Não é isso que todo mundo acha super divertido? Beber e fumar, e beber, e fazer sexo sem amor, e beber e fumar e dançar e chegar tarde e envelhecer e não sentir nada? Sabe Seu Zé, ahh posso te chamar só de Zé né!? Posso, ah posso né com um papo tão profundo já somos desses somos amigos! Sabe Zé no começo doeu não sentir nada. Mas eu consegui. Eu não sinto nada. Nada. Uns vem, uns vão. As garrafas tão lá, ao lado do lixo. As cinzas saem dançando por aí. As minhas vão junto. No dia seguinte eu acordo, tomo um banho, passo protetor solar, sento na minha varanda com o meu jornalzinho e ó: nada. Nadinha. Pode ser boa que é uma coisa. Já chorei muito, já doeu muito esse coração. Mas agora tô, ó, tá vendo? De pedra. Nem pena do mundo eu consigo mais sentir. Minha pureza era linda, Zé, mas ninguém a entendia, ninguém acolhia ela. Todo mundo só abusava dela. Agora ninguém mais abusa da minha alma pelo simples fato de que eu não tenho mais alma nenhuma. Já era, Zé. É isso que chamam de ser esperto? Nossa, então eu sou uma ninja. Bate aqui no meu peito, Zé? Sentiu o barulho de granito? Quebrou o braço, Zé? Desculpa!
-Psiu Zé conta pra ninguém não, mais eu menti um pouquinho. Tá Tá eu menti quase tudo! Ah Seu Zé não quero mais ser sua amiga, você nem ao menos me deixa inventar meus sentimentos!
quarta-feira, 22 de dezembro de 2010
terça-feira, 21 de dezembro de 2010
Querido Papai Noel,
Esse ano fui uma menina muito boazinha. Passei fio dental, paguei todas as minhas contas (ou quase todas) e usei camisinha. Por isso, queria te pedir um presente. A última vez que te escrevi uma cartinha eu devia ter uns seis anos. Depois disso, o Thiago, o menino ranhento da minha classe, riu bem alto de mim, me apontando enquanto girava no gira-gira: Ela acredita! Ela acredita! HAHAHA.
Pois é, eu acreditava, e morri de vergonha. E nunca mais quis saber de você. Por causa do trauma de ser inocente e do dedo apontado do menino cheio de ranho, você virou um velho tarado que fica de pau duro em shopping, querendo mais é sentar as jovens mães em seu colo barato. O mundo foi ficando feio e cínico e com cheiro de saco de Papai Noel que não tem tempo de lavar a única calça abafada.
Mas esse ano fui uma menina boazinha e resolvi resgatar o 0,1% de crença que ainda existe em mim e te fazer esse pedido. Eu acredito Papai Noel. Eu acredito no amor, eu acredito ainda! Eu TENHO que acreditar.Que por trás desse mundo sujo existe apenas pessoas que querem preservar o amor que elas sentem dentro de si.Mais realmente se tudo fosse tão fácil como apenas camuflar seus sentimentos com sujeira ou com a simplicidade de acreditar num velho fazedor de brinquedo e seus viadinhos sobrevoando nossas cabeças.
Se eu te contasse como foi minha vida nesses últimos anos, Santa, você diria: pegue seu amor e se mude agora para o Pólo Norte! Congelada e solitária talvez você viva melhor!
Mas cara, quer dizer, Papy, vou te falar que sou leonina e teimosia é meu sobrenome. E eu ainda acredito no amor. Eu acredito! Volto agora pra cena macabra da infância. Thiago tem apenas sete anos. Ele gira, gira. Segura com uma mão o brinquedo e com a manga do outro bracinho gordo ele limpa seus ranhos. Escuta aqui, moleque, mas escuta bem: eu acredito que dá pra sonhar. Dá pra sonhar seu desgraçadinho entupido! Ouviu? Assopra tapando o nariz pra destampar esse ouvido!
Noel, cara, eu cansei. Só quero que seja natural, simples, fácil e bom. Não quero falar o que meus amigos me mandam falar porque se eu falar o que eu tenho vontade de falar poucos vão ficar. Eu não quero poucos. Eu não quero muitos. Eu quero um. Um amor. Só um.
