele é um super-homem quando a gente precisa e uma criancinha fofa quando a gente também precisa. Ele pára o mundo todo, se ajoelha no sofá deixando as mãos no meu colo: “Você é Linda.” Seus olhos quase se enchem de lágrima, a música se torna instrumental matando qualquer outra palavra, a cidade não respira, o tempo não existe, a solidão é coisa de gente que mora muito longe dali, minha mente aquieta todos os monstros, as mulheres lindas nas capas das revistas são empilhadas descartavelmente e viram nada, a poluição vira oxigênio puro e cor-de-rosa, Num ímpeto de tesão, ou talvez após um trabalho de consciência confusa que, por preguiça, acabava se decidindo impulsivamente. O outro homem que é dono sem merecer do meu corpo magoado explode no ar deixando apenas estrelas para iluminar meu recomeço, as dúvidas todas do que fazer pelos próximos mil anos se simplificam porque eu só desejo viver aquele momento, sim, sim, sim, eu quero zerar tudo de antes e de depois e amar esse homem agora, como antes, como nunca. Por que não? Eu realmente queria tudo aquilo, queria sim. Queria como a manhã pede o sol, como o mar pede o azul, como as arvores pedem a brisa suave de um fim de tarde, como eu peço a Lua todas as noites! E era assim suave, breve, confiante. Mais não, não era tão facil assim e talvez nunca será, porque sempre serei o lado mais racional de tudo e isso acaba comigo, acaba com meus sonhos, meus planos, meus sentimentos e por fim acaba com minha segurança. É assim que a gente faz com a nossa própria existência: não entendemos nada, mas continuamos insistindo!
quinta-feira, 14 de outubro de 2010
Saca Rolha, Please !
Estou cheia do azedo que percorre meu fígado e me enche de medo de vazar, de repente, num fim de tarde, numa certeza qualquer de uma roupa branca e equilibrada, numa alegria despretensiosa, numa felicidade sem cérebro, num silêncio mais cansado do que desejado.
Até a borda de mim. Entupida de tudo o que, passiva em ser, apenas sou. Olhos inchados, boca cheia, coração apertando o peito, língua encharcada, a vida latejando e o corpo pesado demais para voar.
Estou cheia de mim e de tudo que se relaciona ao assunto. Cheia da incapacidade em estacionar em um plano, em enquadrar um sonho feito uma borboleta morta, em continuar acreditando no que acreditei até a morte, em ter paz longe das arestas acolchoadas que criei durante toda uma vida de expectativas assustadas.
Sou filha, mãe e escrava do caos, dele me tiro, sem ele não existo. Estou cheia do caos, mas tenho horror ao equilíbrio. Confiro minhas listas compulsivamente, buscando um pouco de linha reta para que eu possa deitar e esquecer das contorções que me apertam até que eu pingue no mundo.
Sou um trapo sujo que lavo e contorço todos os segundos, mas não o tanto que deveria por falta de força, preguiça e vontade de borrar a existência ao lado. Eu preciso ganhar um sopro de vida em qualquer outra vida, para me enxergar além do espelho construído e imposto. Eu preciso me ver responsável por uma palidez matinal, uma pontada no intestino inflamado, uma trepada no azulejo do chuveiro, uma parte suave e instrumental de uma música, um cheiro de podre e solidão na madrugada sem preenchimentos.
Existo apenas para causar, e juro que amo essa palavra “causar” além da gíria que ela sugere. Existo apenas para mim mesma, o tempo todo, como nos contos do Hermann Hesse, tenho nojo e pânico de grupos que se acolhem para que se aceitar não seja um trabalho tão penoso e se sentir possa tranqüilamente ser vazio.
Estou vazando de tanto que me encho de mim, mas tenho muito medo que alguém que não mereça minha intimidade cate pelos cantos assustadores do mundo as minhas tripas. Tenho muito medo que as pessoas sem profundidade conheçam a minha, e mais medo ainda de que a profundidade do mundo me cuspa. Sou uma sem-terra porque desprezo o superficial, mas dói demais ser intensa o tempo todo, e preciso fazer luzes, compras e sexo casual.
Cheia dos meus preconceitos, da vontade que tenho dar um soco bem no meio da fuça de todo mundo que faz beiço para insinuar sexualidade, de todo mundo que se enfia num terno para insinuar vitória, de todo mundo que se enfia atrás de uma mesa para insinuar vida, de todo mundo que se enfia atrás de uma garrafa para insinuar alegria, de todo mundo que se enfia num bando para insinuar existência, de todo mundo que se esquece no Sol para insinuar luz.
Até o topo, até o céu, atolada, tô por aqui comigo. Cansada do meu vício de organizar tudo o que sou e de não deixar espaço para o novo, para o que eu poderia ser, para o que eu nem sei que é.
Queria agora que uma asa rasgasse as minhas costas porque, mais do que sentir a dor da liberdade, preciso não ter ninguém, nem nome, nem realidade e nem casa. Preciso enxergar e sobrevoar o mundo sem ser eu, para que ser eu não seja este mundo tão pequeno e apavorado. Preciso ser qualquer coisa que eu não saiba.
Quero me chacoalhar e implodir essa rolha que me prende em mim, Essa Sociedade hipocrita Que Sempre Acaba Nos Dominando e Nos Limitanto !
Até a borda de mim. Entupida de tudo o que, passiva em ser, apenas sou. Olhos inchados, boca cheia, coração apertando o peito, língua encharcada, a vida latejando e o corpo pesado demais para voar.
Estou cheia de mim e de tudo que se relaciona ao assunto. Cheia da incapacidade em estacionar em um plano, em enquadrar um sonho feito uma borboleta morta, em continuar acreditando no que acreditei até a morte, em ter paz longe das arestas acolchoadas que criei durante toda uma vida de expectativas assustadas.
Sou filha, mãe e escrava do caos, dele me tiro, sem ele não existo. Estou cheia do caos, mas tenho horror ao equilíbrio. Confiro minhas listas compulsivamente, buscando um pouco de linha reta para que eu possa deitar e esquecer das contorções que me apertam até que eu pingue no mundo.
Sou um trapo sujo que lavo e contorço todos os segundos, mas não o tanto que deveria por falta de força, preguiça e vontade de borrar a existência ao lado. Eu preciso ganhar um sopro de vida em qualquer outra vida, para me enxergar além do espelho construído e imposto. Eu preciso me ver responsável por uma palidez matinal, uma pontada no intestino inflamado, uma trepada no azulejo do chuveiro, uma parte suave e instrumental de uma música, um cheiro de podre e solidão na madrugada sem preenchimentos.
Existo apenas para causar, e juro que amo essa palavra “causar” além da gíria que ela sugere. Existo apenas para mim mesma, o tempo todo, como nos contos do Hermann Hesse, tenho nojo e pânico de grupos que se acolhem para que se aceitar não seja um trabalho tão penoso e se sentir possa tranqüilamente ser vazio.
Estou vazando de tanto que me encho de mim, mas tenho muito medo que alguém que não mereça minha intimidade cate pelos cantos assustadores do mundo as minhas tripas. Tenho muito medo que as pessoas sem profundidade conheçam a minha, e mais medo ainda de que a profundidade do mundo me cuspa. Sou uma sem-terra porque desprezo o superficial, mas dói demais ser intensa o tempo todo, e preciso fazer luzes, compras e sexo casual.
Cheia dos meus preconceitos, da vontade que tenho dar um soco bem no meio da fuça de todo mundo que faz beiço para insinuar sexualidade, de todo mundo que se enfia num terno para insinuar vitória, de todo mundo que se enfia atrás de uma mesa para insinuar vida, de todo mundo que se enfia atrás de uma garrafa para insinuar alegria, de todo mundo que se enfia num bando para insinuar existência, de todo mundo que se esquece no Sol para insinuar luz.
Até o topo, até o céu, atolada, tô por aqui comigo. Cansada do meu vício de organizar tudo o que sou e de não deixar espaço para o novo, para o que eu poderia ser, para o que eu nem sei que é.
