domingo, 31 de outubro de 2010

Confusão !

Eu quero ir embora e não esperar o dia seguinte. Porque cansei dessa gente que manda ter mais calma. E me diz que sempre tem outro dia que sempre tem o mês seguinte ou o ano que vem. E me diz que eu não posso esperar nada da vida[Porque ela Não espera mais nada de mim]. E me diz que eu preciso de uma camisa de força. Mais idaí se eu sofrer a loucura que é estar vivo. Se pudesse passaria a noite em claro de tanta vontade de viver esse dia sem esperar o outro, até colocaria a camisa de força me enroscando nesse corpo que com forças loucas me tragam algum equilíbrio.É uma grande mentira viver sozinho, permita-se. Eu só queria alguém pra vencer comigo esses dias terrivelmente chatos.
Eu jamais serei o que eu quero e jamais serei o que eu sou sem precisar disfarçar que quase sou o que eu quero. E cada hora eu quero uma coisa. E no fundo eu não quero Porra nenhuma !
Milhares de pessoas nascem e morrem, milhares de relacionamentos começam e terminam, um objeto que quebra, a garrafa de café quase vazia, uma amizade de anos que já não era a mesma.. Tudo, do simples ao inabalável,tudo chega ao fim. E há milhares de finais acontecendo todo dia.
Eu te amo' virou uma frase tão romântica quanto 'me passa o açúcar'. Eu não quero promessas. Promessas criam expectativas e expectativas borram maquiagens e comprimem estômagos. Gente, ta na hora da gente ser muito feliz. Primeiro porque somos de verdade, depois porque somos filhos de Deus e, pra terminar, porque existe escova progressiva!
Estar sempre insatisfeito, na verdade, é o que faz a gente nunca desistir de seguir em frente e quem sabe um dia se encontrar nesse mundo. Mas a solidão dói e eu sigo inventando personagens. Odeio minha fraqueza em me enganar. Eu invento amor, sim e dói admitir isso. Mas é que não agüento mais não dar um rosto para a minha saudade. É tudo pela metade, ao menos a minha fantasia é por inteiro.. enquanto dura. No final bruto, seco e silencioso é sempre isso mesmo, eu aqui meio querendo chorar, meio querendo mentir sobre a vida até acreditar. E aí eu deito e penso em coisas bonitinhas. E quando vou ver, já dormi.

Deus me proteja de mim, e da maldade de gente boa e da bondade de gente ruim.

domingo, 24 de outubro de 2010

Diga Não Aos Covardes !

Intenções soltas e desejos desconexos. Esse mistério todo é uma violência contra a minha inteligência. Sejamos diretos para não sermos idiotas: Eu Te quero!?. Você me quer!? Tem duvida? Ah, então vá pra puta que te pariu. [E vá ser vago na casa da sua mãe !]
Seja inteligente, faça jus à espécie, seja Sapiens. Perceba o sinal verde, ultrapasse.
Eu não sou morna e, se você não quiser se queimar, morra na temperatura do vômito. E bem longe de mim.
Eu ainda quero muito. Quero as três da manhã de um sábado e não as cinco da tarde de uma quarta. Vamos viver uma história de verdade ou vou ter que te mandar pastar com outras vaquinhas?
A sorte é sua de estar ao meu lado hoje, ontem, semana passada.
Amanhã não sei mais das minhas prioridades: posso querer dormir com pijama de criança até meio-dia, pagar 500 reais numa saia amarela, comer uma trufa na Cacau Show ou quem sabe dar um soco na vaca que você insiste em olhar.
É assim que vivo, masturbando minha mente de sonhos para tentar sugar alguma realização. É assim que vivo: me fodendo.
Calma, raciocínio e estratégia são dons da força que pára para racionalizar. Força que é força não pára, não tem intervalo, atropela.
Não caio na mesma vala de quem empurra a vida porque ela me empurra. Ela faz com que eu me jogue em cima de você, nem que seja para te espantar.
Melhor te ver correndo pra longe do que empacado em minha vida !