Já tive bastante do resto que parece amor, já fiz bastante do resto que parece amor, já provei bastante pro Thiago que ele tava certo em relação a girar e rir e não acreditar e escorrer pelo nariz de medo de ficar aqui dentro. Agora eu quero sentar no seu colo, sem você ficar de pau duro, e quero que exista alguma porra de pureza nessa vida.
Pois é, eu acreditava, e morri de vergonha. E nunca mais quis saber de você. Por causa do trauma de ser inocente e do dedo apontado do menino cheio de ranho, você virou um velho tarado que fica de pau duro em shopping, querendo mais é sentar as jovens mães em seu colo barato. O mundo foi ficando feio e cínico e com cheiro de saco de Papai Noel que não tem tempo de lavar a única calça abafada.
Mas esse ano fui uma menina boazinha e resolvi resgatar o 0,1% de crença que ainda existe em mim e te fazer esse pedido. Eu acredito Papai Noel. Eu acredito no amor, eu acredito ainda! Eu TENHO que acreditar.Que por trás desse mundo sujo existe apenas pessoas que querem preservar o amor que elas sentem dentro de si.Mais realmente se tudo fosse tão fácil como apenas camuflar seus sentimentos com sujeira ou com a simplicidade de acreditar num velho fazedor de brinquedo e seus viadinhos sobrevoando nossas cabeças.
Se eu te contasse como foi minha vida nesses últimos anos, Santa, você diria: pegue seu amor e se mude agora para o Pólo Norte! Congelada e solitária talvez você viva melhor!
Mas cara, quer dizer, Papy, vou te falar que sou leonina e teimosia é meu sobrenome. E eu ainda acredito no amor. Eu acredito! Volto agora pra cena macabra da infância. Thiago tem apenas sete anos. Ele gira, gira. Segura com uma mão o brinquedo e com a manga do outro bracinho gordo ele limpa seus ranhos. Escuta aqui, moleque, mas escuta bem: eu acredito que dá pra sonhar. Dá pra sonhar seu desgraçadinho entupido! Ouviu? Assopra tapando o nariz pra destampar esse ouvido!
Noel, cara, eu cansei. Só quero que seja natural, simples, fácil e bom. Não quero falar o que meus amigos me mandam falar porque se eu falar o que eu tenho vontade de falar poucos vão ficar. Eu não quero poucos. Eu não quero muitos. Eu quero um. Um amor. Só um.
Já tive bastante do resto que parece amor, já fiz bastante do resto que parece amor, já provei bastante pro Thiago que ele tava certo em relação a girar e rir e não acreditar e escorrer pelo nariz de medo de ficar aqui dentro. Agora eu quero sentar no seu colo, sem você ficar de pau duro, e quero que exista alguma porra de pureza nessa vida.
domingo, 12 de dezembro de 2010
Ainda Não.
Às vezes cansa e entristece tanto, o mundo com os mutilados todos. Enxergar os pedaços, pegar um cinema com um tronco, tomar um café com meio rosto, apertar as mãos de uma canela, sentir o abraço idiota de um joelho com aquele cheiro de pele lixada pela continuidade.
Não é arrogância, se fosse, eu a usaria pra me sentir menos assustada e sozinha. É só mesmo a busca de me formar pelos outros ou me ver neles, nunca sei o peso da troca, e nem se é justa. Mas é tão de verdade que não se pode dizer arrogância ou loucura.
Na pressa de juntar tudo pra ver de uma vez só e me enojar menos, na pressa de juntar tudo pra ser de uma vez só e sentir menor o silêncio de ser uma parte que nem em si tem companhia, o mundo é como os desenhinhos que fazemos no cantinho de um bloco. Corra, corra, e todos terão tudo, todos se movimentarão tanto, o mundo rola, role com ele, basta o dedão percorrer rápido os cantinhos e a vida vai.