Queria agora que uma asa rasgasse as minhas costas porque, mais do que sentir a dor da liberdade, preciso não ter ninguém, nem nome, nem realidade e nem casa. Preciso enxergar e sobrevoar o mundo sem ser eu, para que ser eu não seja este mundo tão pequeno e apavorado. Preciso ser qualquer coisa que eu não saiba.
Quero me chacoalhar e implodir essa rolha que me prende em mim, Essa Sociedade hipocrita Que Sempre Acaba Nos Dominando e Nos Limitanto !
sexta-feira, 8 de outubro de 2010
Saudadinhaa
Ainda que eu esteja numa fase bacana e sem nós no peito (o que por um lado é ruim pois a paz sempre me dá alguns quilinhos a mais e alguns textos a menos), resolvi embarcar num momento nostalgia.
Não sei se é o Clima. Não sei se é porque agora, nesse exato momento, estou ouvindo “I know it’s over”, do Smiths, e tomando um Sorvete Com Coca-Cola (Que Eu Sempre Detesteeei). Só sei que o Dia está pedindo e resolvi fazer uma sessão nostalgia.
Acho normal. Acho perfeitamente normal lembrar com carinho que você sempre dava um jeito de me mandar mensagens em datas festivas. Estivesse você casado ou namorando ou ilhado num templo budista, dava um jeito. Era como se dissesse, sem dizer “eu sei que já faz tempo, mas ainda amo você”.
Também me faz bem lembrar que você nunca, nunca, nunca se alterava. Trouxesse o garçom o pedido errado pela terceira vez ou fizesse um playboy qualquer uma tremenda barbeiragem em cima do seu carro. Você nunca estragava nossas noites. Eram tão 'nossos' os nossos momentos, você dizia, que eram para ser sempre bons. E de fato sempre eram.
Eu tenho saudade de mil coisas e todas essas mil coisas sempre caem na mesma única coisa de que eu tenho tanta saudade: sua leveza. Você me dizia que jamais iria me cobrar leveza, pois me amava intensa. E me pedia que fizesse exatamente o mesmo, ainda que ao contrário, por você. E eu não obedecia nunca, afinal, pessoas intensas não obedecem.
E assim nós seguimos, por alguns bons anos entrecortados, sendo tão parecidos ainda que tão atraídos mutuamente pelos nossos opostos. A gente era parecido principalmente porque topava as coisas mais malucas como, por exemplo, brincar que tinha acabado de se conhecer numa festa, ainda que tivesse ido junto para a festa. E por horas ficávamos nessa bobeira e nenhum dos dois ria. Até que alguém pedia, cansado, “já pode voltar ao normal? É que está me dando vontade de transar e eu não transo com desconhecidos”.
Eu tenho saudades de tudo. Da gente acordar sua vizinha de tanto rir de coisas bestas, do seu carro sempre bagunçado, da paciência que você tinha com meus quase quinze anos a menos, da mania que você tinha de arrumar minhas roupas em cima da cama enquanto eu tomava banho e de quando você apertava os ossinhos das minhas costas no escuro e falava, baixinho: “ai, como essa menina gosta de fazer drama!”.
Não é um sentimento egoísta e muito menos possessivo. É apenas uma saudadezinha. Gostosa, tranqüila, bonita, saudável, de longe. E, quem diria: leve.
Não sei se é o Clima. Não sei se é porque agora, nesse exato momento, estou ouvindo “I know it’s over”, do Smiths, e tomando um Sorvete Com Coca-Cola (Que Eu Sempre Detesteeei). Só sei que o Dia está pedindo e resolvi fazer uma sessão nostalgia.
Acho normal. Acho perfeitamente normal lembrar com carinho que você sempre dava um jeito de me mandar mensagens em datas festivas. Estivesse você casado ou namorando ou ilhado num templo budista, dava um jeito. Era como se dissesse, sem dizer “eu sei que já faz tempo, mas ainda amo você”.
Também me faz bem lembrar que você nunca, nunca, nunca se alterava. Trouxesse o garçom o pedido errado pela terceira vez ou fizesse um playboy qualquer uma tremenda barbeiragem em cima do seu carro. Você nunca estragava nossas noites. Eram tão 'nossos' os nossos momentos, você dizia, que eram para ser sempre bons. E de fato sempre eram.
Eu tenho saudade de mil coisas e todas essas mil coisas sempre caem na mesma única coisa de que eu tenho tanta saudade: sua leveza. Você me dizia que jamais iria me cobrar leveza, pois me amava intensa. E me pedia que fizesse exatamente o mesmo, ainda que ao contrário, por você. E eu não obedecia nunca, afinal, pessoas intensas não obedecem.
E assim nós seguimos, por alguns bons anos entrecortados, sendo tão parecidos ainda que tão atraídos mutuamente pelos nossos opostos. A gente era parecido principalmente porque topava as coisas mais malucas como, por exemplo, brincar que tinha acabado de se conhecer numa festa, ainda que tivesse ido junto para a festa. E por horas ficávamos nessa bobeira e nenhum dos dois ria. Até que alguém pedia, cansado, “já pode voltar ao normal? É que está me dando vontade de transar e eu não transo com desconhecidos”.
Eu tenho saudades de tudo. Da gente acordar sua vizinha de tanto rir de coisas bestas, do seu carro sempre bagunçado, da paciência que você tinha com meus quase quinze anos a menos, da mania que você tinha de arrumar minhas roupas em cima da cama enquanto eu tomava banho e de quando você apertava os ossinhos das minhas costas no escuro e falava, baixinho: “ai, como essa menina gosta de fazer drama!”.
Não é um sentimento egoísta e muito menos possessivo. É apenas uma saudadezinha. Gostosa, tranqüila, bonita, saudável, de longe. E, quem diria: leve.
segunda-feira, 4 de outubro de 2010
Chega de Realidade
Acordo sem sono e com a maior disposição. Tomo café da manhã com tempo e uma infinidades de pães, queijos e sucos. Moro de frente para o mar num vilarejo italiano bem tranqüilo onde se vende frutas em todas as esquinas, mas assim que eu entro no meu BMW dirigido por Clive Owen (meu motorista), eu chego em cinco minutos na Vila Madalena, onde tenho uma livraria com café.
Meu livro ainda está entre os mais vendidos, a quiche de alho-poró ainda é a preferido dos intelectuais estranhos que me idolatram e a oficina literária que promovo todas as terças e quintas está bombando e traz, nessa semana, Nelson Rodrigues e John Fante, diretamente do céu.
Atrás da minha livraria são só escombros, o restaurante predileto dos publicitários explodiu no último ataque terrorista contra as pessoas que ganham bem demais sem fazer porra nenhuma e matou a maior parte deles, deixando vivo apenas os funcionários da Leo Burnett, local onde meu marido já trabalhou e ganhou dinheiro suficiente para ficar o dia inteiro só fazendo o que gosta.
Lolita, minha pequena dog louca, tomou uma vacina que a fará viver por mais 88 anos e todas as vezes que ela faz cocô, o cocô vira estrelinhas azuis que saem voando pela noite estrelada, e eu nunca mais precisei abaixar e catar toda aquela merda com um saquinho furado.
Tenho ao todo quatro filhos lindos, e nenhum deles nasceu de parto normal, mas também não nasceram de cesárea. Todos nasceram com 75 anjos da guarda que nunca permitem que eles batam a cabeça ou façam amizades erradas. Eles amam salada e Frank Sinatra e jamais pegam gripe.
Minha bunda é redonda e dura, minha sobrancelha enorme e expressiva e quando o Clive pede dispensa para malhar ou assistir a um filme do Truffaut, eu vou trabalhar com o meu Mini Cooper vermelho, ouvindo o noco CD do Elvis, que, obviamente, não morreu.
Sinto orgasmos com uma facilidade ridícula, é encostar em mim que eu já começo a berrar. Meu ex-namorado largou a rolha de poço e resolveu viver única e exclusivamente para me idolatrar, ele tem pôsteres com o meu rosto espalhados pela casa e se arrepende diariamente de ter me enrolado tanto tempo e me perdido de vez. Ele sofre horrorosamente e nenhuma mulher do planeta me substitui, ainda mais se tiver uma bunda gigantesca e um cabelo que, se ela tivesse a coragem de soltar, assustaria até o Iluminado.