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Obrigada.

Ele é um super-homem quando a gente precisa e uma criancinha fofa quando a gente também precisa. Ele pára o mundo todo, se ajoelha no sofá deixando as mãos no meu colo: “Você é Linda.” Seus olhos quase se enchem de lágrima, a música se torna instrumental matando qualquer outra palavra, a cidade não respira, o tempo não existe, a solidão é coisa de gente que mora muito longe dali, minha mente aquieta todos os monstros, as mulheres lindas nas capas das revistas são empilhadas descartavelmente e viram nada, a poluição vira oxigênio puro e cor-de-rosa, Num ímpeto de tesão, ou talvez após um trabalho de consciência confusa que, por preguiça, acabava se decidindo impulsivamente. O outro homem que é dono sem merecer do meu corpo magoado explode no ar deixando apenas estrelas para iluminar meu recomeço, as dúvidas todas do que fazer pelos próximos mil anos se simplificam porque eu só desejo viver aquele momento, sim, sim, sim, eu quero zerar tudo de antes e de depois e amar esse homem agora, como antes, como nunca. Por que não? Eu realmente queria tudo aquilo, queria sim. Queria como a manhã pede o sol, como o mar pede o azul, como as arvores pedem a brisa suave de um fim de tarde, como eu peço a Lua todas as noites! E era assim suave, breve, confiante. Mais não, não era tão facil assim e talvez nunca será, porque sempre serei o lado mais racional de tudo e isso acaba comigo, acaba com meus sonhos, meus planos, meus sentimentos e por fim acaba com minha segurança. É assim que a gente faz com a nossa própria existência: não entendemos nada, mas continuamos insistindo!

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Saca Rolha, Please !

Estou cheia do azedo que percorre meu fígado e me enche de medo de vazar, de repente, num fim de tarde, numa certeza qualquer de uma roupa branca e equilibrada, numa alegria despretensiosa, numa felicidade sem cérebro, num silêncio mais cansado do que desejado.
Até a borda de mim. Entupida de tudo o que, passiva em ser, apenas sou. Olhos inchados, boca cheia, coração apertando o peito, língua encharcada, a vida latejando e o corpo pesado demais para voar.
Estou cheia de mim e de tudo que se relaciona ao assunto. Cheia da incapacidade em estacionar em um plano, em enquadrar um sonho feito uma borboleta morta, em continuar acreditando no que acreditei até a morte, em ter paz longe das arestas acolchoadas que criei durante toda uma vida de expectativas assustadas.
Sou filha, mãe e escrava do caos, dele me tiro, sem ele não existo. Estou cheia do caos, mas tenho horror ao equilíbrio. Confiro minhas listas compulsivamente, buscando um pouco de linha reta para que eu possa deitar e esquecer das contorções que me apertam até que eu pingue no mundo.
Sou um trapo sujo que lavo e contorço todos os segundos, mas não o tanto que deveria por falta de força, preguiça e vontade de borrar a existência ao lado. Eu preciso ganhar um sopro de vida em qualquer outra vida, para me enxergar além do espelho construído e imposto. Eu preciso me ver responsável por uma palidez matinal, uma pontada no intestino inflamado, uma trepada no azulejo do chuveiro, uma parte suave e instrumental de uma música, um cheiro de podre e solidão na madrugada sem preenchimentos.
Existo apenas para causar, e juro que amo essa palavra “causar” além da gíria que ela sugere. Existo apenas para mim mesma, o tempo todo, como nos contos do Hermann Hesse, tenho nojo e pânico de grupos que se acolhem para que se aceitar não seja um trabalho tão penoso e se sentir possa tranqüilamente ser vazio.
Estou vazando de tanto que me encho de mim, mas tenho muito medo que alguém que não mereça minha intimidade cate pelos cantos assustadores do mundo as minhas tripas. Tenho muito medo que as pessoas sem profundidade conheçam a minha, e mais medo ainda de que a profundidade do mundo me cuspa. Sou uma sem-terra porque desprezo o superficial, mas dói demais ser intensa o tempo todo, e preciso fazer luzes, compras e sexo casual.
Cheia dos meus preconceitos, da vontade que tenho dar um soco bem no meio da fuça de todo mundo que faz beiço para insinuar sexualidade, de todo mundo que se enfia num terno para insinuar vitória, de todo mundo que se enfia atrás de uma mesa para insinuar vida, de todo mundo que se enfia atrás de uma garrafa para insinuar alegria, de todo mundo que se enfia num bando para insinuar existência, de todo mundo que se esquece no Sol para insinuar luz.
Até o topo, até o céu, atolada, tô por aqui comigo. Cansada do meu vício de organizar tudo o que sou e de não deixar espaço para o novo, para o que eu poderia ser, para o que eu nem sei que é.
Queria agora que uma asa rasgasse as minhas costas porque, mais do que sentir a dor da liberdade, preciso não ter ninguém, nem nome, nem realidade e nem casa. Preciso enxergar e sobrevoar o mundo sem ser eu, para que ser eu não seja este mundo tão pequeno e apavorado. Preciso ser qualquer coisa que eu não saiba.
Quero me chacoalhar e implodir essa rolha que me prende em mim, Essa Sociedade hipocrita Que Sempre Acaba Nos Dominando e Nos Limitanto !