Dar certo é questão de segundos, sentir é questão de segundos, sempre a um passo de ser melhor e sentir pra valer. E a sensação deliciosa de dormir só e em silêncio mas junto com o mundo inteiro. Ser sem gente pra encher o saco, mas ser junto com todo mundo que é. Se isso ocorrer, esse segundo antes de dormir, isso sim é dormir. O resto é desculpa pra continuar mais tarde, varrendo o chão do inferno, o chuá, chuá do cérebro que brinca de lixeiro mas é só o chuá, chuá da repetição. A poeira fica, só nos enganamos chutando o que somos cada hora para um lado.
Como assusta o instante em que qualquer enrolação não é suportável e vemos, da janela, do carro, da mesa, da porta, de nós, as pernas correndo sem cabeça, as cabeças se dando sem mãos, os pés chutando sem estômago, as tripas acariciando sem pulso.
Quando cansa e entristece, os amigos dedos com anel, os amigos cintura com cinto, os amigos orelha com cabelo liso atrás, os amigos calça antes de encostar no calcanhar. O que me mantém em pé apesar da falta de corpo é a saudade de algo encaixável e inteiriço, é a curiosidade e a fé em algo encaixável e inteiriço. O que me mantém em pé é perseguir um corpo, pra ser igual ou pra que seja. O que me mantém em pé é, justamente, o quase tudo isso, o quase que sempre foi e o quase de daqui a pouco. É o gosto da lembrança e da iminência. A promessa sempre atual do há ou daqui a. Mas nunca, nunca, nunca, foi. Será?
Onde estão os amigos? Devagar, com paradas, com amor, são restos de algo, são quase, tudo é quase, tudo é resto, tudo é ainda não, mas quase. Nunca sei se serão ou se sobraram. Então, o desespero, o desespero é justamente não existir um corpo inteiro que se abrace. O desespero é, principalmente, não se ser um corpo inteiro para abraçar. É nunca aprender porque não ensinamos. É nunca copiar porque não estamos. A queda que ninguém segura e nem a gente mesmo. O desespero é, sobretudo, não desistir, não acabar, sequer ser queda. Sequer ser desespero. Desespero é nem isso. Ainda não ser, ainda não ter, ainda não não.
Não é arrogância, se fosse, eu a usaria pra me sentir menos assustada e sozinha. É só mesmo a busca de me formar pelos outros ou me ver neles, nunca sei o peso da troca, e nem se é justa. Mas é tão de verdade que não se pode dizer arrogância ou loucura.
Na pressa de juntar tudo pra ver de uma vez só e me enojar menos, na pressa de juntar tudo pra ser de uma vez só e sentir menor o silêncio de ser uma parte que nem em si tem companhia, o mundo é como os desenhinhos que fazemos no cantinho de um bloco. Corra, corra, e todos terão tudo, todos se movimentarão tanto, o mundo rola, role com ele, basta o dedão percorrer rápido os cantinhos e a vida vai.
Dar certo é questão de segundos, sentir é questão de segundos, sempre a um passo de ser melhor e sentir pra valer. E a sensação deliciosa de dormir só e em silêncio mas junto com o mundo inteiro. Ser sem gente pra encher o saco, mas ser junto com todo mundo que é. Se isso ocorrer, esse segundo antes de dormir, isso sim é dormir. O resto é desculpa pra continuar mais tarde, varrendo o chão do inferno, o chuá, chuá do cérebro que brinca de lixeiro mas é só o chuá, chuá da repetição. A poeira fica, só nos enganamos chutando o que somos cada hora para um lado.
Como assusta o instante em que qualquer enrolação não é suportável e vemos, da janela, do carro, da mesa, da porta, de nós, as pernas correndo sem cabeça, as cabeças se dando sem mãos, os pés chutando sem estômago, as tripas acariciando sem pulso.