Como todos os doces e pães do planeta e meu corpo tem um incrível metabolismo que transforma tudo o que é carboidrato e gordura em proteína, e meus músculos podem ser vistos de longe quando corro de fio dental na areia fofa da praia. Aliás, minha pílula, que sofre a mesma mutação do incrível metabolismo do meu corpo, parou de me dar celulite mas aumenta consideravelmente meus peitos, que ganharam um natural aspecto siliconado.
Todas as pessoas firmas, limitadas e estúpidas com as quais tive que conviver durante um tempo muito longínquo da minha vida, foram transferidas para um lado do planeta onde Mini Coopers vermelhos e moçoilas chiques e famosas não entram.
As festas memoráveis na casa de Vinícius de Moraes nunca começam antes de eu chegar, meu relacionamento é aberto, mas só do meu lado, o dinheiro nunca acaba e serve tanto para eu viajar para Paris quanto para ajudar a Zâmbia. Me apaixono todos os dias mas nunca sofro, olheiras foram banidas da minha vida, meu rosto produz ruge natural e a Paris Hilton tomou laxante e acabou indo junto.
Meu livro ainda está entre os mais vendidos, a quiche de alho-poró ainda é a preferido dos intelectuais estranhos que me idolatram e a oficina literária que promovo todas as terças e quintas está bombando e traz, nessa semana, Nelson Rodrigues e John Fante, diretamente do céu.
Atrás da minha livraria são só escombros, o restaurante predileto dos publicitários explodiu no último ataque terrorista contra as pessoas que ganham bem demais sem fazer porra nenhuma e matou a maior parte deles, deixando vivo apenas os funcionários da Leo Burnett, local onde meu marido já trabalhou e ganhou dinheiro suficiente para ficar o dia inteiro só fazendo o que gosta.
Lolita, minha pequena dog louca, tomou uma vacina que a fará viver por mais 88 anos e todas as vezes que ela faz cocô, o cocô vira estrelinhas azuis que saem voando pela noite estrelada, e eu nunca mais precisei abaixar e catar toda aquela merda com um saquinho furado.
Tenho ao todo quatro filhos lindos, e nenhum deles nasceu de parto normal, mas também não nasceram de cesárea. Todos nasceram com 75 anjos da guarda que nunca permitem que eles batam a cabeça ou façam amizades erradas. Eles amam salada e Frank Sinatra e jamais pegam gripe.
Minha bunda é redonda e dura, minha sobrancelha enorme e expressiva e quando o Clive pede dispensa para malhar ou assistir a um filme do Truffaut, eu vou trabalhar com o meu Mini Cooper vermelho, ouvindo o noco CD do Elvis, que, obviamente, não morreu.
Sinto orgasmos com uma facilidade ridícula, é encostar em mim que eu já começo a berrar. Meu ex-namorado largou a rolha de poço e resolveu viver única e exclusivamente para me idolatrar, ele tem pôsteres com o meu rosto espalhados pela casa e se arrepende diariamente de ter me enrolado tanto tempo e me perdido de vez. Ele sofre horrorosamente e nenhuma mulher do planeta me substitui, ainda mais se tiver uma bunda gigantesca e um cabelo que, se ela tivesse a coragem de soltar, assustaria até o Iluminado.
Como todos os doces e pães do planeta e meu corpo tem um incrível metabolismo que transforma tudo o que é carboidrato e gordura em proteína, e meus músculos podem ser vistos de longe quando corro de fio dental na areia fofa da praia. Aliás, minha pílula, que sofre a mesma mutação do incrível metabolismo do meu corpo, parou de me dar celulite mas aumenta consideravelmente meus peitos, que ganharam um natural aspecto siliconado.
Todas as pessoas firmas, limitadas e estúpidas com as quais tive que conviver durante um tempo muito longínquo da minha vida, foram transferidas para um lado do planeta onde Mini Coopers vermelhos e moçoilas chiques e famosas não entram.
As festas memoráveis na casa de Vinícius de Moraes nunca começam antes de eu chegar, meu relacionamento é aberto, mas só do meu lado, o dinheiro nunca acaba e serve tanto para eu viajar para Paris quanto para ajudar a Zâmbia. Me apaixono todos os dias mas nunca sofro, olheiras foram banidas da minha vida, meu rosto produz ruge natural e a Paris Hilton tomou laxante e acabou indo junto.
quinta-feira, 30 de setembro de 2010
Acredito em sonhos, não em utopia !
Sou pessoa de dentro pra fora. Minha beleza está na minha essência e no meu caráter. Acredito em sonhos, não em utopia. Mas quando sonho, sonho alto. Estou aqui é pra viver, cair, aprender, levantar e seguir em frente.
Sou isso hoje...
Amanhã, já me reinventei.
Reinvento-me sempre que a vida pede um pouco mais de mim.
Sou complexa, sou mistura, sou mulher com cara de menina... E vice-versa. Me perco, me procuro e me acho. E quando necessário, enlouqueço e deixo rolar...
Não me dôo pela metade, não sou tua meio amiga nem teu quase amor. Ou sou tudo ou sou nada. Não suporto meio termos. Sou boba, mas não sou burra. Ingênua, mas não santa. Sou pessoa de riso fácil...e choro também!"
Sou isso hoje...
Amanhã, já me reinventei.
Reinvento-me sempre que a vida pede um pouco mais de mim.
Sou complexa, sou mistura, sou mulher com cara de menina... E vice-versa. Me perco, me procuro e me acho. E quando necessário, enlouqueço e deixo rolar...
Não me dôo pela metade, não sou tua meio amiga nem teu quase amor. Ou sou tudo ou sou nada. Não suporto meio termos. Sou boba, mas não sou burra. Ingênua, mas não santa. Sou pessoa de riso fácil...e choro também!"
sexta-feira, 24 de setembro de 2010
Que Bicho Me Mordeu !?
Não sei quem mora aqui. Não tenho idéia do tamanho. Só tenho medo. Muito medo. Medo de de repente, assim, num fim de tarde qualquer, eu morder alguma canela ou sair correndo de quatro. Não sei.
Medo de comer demais, dormir demais, fazer xixi no meio da rua, latir. Morrer de repente. Do corpo não agüentar o tamanho da minha alma. Medo de alimentar demais o bicho, perder forças pra ele. Deixar que ele ganhe de mim, arrebente a coleira.
Não sei que bicho é. Não sei se é manso. Não sei. Só sei que evito tudo. Beber, fumar, amar, me drogar, sonhar, viajar, passar muito tempo longe de casa, perder o controle, vomitar, virar do avesso, olhar pra ele. Eu não posso perder o controle, entende? Não posso pois não sei o tamanho do meu bicho.
É tanta raiva, eu sei. Meu bicho perdeu a data da vacina. Um corpo 55, um pé 36 e uma mão menor que a do meu primo de dez anos. Isso é tudo o que eu tenho contra ele. Esse é o tamanho da jaula que arrumaram pra fera. Mas ele quase quebra, quase quebra a jaula o tempo todo. Ele quase bate nas pessoas, atropela os folgados, cospe nos sujos, arranha os safados, vomita nos podres, escalda os enganadores, afoga os que partiram sem que eu deixasse, dilacera os que deixaram de me amar, arregaça os posudos. Quase. É uma luta sobrenatural pra ser humana. Tão forte que quase não consigo. Quase não sou humana.
Como pouco, sinto pouco, nado raso, amo o superficial, bebo só as beiradas, belisco a vida. Tudo para me manter imaculada. Tudo para sentir o mínimo possível o mundano das coisas. Tudo para ser quase desumana de tanto negar a vida. Para negar minhas vontades de bicho. Para jamais me lembrar dele. Eu sempre fico com fome, eu sempre acordo antes do sono acabar, eu sempre paro antes do peito arrebentar, eu sempre sento antes da pressão cair, eu sempre tenho prazer antes de sentir prazer. Eu sempre vou até onde é seguro. Eu tenho medo do meu abismo e da soltura do meu bicho. O que ele pode fazer comigo? O que ele pode fazer com você?