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Saudadinhaa

Ainda que eu esteja numa fase bacana e sem nós no peito (o que por um lado é ruim pois a paz sempre me dá alguns quilinhos a mais e alguns textos a menos), resolvi embarcar num momento nostalgia.
Não sei se é o Clima. Não sei se é porque agora, nesse exato momento, estou ouvindo “I know it’s over”, do Smiths, e tomando um Sorvete Com Coca-Cola (Que Eu Sempre Detesteeei). Só sei que o Dia está pedindo e resolvi fazer uma sessão nostalgia.
Acho normal. Acho perfeitamente normal lembrar com carinho que você sempre dava um jeito de me mandar mensagens em datas festivas. Estivesse você casado ou namorando ou ilhado num templo budista, dava um jeito. Era como se dissesse, sem dizer “eu sei que já faz tempo, mas ainda amo você”.
Também me faz bem lembrar que você nunca, nunca, nunca se alterava. Trouxesse o garçom o pedido errado pela terceira vez ou fizesse um playboy qualquer uma tremenda barbeiragem em cima do seu carro. Você nunca estragava nossas noites. Eram tão 'nossos' os nossos momentos, você dizia, que eram para ser sempre bons. E de fato sempre eram.
Eu tenho saudade de mil coisas e todas essas mil coisas sempre caem na mesma única coisa de que eu tenho tanta saudade: sua leveza. Você me dizia que jamais iria me cobrar leveza, pois me amava intensa. E me pedia que fizesse exatamente o mesmo, ainda que ao contrário, por você. E eu não obedecia nunca, afinal, pessoas intensas não obedecem.
E assim nós seguimos, por alguns bons anos entrecortados, sendo tão parecidos ainda que tão atraídos mutuamente pelos nossos opostos. A gente era parecido principalmente porque topava as coisas mais malucas como, por exemplo, brincar que tinha acabado de se conhecer numa festa, ainda que tivesse ido junto para a festa. E por horas ficávamos nessa bobeira e nenhum dos dois ria. Até que alguém pedia, cansado, “já pode voltar ao normal? É que está me dando vontade de transar e eu não transo com desconhecidos”.
Eu tenho saudades de tudo. Da gente acordar sua vizinha de tanto rir de coisas bestas, do seu carro sempre bagunçado, da paciência que você tinha com meus quase quinze anos a menos, da mania que você tinha de arrumar minhas roupas em cima da cama enquanto eu tomava banho e de quando você apertava os ossinhos das minhas costas no escuro e falava, baixinho: “ai, como essa menina gosta de fazer drama!”.
Não é um sentimento egoísta e muito menos possessivo. É apenas uma saudadezinha. Gostosa, tranqüila, bonita, saudável, de longe. E, quem diria: leve.