Quando cansa e entristece, os amigos dedos com anel, os amigos cintura com cinto, os amigos orelha com cabelo liso atrás, os amigos calça antes de encostar no calcanhar. O que me mantém em pé apesar da falta de corpo é a saudade de algo encaixável e inteiriço, é a curiosidade e a fé em algo encaixável e inteiriço. O que me mantém em pé é perseguir um corpo, pra ser igual ou pra que seja. O que me mantém em pé é, justamente, o quase tudo isso, o quase que sempre foi e o quase de daqui a pouco. É o gosto da lembrança e da iminência. A promessa sempre atual do há ou daqui a. Mas nunca, nunca, nunca, foi. Será?
Onde estão os amigos? Devagar, com paradas, com amor, são restos de algo, são quase, tudo é quase, tudo é resto, tudo é ainda não, mas quase. Nunca sei se serão ou se sobraram. Então, o desespero, o desespero é justamente não existir um corpo inteiro que se abrace. O desespero é, principalmente, não se ser um corpo inteiro para abraçar. É nunca aprender porque não ensinamos. É nunca copiar porque não estamos. A queda que ninguém segura e nem a gente mesmo. O desespero é, sobretudo, não desistir, não acabar, sequer ser queda. Sequer ser desespero. Desespero é nem isso. Ainda não ser, ainda não ter, ainda não não.
quarta-feira, 8 de dezembro de 2010
Seja Idiota !
A idiotice é vital para a felicidade.
Gente chata essa que quer ser séria, profunda e visceral sempre.
A vida já é um caos. Por que fazermos dela, ainda por cima, um tratado?
Deixe a seriedade para as horas em que ela é inevitável: mortes,separações, dores e afins.
No dia-a-dia, pelo amor de Deus, seja idiota!
Ria dos próprios defeitos. E de quem acha defeitos em você.
Ignore o que o boçal do seu chefe disse.
Pense assim: quem tem que carregar aquela cara feia, todos os dias, inseparavelmente, é ele. Pobre dele!
Milhares de casamentos acabaram não pela falta de amor, dinheiro, sexo, sincronia, mas pela ausência de idiotice.
Trate seu amor como seu melhor amigo, e pronto.
Quem disse que é bom dividirmos a vida com alguém que tem conselho pra tudo, soluções sensatas, mas não consegue rir quando tropeça?
Alguém que sabe resolver uma crise familiar, mas não tem a menor idéia de como preencher as horas livres de um fim de semana?
Quanto tempo faz que você não vai ao cinema?
É bem comum gente que fica perdida quando se acabam os problemas. E daí, o que elas farão se já não têm por que se desesperar?
Desaprenderam a brincar. Eu não quero alguém assim comigo.
Você quer? Espero que não!
Tudo que é mais difícil é mais gostoso, mas... a realidade já é dura; piora se for densa.
Brincar é legal!
Adultos podem (e devem) contar piadas, passear no parque, rir alto e lamber a tampa do iogurte.
Ser adulto não é perder os prazeres da vida e esse é o único "não" realmente aceitável.
Teste a teoria.
Acorde de manhã e decida entre duas coisas: ficar de mau humor e transmitir isso adiante ou sorrir...
Bom mesmo é ter problema na cabeça, sorriso na boca e paz no coração!
Aliás, entregue os problemas nas mãos de Deus e que tal um cafezinho gostoso agora?
Gente chata essa que quer ser séria, profunda e visceral sempre.
A vida já é um caos. Por que fazermos dela, ainda por cima, um tratado?
Deixe a seriedade para as horas em que ela é inevitável: mortes,separações, dores e afins.
No dia-a-dia, pelo amor de Deus, seja idiota!
Ria dos próprios defeitos. E de quem acha defeitos em você.
Ignore o que o boçal do seu chefe disse.
Pense assim: quem tem que carregar aquela cara feia, todos os dias, inseparavelmente, é ele. Pobre dele!
Milhares de casamentos acabaram não pela falta de amor, dinheiro, sexo, sincronia, mas pela ausência de idiotice.
Trate seu amor como seu melhor amigo, e pronto.
Quem disse que é bom dividirmos a vida com alguém que tem conselho pra tudo, soluções sensatas, mas não consegue rir quando tropeça?
Alguém que sabe resolver uma crise familiar, mas não tem a menor idéia de como preencher as horas livres de um fim de semana?