Tenho medo do meu bicho. Medo de ir seja onde for. De nunca mais voltar. De esquecer quem eu sou. Medo de gritar bem alto no meio do restaurante. Chutar carros. Rasgar contratos. Uivar para a lua. Dar o bote. Matar ou morrer por uma questão de sobrevivência. Ranger os dentes. Babar. Enfurecer os olhos. E ligar para aquela amiga falsa e mandar ela a merda. Ela e sua pose de merda. E encontrar o branquelo do outro lado da rua e mugir. Quero ver quem ganha a briga sem educações e civilidades.
Eu tenho medo do tanto que ele rumina. O tanto que ele jamais perdoa e guarda um mundo de rancor em seu corpo pronto para atacar. O tempo todo. Meu touro pronto a sair chifrando o mundo. Morrendo na frente de gente que torce contra e a favor. Morrendo em praça pública. Tenho medo que meu bicho seja frágil e morra. E de só me restar uma casca, um plástico, uma vida oca.
Talvez eu seja injusta. Talvez ele seja apenas um cão de guarda me guiando cega pelo mundo. Talvez um pássaro louco pra sair voando. Mas tenho medo. Não quero ver a cara dele. Tenho medo dele esquecer que tenho amigos, empregos e gente me julgando o tempo todo. E me fazer bicho. Me fazer implorar carinho, comida, colo. Medo dele andar com o cu por aí, sem roupa, mostrando meu lado sujo pra quem quiser olhar pra baixo. Medo dele avançar, atacar, assustar. Medo dele me comer por dentro e eu sucumbir a essa vida que tanto julga nosso lado animal.
Medo de eu me descontrolar. Calma, monga! Calma! E virar a mulher gorila. E quebrar a jaula e afugentar todo mundo. A Monica é louca. A Monica é estranha. Que medo de ser louca. Que medo de ser estranha. Ela brigou com o namorado, a amiga, a mãe, o dupla, a empregada, a atendente da NET. Ela foi embora antes da hora, ela disse o que sentia, ela fez cara de que estava tudo uma grande merda. Calma, monga. Calma! E quem não briga, quem não é verdadeiro, ao invés de bicho tem o quê?. Ninguém escapa dessa vida. Nem quem medita. Nem quem compra a maior e a melhor coleira do universo. Ninguém escapa. Nascemos bicho, morremos bicho e passamos a vida com medo de saber que bicho é.
Eu tenho medo dele ser mais forte do que eu. Tenho mais medo ainda dele ser mais fraco. Mas pavor mesmo eu tenho quando é ele quem está com medo. O famoso medo de ter medo. Medo dele entrar em parafuso e eu parecer uma aberração. Solta por aí. Se mijando, se vomitando, dizendo que ama, que odeia, sentindo coisas que não parecem muito humanas e ao mesmo tempo são as que nos dão alguma humanidade. Pedindo abrigo, comida, latindo, mugindo, miando, relinchando, coaxando, urgindo, vendo o mundo de quatro, arregaçada no chão, com as tetas inchadas, a barriga pra cima, por um pouco de segurança. Um pouquinho só.
E ele com medo é lama na certa. Ele me maltrata, pula em mim, rouba minha fome, me martela o cérebro latindo mais alto que tudo, arranha meu peito, caga no meu caminho, mija nas minhas certezas … só sossega quando eu volto pra casa, pro equilíbrio, pro centro, pro seguro. Até que eu seja eu novamente. Até que ele possa me soltar para que eu esqueça dele aqui dentro e dos outros lá fora. E siga a dura vida dos bípedes com dores nas costas e dentes grandes
Medo de comer demais, dormir demais, fazer xixi no meio da rua, latir. Morrer de repente. Do corpo não agüentar o tamanho da minha alma. Medo de alimentar demais o bicho, perder forças pra ele. Deixar que ele ganhe de mim, arrebente a coleira.
Não sei que bicho é. Não sei se é manso. Não sei. Só sei que evito tudo. Beber, fumar, amar, me drogar, sonhar, viajar, passar muito tempo longe de casa, perder o controle, vomitar, virar do avesso, olhar pra ele. Eu não posso perder o controle, entende? Não posso pois não sei o tamanho do meu bicho.
É tanta raiva, eu sei. Meu bicho perdeu a data da vacina. Um corpo 55, um pé 36 e uma mão menor que a do meu primo de dez anos. Isso é tudo o que eu tenho contra ele. Esse é o tamanho da jaula que arrumaram pra fera. Mas ele quase quebra, quase quebra a jaula o tempo todo. Ele quase bate nas pessoas, atropela os folgados, cospe nos sujos, arranha os safados, vomita nos podres, escalda os enganadores, afoga os que partiram sem que eu deixasse, dilacera os que deixaram de me amar, arregaça os posudos. Quase. É uma luta sobrenatural pra ser humana. Tão forte que quase não consigo. Quase não sou humana.
Como pouco, sinto pouco, nado raso, amo o superficial, bebo só as beiradas, belisco a vida. Tudo para me manter imaculada. Tudo para sentir o mínimo possível o mundano das coisas. Tudo para ser quase desumana de tanto negar a vida. Para negar minhas vontades de bicho. Para jamais me lembrar dele. Eu sempre fico com fome, eu sempre acordo antes do sono acabar, eu sempre paro antes do peito arrebentar, eu sempre sento antes da pressão cair, eu sempre tenho prazer antes de sentir prazer. Eu sempre vou até onde é seguro. Eu tenho medo do meu abismo e da soltura do meu bicho. O que ele pode fazer comigo? O que ele pode fazer com você?
Tenho medo do meu bicho. Medo de ir seja onde for. De nunca mais voltar. De esquecer quem eu sou. Medo de gritar bem alto no meio do restaurante. Chutar carros. Rasgar contratos. Uivar para a lua. Dar o bote. Matar ou morrer por uma questão de sobrevivência. Ranger os dentes. Babar. Enfurecer os olhos. E ligar para aquela amiga falsa e mandar ela a merda. Ela e sua pose de merda. E encontrar o branquelo do outro lado da rua e mugir. Quero ver quem ganha a briga sem educações e civilidades.
Eu tenho medo do tanto que ele rumina. O tanto que ele jamais perdoa e guarda um mundo de rancor em seu corpo pronto para atacar. O tempo todo. Meu touro pronto a sair chifrando o mundo. Morrendo na frente de gente que torce contra e a favor. Morrendo em praça pública. Tenho medo que meu bicho seja frágil e morra. E de só me restar uma casca, um plástico, uma vida oca.
Talvez eu seja injusta. Talvez ele seja apenas um cão de guarda me guiando cega pelo mundo. Talvez um pássaro louco pra sair voando. Mas tenho medo. Não quero ver a cara dele. Tenho medo dele esquecer que tenho amigos, empregos e gente me julgando o tempo todo. E me fazer bicho. Me fazer implorar carinho, comida, colo. Medo dele andar com o cu por aí, sem roupa, mostrando meu lado sujo pra quem quiser olhar pra baixo. Medo dele avançar, atacar, assustar. Medo dele me comer por dentro e eu sucumbir a essa vida que tanto julga nosso lado animal.
Medo de eu me descontrolar. Calma, monga! Calma! E virar a mulher gorila. E quebrar a jaula e afugentar todo mundo. A Monica é louca. A Monica é estranha. Que medo de ser louca. Que medo de ser estranha. Ela brigou com o namorado, a amiga, a mãe, o dupla, a empregada, a atendente da NET. Ela foi embora antes da hora, ela disse o que sentia, ela fez cara de que estava tudo uma grande merda. Calma, monga. Calma! E quem não briga, quem não é verdadeiro, ao invés de bicho tem o quê?. Ninguém escapa dessa vida. Nem quem medita. Nem quem compra a maior e a melhor coleira do universo. Ninguém escapa. Nascemos bicho, morremos bicho e passamos a vida com medo de saber que bicho é.