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Chega de Realidade

Acordo sem sono e com a maior disposição. Tomo café da manhã com tempo e uma infinidades de pães, queijos e sucos. Moro de frente para o mar num vilarejo italiano bem tranqüilo onde se vende frutas em todas as esquinas, mas assim que eu entro no meu BMW dirigido por Clive Owen (meu motorista), eu chego em cinco minutos na Vila Madalena, onde tenho uma livraria com café.
Meu livro ainda está entre os mais vendidos, a quiche de alho-poró ainda é a preferido dos intelectuais estranhos que me idolatram e a oficina literária que promovo todas as terças e quintas está bombando e traz, nessa semana, Nelson Rodrigues e John Fante, diretamente do céu.
Atrás da minha livraria são só escombros, o restaurante predileto dos publicitários explodiu no último ataque terrorista contra as pessoas que ganham bem demais sem fazer porra nenhuma e matou a maior parte deles, deixando vivo apenas os funcionários da Leo Burnett, local onde meu marido já trabalhou e ganhou dinheiro suficiente para ficar o dia inteiro só fazendo o que gosta.
Lolita, minha pequena dog louca, tomou uma vacina que a fará viver por mais 88 anos e todas as vezes que ela faz cocô, o cocô vira estrelinhas azuis que saem voando pela noite estrelada, e eu nunca mais precisei abaixar e catar toda aquela merda com um saquinho furado.
Tenho ao todo quatro filhos lindos, e nenhum deles nasceu de parto normal, mas também não nasceram de cesárea. Todos nasceram com 75 anjos da guarda que nunca permitem que eles batam a cabeça ou façam amizades erradas. Eles amam salada e Frank Sinatra e jamais pegam gripe.
Minha bunda é redonda e dura, minha sobrancelha enorme e expressiva e quando o Clive pede dispensa para malhar ou assistir a um filme do Truffaut, eu vou trabalhar com o meu Mini Cooper vermelho, ouvindo o noco CD do Elvis, que, obviamente, não morreu.
Sinto orgasmos com uma facilidade ridícula, é encostar em mim que eu já começo a berrar. Meu ex-namorado largou a rolha de poço e resolveu viver única e exclusivamente para me idolatrar, ele tem pôsteres com o meu rosto espalhados pela casa e se arrepende diariamente de ter me enrolado tanto tempo e me perdido de vez. Ele sofre horrorosamente e nenhuma mulher do planeta me substitui, ainda mais se tiver uma bunda gigantesca e um cabelo que, se ela tivesse a coragem de soltar, assustaria até o Iluminado.
Como todos os doces e pães do planeta e meu corpo tem um incrível metabolismo que transforma tudo o que é carboidrato e gordura em proteína, e meus músculos podem ser vistos de longe quando corro de fio dental na areia fofa da praia. Aliás, minha pílula, que sofre a mesma mutação do incrível metabolismo do meu corpo, parou de me dar celulite mas aumenta consideravelmente meus peitos, que ganharam um natural aspecto siliconado.
Todas as pessoas firmas, limitadas e estúpidas com as quais tive que conviver durante um tempo muito longínquo da minha vida, foram transferidas para um lado do planeta onde Mini Coopers vermelhos e moçoilas chiques e famosas não entram.
As festas memoráveis na casa de Vinícius de Moraes nunca começam antes de eu chegar, meu relacionamento é aberto, mas só do meu lado, o dinheiro nunca acaba e serve tanto para eu viajar para Paris quanto para ajudar a Zâmbia. Me apaixono todos os dias mas nunca sofro, olheiras foram banidas da minha vida, meu rosto produz ruge natural e a Paris Hilton tomou laxante e acabou indo junto.