Eu tenho medo dele ser mais forte do que eu. Tenho mais medo ainda dele ser mais fraco. Mas pavor mesmo eu tenho quando é ele quem está com medo. O famoso medo de ter medo. Medo dele entrar em parafuso e eu parecer uma aberração. Solta por aí. Se mijando, se vomitando, dizendo que ama, que odeia, sentindo coisas que não parecem muito humanas e ao mesmo tempo são as que nos dão alguma humanidade. Pedindo abrigo, comida, latindo, mugindo, miando, relinchando, coaxando, urgindo, vendo o mundo de quatro, arregaçada no chão, com as tetas inchadas, a barriga pra cima, por um pouco de segurança. Um pouquinho só.
E ele com medo é lama na certa. Ele me maltrata, pula em mim, rouba minha fome, me martela o cérebro latindo mais alto que tudo, arranha meu peito, caga no meu caminho, mija nas minhas certezas … só sossega quando eu volto pra casa, pro equilíbrio, pro centro, pro seguro. Até que eu seja eu novamente. Até que ele possa me soltar para que eu esqueça dele aqui dentro e dos outros lá fora. E siga a dura vida dos bípedes com dores nas costas e dentes grandes
quarta-feira, 22 de setembro de 2010
Vem !?
Venha, não tenha medo .. É só o mar!
Não, eu não sei nadar.
Eu te ajudo, vem. Confia, vem. Estica a perna assim, abre o braço assim. Respira assim. Vem !
Mas eu não sei.
Mas eu tô aqui. Olhe meus olhos tão arregalados, como posso guardar mentira aqui? Eu posso cantar pra você, eu posso te segurar, eu posso ficar aqui até você conseguir. Eu não sei.
Tá perto. Vai. Solta da borda. Eu sei, você já foi parar no fundo. Mas agora é diferente. Tá mais raso. E eu tô aqui. Eu vim do outro lado do oceano. Eu vim só por sua causa. Vem, larga da borda. Pode vir. Eu vi você como você é e é por isso que estou aqui. Confia.
Não sei !
Pode vir. Não tem mais ninguém. A borda é para os peixes pequenos. Solta .. isso!Relaxa a cabeça no meu peito. Não tem fundo mas eu te ajudo a flutuar. Você pode. Calma .. Afoga um pouco no começo, cansa, desespera. Mas você quer como eu quero?
Quero!
Então eu te ajudo. Vem. Isso! Segura em mim. Paz. Azul. Agora, você está quase conseguindo. Falta só metade ..
Você está quase chegando... Droogaa Eu sei nadar!!!
Não, eu não sei nadar.
Eu te ajudo, vem. Confia, vem. Estica a perna assim, abre o braço assim. Respira assim. Vem !
Mas eu não sei.
Mas eu tô aqui. Olhe meus olhos tão arregalados, como posso guardar mentira aqui? Eu posso cantar pra você, eu posso te segurar, eu posso ficar aqui até você conseguir. Eu não sei.
Tá perto. Vai. Solta da borda. Eu sei, você já foi parar no fundo. Mas agora é diferente. Tá mais raso. E eu tô aqui. Eu vim do outro lado do oceano. Eu vim só por sua causa. Vem, larga da borda. Pode vir. Eu vi você como você é e é por isso que estou aqui. Confia.
Não sei !
Pode vir. Não tem mais ninguém. A borda é para os peixes pequenos. Solta .. isso!Relaxa a cabeça no meu peito. Não tem fundo mas eu te ajudo a flutuar. Você pode. Calma .. Afoga um pouco no começo, cansa, desespera. Mas você quer como eu quero?
Quero!
Então eu te ajudo. Vem. Isso! Segura em mim. Paz. Azul. Agora, você está quase conseguindo. Falta só metade ..
Você está quase chegando... Droogaa Eu sei nadar!!!
sexta-feira, 17 de setembro de 2010
O Não Que Teve Alma De Sim !
Aonde está a força de negar um desejo se enquanto ele não é saciado continua existindo?
O tempo não se encarrega de matar desejos, apenas de substituir os personagens.
Esse é o maior problema dos desejos, eles não aceitam não como resposta. Você só coloca um ponto final nele se for até o fim. E o fim pode ser um simples enjôo ou, na pior das hipóteses, a morte.
O desejo me acompanhou até em casa. Muito , muito mais forte que minha nobreza em ter dito não !
Um dia, quando eu era; bem pequenininha mesmo, trepei em uma árvore e comi uma daquelas maçãs verdes, ácidas. Minha barriga inchou e ficou dura feito um tambor. Doeu à beça. Minha mãe disse que, se eu tivesse esperado as maçãs amadurecerem, não teria ficado doente. Agora, quando quero alguma coisa de verdade tento lembrar do que ela disse sobre as maçãs !!!
O tempo não se encarrega de matar desejos, apenas de substituir os personagens.
Esse é o maior problema dos desejos, eles não aceitam não como resposta. Você só coloca um ponto final nele se for até o fim. E o fim pode ser um simples enjôo ou, na pior das hipóteses, a morte.
O desejo me acompanhou até em casa. Muito , muito mais forte que minha nobreza em ter dito não !
Um dia, quando eu era; bem pequenininha mesmo, trepei em uma árvore e comi uma daquelas maçãs verdes, ácidas. Minha barriga inchou e ficou dura feito um tambor. Doeu à beça. Minha mãe disse que, se eu tivesse esperado as maçãs amadurecerem, não teria ficado doente. Agora, quando quero alguma coisa de verdade tento lembrar do que ela disse sobre as maçãs !!!
quinta-feira, 16 de setembro de 2010
EU Não Sou Igual a VOCÊ !
Não, eu não quero ser medíocre, não. Deus não me deu esse estômago enjoado, essa alergia encantada de vida e esse coração disparado à toa. Eu devo ser especial, eu devo ter algum talento.
Não, eu não quero ser medíocre, não eu não quero desistir, não quero optar pelo caminho mais fácil, não quero que a energia negativa me enterre.
Eu sou sim a pessoa que some, que surta, que vai embora, que aparece do nada, que fica porque quer, que odeia a falta de oxigênio das obrigações, que encurta uma conversa besta, que estende um bom drama, que diz o que ninguém espera e salva uma noite, que estraga uma semana só pelo prazer de ser má e tirar as correntes da cobrança do meu peito. Que acha todo mundo meio feio, meio bobo, meio burro, meio perdido, meio sem alma, meio de plástico, meia bomba. E espera impaciente ser salva por uma metade meio interessante que me tire finalmente essa sensação de perna manca quando ando sozinha por aí, maldizendo a tudo e a todos. Eu só queria ser legal, ser boa, ser leve. Mas dá realmente pra ser assim?
Não, eu não quero ser medíocre, não eu não quero desistir, não quero optar pelo caminho mais fácil, não quero que a energia negativa me enterre.
Eu sou sim a pessoa que some, que surta, que vai embora, que aparece do nada, que fica porque quer, que odeia a falta de oxigênio das obrigações, que encurta uma conversa besta, que estende um bom drama, que diz o que ninguém espera e salva uma noite, que estraga uma semana só pelo prazer de ser má e tirar as correntes da cobrança do meu peito. Que acha todo mundo meio feio, meio bobo, meio burro, meio perdido, meio sem alma, meio de plástico, meia bomba. E espera impaciente ser salva por uma metade meio interessante que me tire finalmente essa sensação de perna manca quando ando sozinha por aí, maldizendo a tudo e a todos. Eu só queria ser legal, ser boa, ser leve. Mas dá realmente pra ser assim?
segunda-feira, 13 de setembro de 2010
A Festa
Na sala a dupla mais improvável do mundo discutia Deus. Ele que não acreditava em quem não acreditava. Ela que a vida era um milagre divino, apesar de não existir divino. Na varanda alguém falava sobre mulheres que ejaculam. Menos de dois metros e o mundo vai de Deus a mulheres que ejaculam. E você quer o quê? Passar impune pela loucura? Quase que vai uma página do Grande Sertão pra enrolar fumo. Ce não vai ler isso tudo mesmo que eu te conheço. Depois da quinta mancha de vinho no tapete levei uma descarga tão forte na boca do estômago que foi como se tivesse me curado pra sempre de controlar tudo. Vai vinho, mancha tudo. Vai pedaço de pão esmigalhado por pisantes dançantes. Que as cinzas maltratem minha rinite nervosa até eu nunca mais ter rinite nervosa. Cansei da minha rinite nervosa. Sujeirinhas pra debaixo de tudo. Nunca mais minha casa seria limpa novamente. E eu nem quero. Eu não quero mais meu aparelho de dentes embaixo do travesseiro, pra evitar que eu me morda. Não quero mais tremer por causa do remédio pra evitar que eu trema. Não quero mais esse monte de caroço nervoso na nuca me avisando que não dou conta do que penso. Meu corpo é menor do que minha imaginação. Não quero mais ter um peso que não me serve pra nada. Só pra destruir ossos e histórias. Eu quero manchas de vinho e pedaços esmigalhados e, principalmente, usar o tempo pra celebrar tudo o que eu não entendo. Ao invés de fritar até ganhar alguma coisa. O que se ganha tentando competir com uma cara que não existe? Não quero mais tentar ser vomitada pelo monstro o tempo todo. Prefiro o quentinho de ser engolida. Sou minúscula. Prefiro ser filha do mistério do que uma mãe lutando pra controlar um filho gigante e livre e longe. Meu apartamento de 40 metros mal conforta meu ego e eram ao todo onze pessoas espalhadas pela casa. Tinha pipoca na pia e maço de cigarro dentro do microondas. Era uma sabado idiota e foi chegando um a um. Cada um querendo morrer ao seu modo. Todos cansados por pensar nisso só por um milésimo de segundo porque, afinal, é todo mundo muito normal aqui. E ser normal, pra quem luta diariamente pra isso, é algo a ser comemorado não pensando nisso. Uns fumam, outros enchem a cara, alguns vão de regulador de humor, outros comem beiradas de dedo. Eu tenho meu aparelho embaixo do travesseiro. Pro cachorro que mora no céu da minha boca não me devorar. Todos ao seu modo, juntos, pra modo nenhum. O coletivo do saco cheio tentando ter alguma vontade. O povo esfolado por brigar tanto com a vida, finalmente derrotado, dançando. Como um velório de certezas. Como uma entrega de corpos descontrolados. Uma dança da chuva pro seco do mundo. Não sabemos mesmo, então vamos dançar. Dai chegou a amiga japonesa da amiga loira da amiga antiga do amigo do meu melhor amigo. Muita gente nem tinha assunto. Eu nem gosto muito da pessoa que cedeu as batatas da perna para meus pés gelados. As pipocas não vão ficar muito tempo embaixo do sofá. É preciso não aumentar mais o som porque o interfone já avisou três vezes que vão chamar a polícia. Todo mundo vai embora. Talvez eu passe mal porque misturei vinho com ansiolítico e remédio pra dor de cabeça e magnésia bisurada e Listerine e uma saliva que não me conta nada. Talvez eu não consiga ter prazer hoje porque já acabou o efeito e já não tô mais aqui. Eu tô no amanhã cedo, limpando a casa, olhando a agenda de novo e, só pra tentar contar do meu jeito e me assustar menos, escrevendo um texto. Vai começar tudo de novo.
quinta-feira, 9 de setembro de 2010
Ninguém
Sapato baixo, calça larga e cabelo preso. Esquentou e seus ombros tensos agradecem. Que cara bonita é essa? Já logo no elevador. Ah, devo ter dormido bem. Bom dia, bom dia. Olha, você está muito bonita hoje. Um fala, outro concorda. E pelos corredores, sorrisos dão continuidade aos elogios. O que é? Que segredo ela guarda? Que novidade é essa? Na cozinha perguntam: novo amor? No estacionamento perguntam: voltou com alguém? No restaurante, na hora do almoço: é alguém novo? Cruza com um namorado antigo “nossa, você tá muito... é o quê? Sexo? A noite toda? Conta, vai, eu agüento ouvir”. Contar o quê? No espelho, enquanto escova os dentes, fecha os olhos e sabe pra si o segredo: ninguém. Não gostar de ninguém. Nada. Nem um restinho de nada. Nem de tudo que acabou e nem de nada que possa começar. Nada. Pouco importa qualquer outra vida do mundo. Não é nem pouco, é nada mesmo. Um dia inteiro para achar gostosas coisas bobas como um pacote de pipoca doce, um tênis pink ou a hora do banho quente com músicas recém baixadas e o tapetinho vermelho. Um dia inteiro sem escravidão. O celular, o e-mail, o telefone de casa, o ar, o interfone, a rua. São o que são e não carrascos que nada dizem e nada trazem. Um coração calmo, se ocupando de mandar sangue para as horas felizes de trabalho, estudo, massagem, dormir, bobeiras, pilates, comer, rir, cabelo, filmes, comprar, trabalhar mais, ler, amigos . É isso. Uma agenda enorme que a ocupa de ser ela e não sobra uma linha de dia pra lamentar existências alheias. Linda, ela segue. Linda e feliz como nunca. O segredo do espelho, escovando os dentes, sozinha, aperta os olhos, segura a alma um pouco sem respirar. Segura a pasta pensando que é um pouco de alma consistente na boca. Não cospe, suporte. Ela pode finalmente suportar seu peso e não dividir isso nem com o ventinho que entra pela janela. Nem com o ralo que a espera boquiaberto. A sensação é a da manhã seguinte que o papai Noel deixava os presentes: não é mentira, é só um jeito de contar a verdade com algum encantamento.
domingo, 15 de agosto de 2010
Uma vez, no recreio, comendo um Bis derretido, pensei isso, pela primeira vez: e se eu ficasse louca?
Vi minhas amigas trocando papéis de cartas, vi uns meninos correndo de testa suada, vi uma professora caminhar como alguém que pensava em alguém que ela encontraria no final do dia, vi tudo isso como se não pudesse ter, ver, ser. E se eu ficasse louca. Que triste para meus pais, que triste para a carteira vazia da escola, que triste para os livros plastificados com a etiqueta que dizia que era eu. Uma estudante, uma garotinha, com família, amigos, presilhas de cabelo, camisas brancas PP com um brasão que trazia um livro e um fogo. Se eu ficasse louca tudo isso seria o quê? Pra onde iriam os materiais e as pessoas e o amor? E se eu ficasse louca? Quem iria me ver babar num canto de um hospital? Existe louco em casa? Mãe ama os loucos? Louco tem amigo? Louco tem livro plastificado? Louco começa e não para mais até acabar? Louco uma vez, louca pra sempre? Converse. Respire. Pense em garotos. Pense em xampus. Vamos. Não fique louca. Mude de assunto. Pense na menina mais bonita do mundo e odeie. Dê nome pra loucura que ela deixa de ser. Sinta dor com nome que assusta menos. Caia na aula de educação física, rale o joelho, sangre, dói menos. Desembarace os cabelos e sinta que problemas se alisam. Faça o papel do Bis virar um barquinho. Isso. Conte uma piada. Se os outros rirem bastante. Se a sua estranheza puder ser amada. Qualquer coisa menos loucura. Pense naquela música da rádio. Não, você não está triste. Uma fofoca e pessoas em volta. Vá até o banheiro retocar o batom da moranguinho. O professor mais ou menos bonito, por ele. Os outros. Olhe. Os outros. Vamos. Que data mesmo? Da guerra. Que data? Qualquer coisa. Menos louca. O hino. Sujou um pouquinho da meia. Limpinha. Dê nome aos problemas. Problemas com nomes são problemas e não loucuras. Sempre evitando que ela saia. Sempre segurando. Não caia dura no meio do mundo. Não se chacoalhe no meio do pátio. Não vomite só porque sei lá o que é isso impossível de digerir e nem quero saber. Não abrace sem fim porque é preciso sentir o vento com o peito sozinho. Terrível mas tem banho quente pra distrair. Não espanque, não soque, não chore sangue, não arranque a língua, não grite, não acabe. Siga. Sorria. Mais uma prova. Mais uma festa. Mais um garoto. Sempre um pavor escondido mas nem era nada disso. Sempre uma tristeza abafada mas nem era nada disso. Sempre uma alegria exagerada que ninguém acolhe e o silêncio depois, fazendo curativos na pureza criando cascas. Um dia você será. O quê? Normal. Um dia você será. Normal. Um dia. Enquanto isso, se distraia como a professora que ama, as crianças que trocam papéis de cartas, os garotos que correm. Eles estão se distraindo também e pensando “olha, uma menina comendo Bis”
Vi minhas amigas trocando papéis de cartas, vi uns meninos correndo de testa suada, vi uma professora caminhar como alguém que pensava em alguém que ela encontraria no final do dia, vi tudo isso como se não pudesse ter, ver, ser. E se eu ficasse louca. Que triste para meus pais, que triste para a carteira vazia da escola, que triste para os livros plastificados com a etiqueta que dizia que era eu. Uma estudante, uma garotinha, com família, amigos, presilhas de cabelo, camisas brancas PP com um brasão que trazia um livro e um fogo. Se eu ficasse louca tudo isso seria o quê? Pra onde iriam os materiais e as pessoas e o amor? E se eu ficasse louca? Quem iria me ver babar num canto de um hospital? Existe louco em casa? Mãe ama os loucos? Louco tem amigo? Louco tem livro plastificado? Louco começa e não para mais até acabar? Louco uma vez, louca pra sempre? Converse. Respire. Pense em garotos. Pense em xampus. Vamos. Não fique louca. Mude de assunto. Pense na menina mais bonita do mundo e odeie. Dê nome pra loucura que ela deixa de ser. Sinta dor com nome que assusta menos. Caia na aula de educação física, rale o joelho, sangre, dói menos. Desembarace os cabelos e sinta que problemas se alisam. Faça o papel do Bis virar um barquinho. Isso. Conte uma piada. Se os outros rirem bastante. Se a sua estranheza puder ser amada. Qualquer coisa menos loucura. Pense naquela música da rádio. Não, você não está triste. Uma fofoca e pessoas em volta. Vá até o banheiro retocar o batom da moranguinho. O professor mais ou menos bonito, por ele. Os outros. Olhe. Os outros. Vamos. Que data mesmo? Da guerra. Que data? Qualquer coisa. Menos louca. O hino. Sujou um pouquinho da meia. Limpinha. Dê nome aos problemas. Problemas com nomes são problemas e não loucuras. Sempre evitando que ela saia. Sempre segurando. Não caia dura no meio do mundo. Não se chacoalhe no meio do pátio. Não vomite só porque sei lá o que é isso impossível de digerir e nem quero saber. Não abrace sem fim porque é preciso sentir o vento com o peito sozinho. Terrível mas tem banho quente pra distrair. Não espanque, não soque, não chore sangue, não arranque a língua, não grite, não acabe. Siga. Sorria. Mais uma prova. Mais uma festa. Mais um garoto. Sempre um pavor escondido mas nem era nada disso. Sempre uma tristeza abafada mas nem era nada disso. Sempre uma alegria exagerada que ninguém acolhe e o silêncio depois, fazendo curativos na pureza criando cascas. Um dia você será. O quê? Normal. Um dia você será. Normal. Um dia. Enquanto isso, se distraia como a professora que ama, as crianças que trocam papéis de cartas, os garotos que correm. Eles estão se distraindo também e pensando “olha, uma menina comendo Bis”
quinta-feira, 29 de julho de 2010
O Ser humano é mesmo complicado.
Na infância sonha com a adolescência, e quando chega, quer logo ficar mais maduro pra ser mais respeitado, e quando atinge o sonho, quer voltar a ser criança.
Vai entender!!!
Mais Gostaria de voltar no tempo
para de roda brincar, de pião girar!
A ingenuidade cultivar.
Dores, só das quedas.
Os abraços recebidos, os sonhos vividos!
A inocência nos olhos, os SUPER poderes e quereres poderiam ser tirados ali,
de um pé de manga, de laranja, de um brincar no riacho, as corridas pra se alcançar uma bola. Ah, meu tempo de infância, de criança.
Era tudo doce, feito o algodão doce. Era tudo tão intenso, tão rápido, grande, quente.
E o frio, não havia. Não era um, eram dois, um dia quem sabe três, quatro, ou cinco com o cachorro.
Eram sorrisos, era cor, música, fragrância, gritos. Era acordar num domingo de sol, abrir a janela e ver o mar.
Era sorvete de limão em um dia quente de não se acabar mais. Eram e mais filmes, e um edredom.
Pés em meia, mãos dadas, sorrisos, verdades, simplicidades. Era amor.
Era festa, quando se reuniam. Eram dias nublados, que se ensolaravam com apenas um sorriso. Era leite quentinho, daquele de paçoca, no fim da tarde. Eram fotografias, retratos em preto e branco, e coloridos de alegria.
Era vontade, de inexistir, olhando o céu cair, sobre si, e não sentir. Era não se importar, não se enraivecer.
Eram verdades ditas, e abraços trocados depois. Era o tudo e o nada, o talvez e o também.
Era o conforto, o carinho. Era uma vida inteira,
pra dois [e depois três, quatro ou cinco com o cachorro].
É saudade, dessas de não caber no peito.
Ah, Minha Infância!
Na infância sonha com a adolescência, e quando chega, quer logo ficar mais maduro pra ser mais respeitado, e quando atinge o sonho, quer voltar a ser criança.
Vai entender!!!
Mais Gostaria de voltar no tempo
para de roda brincar, de pião girar!
A ingenuidade cultivar.
Dores, só das quedas.
Os abraços recebidos, os sonhos vividos!
A inocência nos olhos, os SUPER poderes e quereres poderiam ser tirados ali,
de um pé de manga, de laranja, de um brincar no riacho, as corridas pra se alcançar uma bola. Ah, meu tempo de infância, de criança.
Era tudo doce, feito o algodão doce. Era tudo tão intenso, tão rápido, grande, quente.
E o frio, não havia. Não era um, eram dois, um dia quem sabe três, quatro, ou cinco com o cachorro.
Eram sorrisos, era cor, música, fragrância, gritos. Era acordar num domingo de sol, abrir a janela e ver o mar.
Era sorvete de limão em um dia quente de não se acabar mais. Eram e mais filmes, e um edredom.
Pés em meia, mãos dadas, sorrisos, verdades, simplicidades. Era amor.
Era festa, quando se reuniam. Eram dias nublados, que se ensolaravam com apenas um sorriso. Era leite quentinho, daquele de paçoca, no fim da tarde. Eram fotografias, retratos em preto e branco, e coloridos de alegria.
Era vontade, de inexistir, olhando o céu cair, sobre si, e não sentir. Era não se importar, não se enraivecer.
Eram verdades ditas, e abraços trocados depois. Era o tudo e o nada, o talvez e o também.
Era o conforto, o carinho. Era uma vida inteira,
pra dois [e depois três, quatro ou cinco com o cachorro].
É saudade, dessas de não caber no peito.
Ah, Minha Infância!
quarta-feira, 28 de julho de 2010
O amor acaba. Num sábado cinzento, num sábado de carnaval. O amor se perde.
O amor desaparece. Acaba entre um sorriso e um soluço, no meio do filme, no cinema, no movimento da mãão que busca a outra mão, mas mão já não há.
cadê o amor que estava aqui? O gato comeu. Cadê meu deus o amor? O amor escorre, escapa, dissolve, seca, evapora-se de nós.
O amor acaba nas férias, na praia, no sol, em abraços e ofensas, o amor acaba com ódio, acaba mesmo ainda com amor. Aonde foi parar, o amor? Foi embora pro beleléu, pro limpo, foi pro inferno isso sim.
O amor acaba como acabou aquele cigarro que tava queimando a poucos minutos na beira da minha piscina. Em todos os lugares o amor acaba; qualquer hora o amor acaba; por qualquer motivo o amor acaba; PRA RECOMEÇAR, em todos os lugares o amor ACABA
Eu escolhi que aquele fosse o último abraço. Agora é outra que ri apaixonada de algum provavel barulho que ele faça dormindo ou das tremidinhas estranhas que ele sempre dá enquanto dorme.
Se fosse uma comédia-romântica-americana, a gente se encontraria daqui a um tempo e eu diria a ele, que mesmo depois de ter conheçido homens que não me pediam para deixar a luz do abujur acessa para dormir, não faziam uso de um tal cigarro que me irritava profundamente, não tinham a mania horrivel de nunca usar copo e beber tudo pelo gargalo, não cantavam tão mal e tampouco cismava as vezes em cantar inglês, não tiravam sarro do bairro que moro, não insistiam em me perguntar a data de namoro ou de aniversário por que sabem que sou péssima com datas, era ele que eu amava, era ele que eu queria.
Ele me diria que, mesmo depois de ter conhecido mulheres que não reclamavam do ventilador, que não viram as costas para dormir, mulheres que arrumavam a cama e não demoravam tanto para sentir prazer, que não usavam all star pintado com canetinha, era eu que ele amava, era eu que ele queria.
Mas a realidade é que não gostamos desses tipos de filmes fracos com finais felizes, gostamos dos filmes onde os finais nem sempre são felizes, aonde as pessoas sofrem e se perdem, assim como aconteceu com a gente.
O amor desaparece. Acaba entre um sorriso e um soluço, no meio do filme, no cinema, no movimento da mãão que busca a outra mão, mas mão já não há.
cadê o amor que estava aqui? O gato comeu. Cadê meu deus o amor? O amor escorre, escapa, dissolve, seca, evapora-se de nós.
O amor acaba nas férias, na praia, no sol, em abraços e ofensas, o amor acaba com ódio, acaba mesmo ainda com amor. Aonde foi parar, o amor? Foi embora pro beleléu, pro limpo, foi pro inferno isso sim.
O amor acaba como acabou aquele cigarro que tava queimando a poucos minutos na beira da minha piscina. Em todos os lugares o amor acaba; qualquer hora o amor acaba; por qualquer motivo o amor acaba; PRA RECOMEÇAR, em todos os lugares o amor ACABA
Eu escolhi que aquele fosse o último abraço. Agora é outra que ri apaixonada de algum provavel barulho que ele faça dormindo ou das tremidinhas estranhas que ele sempre dá enquanto dorme.
Se fosse uma comédia-romântica-americana, a gente se encontraria daqui a um tempo e eu diria a ele, que mesmo depois de ter conheçido homens que não me pediam para deixar a luz do abujur acessa para dormir, não faziam uso de um tal cigarro que me irritava profundamente, não tinham a mania horrivel de nunca usar copo e beber tudo pelo gargalo, não cantavam tão mal e tampouco cismava as vezes em cantar inglês, não tiravam sarro do bairro que moro, não insistiam em me perguntar a data de namoro ou de aniversário por que sabem que sou péssima com datas, era ele que eu amava, era ele que eu queria.
Ele me diria que, mesmo depois de ter conhecido mulheres que não reclamavam do ventilador, que não viram as costas para dormir, mulheres que arrumavam a cama e não demoravam tanto para sentir prazer, que não usavam all star pintado com canetinha, era eu que ele amava, era eu que ele queria.
Mas a realidade é que não gostamos desses tipos de filmes fracos com finais felizes, gostamos dos filmes onde os finais nem sempre são felizes, aonde as pessoas sofrem e se perdem, assim como aconteceu com a gente.
terça-feira, 27 de julho de 2010
Sabia que algo devia ser dito naquele momento, eu não podia sair dali sem ter a certeza de que veria ele no dia seguinte, só consigo dormir bem quando tenho essa certeza. Então respirei bem fundo e dessa vez não consegui nem penetrar meus olhos nos dele. Eu não sabia que consegueria tanto sem sequer se esforçar. Precisava falar alguma coisa, sabia que era uma necessidade extremamente intensa que estava quase me enlouquecendo, mas congelei, respirava fundo e claro...não falava.
Sempre fui boa com as palavras, mas as palavras nunca gostaram muito de mim, sempre me fogem quando mais preciso. Não?! Como assim não? É verdade...as palavras sempre estão aí, nunca me faltam, assim como também nunca me falta o medo. Não culpo então as palavras, se quizer culpar alguém, culpe a perfeição por me deixar tão nervosa. Que perfeição? Não existe perfeição! Mas eu não consigo me lembrar disso quando você está do meu lado, sempre cheiroso, nem que seja apenas o cheiro do seu shampoo, sempre lindo...pra que tudo isso? eu ja me contentaria se você fosse só um poquinho cheiroso, não precisava de muito, e também não precisava ser extremamente lindo, um pouquinho tava bom, e podia ser também um beijo mais o menos, não precisava me tirar o fôlego...que fosse tudo menos, só que não me fissese ficar assim agora quase dependente de você. Não sou dependente disso. Só ainda não tive total certeza disso...Mas enfim alí parada nem se quer olhando pra ele que estava do meu lado passava tanta coisa na minha cabeça, eu só nunca consigo abrir a boca, a menos quando ele me beija pra acabar com o clima, mas dessa vez eu sabia que ele não iria fazer isso, sempre brigo com ele quando faz isso, na verdade é só pra fazer charme por que eu amo quando no meio da briga ele vem e me beija forte como se dissese "vamos parar de brigar..." e funciona...tudo bem que uma hora depois voltamos ao assunto, pelo menos esses beijos se repetem também. Parece estranho como até as brigas dão saudade quando estamos separados.
Separados?...E assim eu fui embora, sem dizer nada.
Por que demorei tanto pra falar alguma coisa? Qual sentimento será maior em mim? Será meu medo tão grande? MEDO DO QUE MONICA? É meu orgulho. Por que não me pergunto de novo por que demorei tanto? Ele não vai me esperar a vida inteira. Era pra ele dizer que "sim vou te esperar", eu te expliquei a regra tantas vezes... Mas tudo bem, eu deixo ele descumprir as regras. Sempre deixo sem perceber...sem entender. Tudo o que eu entendo é, que vindo dele, é bem-vindo. Por que ele não é só 'bom-o-suficiente' ELE É MAIS...
Sempre fui boa com as palavras, mas as palavras nunca gostaram muito de mim, sempre me fogem quando mais preciso. Não?! Como assim não? É verdade...as palavras sempre estão aí, nunca me faltam, assim como também nunca me falta o medo. Não culpo então as palavras, se quizer culpar alguém, culpe a perfeição por me deixar tão nervosa. Que perfeição? Não existe perfeição! Mas eu não consigo me lembrar disso quando você está do meu lado, sempre cheiroso, nem que seja apenas o cheiro do seu shampoo, sempre lindo...pra que tudo isso? eu ja me contentaria se você fosse só um poquinho cheiroso, não precisava de muito, e também não precisava ser extremamente lindo, um pouquinho tava bom, e podia ser também um beijo mais o menos, não precisava me tirar o fôlego...que fosse tudo menos, só que não me fissese ficar assim agora quase dependente de você. Não sou dependente disso. Só ainda não tive total certeza disso...Mas enfim alí parada nem se quer olhando pra ele que estava do meu lado passava tanta coisa na minha cabeça, eu só nunca consigo abrir a boca, a menos quando ele me beija pra acabar com o clima, mas dessa vez eu sabia que ele não iria fazer isso, sempre brigo com ele quando faz isso, na verdade é só pra fazer charme por que eu amo quando no meio da briga ele vem e me beija forte como se dissese "vamos parar de brigar..." e funciona...tudo bem que uma hora depois voltamos ao assunto, pelo menos esses beijos se repetem também. Parece estranho como até as brigas dão saudade quando estamos separados.
Separados?...E assim eu fui embora, sem dizer nada.
Por que demorei tanto pra falar alguma coisa? Qual sentimento será maior em mim? Será meu medo tão grande? MEDO DO QUE MONICA? É meu orgulho. Por que não me pergunto de novo por que demorei tanto? Ele não vai me esperar a vida inteira. Era pra ele dizer que "sim vou te esperar", eu te expliquei a regra tantas vezes... Mas tudo bem, eu deixo ele descumprir as regras. Sempre deixo sem perceber...sem entender. Tudo o que eu entendo é, que vindo dele, é bem-vindo. Por que ele não é só 'bom-o-suficiente' ELE É MAIS...
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