Quanto tempo faz que você não vai ao cinema?
É bem comum gente que fica perdida quando se acabam os problemas. E daí, o que elas farão se já não têm por que se desesperar?
Desaprenderam a brincar. Eu não quero alguém assim comigo.
Você quer? Espero que não!
Tudo que é mais difícil é mais gostoso, mas... a realidade já é dura; piora se for densa.
Brincar é legal!
Adultos podem (e devem) contar piadas, passear no parque, rir alto e lamber a tampa do iogurte.
Ser adulto não é perder os prazeres da vida e esse é o único "não" realmente aceitável.
Teste a teoria.
Acorde de manhã e decida entre duas coisas: ficar de mau humor e transmitir isso adiante ou sorrir...
Bom mesmo é ter problema na cabeça, sorriso na boca e paz no coração!
Aliás, entregue os problemas nas mãos de Deus e que tal um cafezinho gostoso agora?
sábado, 4 de dezembro de 2010
Mais um vez ...
Eu nunca vou entender porque a gente continua voltando pra casa querendo ser de alguém, ainda que a gente esteja um ao lado do outro. Eu nunca vou entender porque você é exatamente o que eu quero, eu sou exatamente o que você quer, mas as nossas exatidões não funcionam numa conta de mais nem de dividir.
Eu nunca aceitei a simplicidade do sentimento. Eu sempre quis entender de onde vinha tanta loucura, tanta emoção. Eu nunca respeitei sua banalidade, nunca entendi como pude ser tão escrava de uma vida que não me dizia nada, não me aquietava em nada, não me preenchia, não me planejava, não me findava. Nós éramos sem começo, sem meio, sem fim, sem solução, sem motivo. Mais existia um amor louco, insano! Que por nada deixava nos separarmos. Eu sinto saudades do seu amor, de como ele cuidava de tudo, de como ele cuidava de mim .. Sinto falta da perdição involuntária que era congelar na sua presença. Sinto falta da guerra de leões que havia todas as tardes quando procurávamos mais amor um no outro. Era a vida se mostrando mais poderosa do que eu e minhas listas de certo e errado. Era a natureza me provando ser mais óbvia do que todas as minhas crenças. Eu não mandava no que sentia por você, eu não aceitava, ainda assim, era inundada diariamente por uma vida trezentas vezes maior que a minha. Eu te amava por causa da vida e não por minha causa. E isso era lindo. Você era lindo.
Simplesmente isso. Você, a pessoa que eu ainda vejo passando no corredor e me levando embora. Eu mais uma vez me pergunto como é mesmo que se faz a coisa mais profunda do mundo com total superficialidade. Como é que se ama sem amor? Como é que se entrega de dentro de uma prisão? Nunca soube. Prometi não tentar entender e apenas sentir, sentir mais uma vez ! Com um início de perder o fôlego, mas com um eterno três pontinhos num final que nem existe.
Os três pontinhos são o que me matam, ponto final seria a dureza clara e o fim da história, três pontinhos são o que me matam !
E você continua indo embora, e eu continuo ficando, vendo você levar partes de mim que antes eu nem sentia falta. Ninguém acredita na gente: nenhum cartomante, nenhum pai-de-santo, nenhuma terapeuta, nenhum parente, nenhum amigo, nenhum e-mail, nenhuma mensagem de texto, nenhum rastro, nenhuma reza, nenhuma fofoca e, principalmente (ou infelizmente): nem você Os grandes αmores são assim mesmo, eles nos dão o caminho da emoção, mas os sentimentos de verdade são apenas nossos, ninguém copiα, ninguém leva, ninguém divide.
Aquele abraço era o lado bom da vida, mas para valorizá-lo eu
precisava viver. E que irônico: pra viver eu precisava perdê-lo !
Eu nunca aceitei a simplicidade do sentimento. Eu sempre quis entender de onde vinha tanta loucura, tanta emoção. Eu nunca respeitei sua banalidade, nunca entendi como pude ser tão escrava de uma vida que não me dizia nada, não me aquietava em nada, não me preenchia, não me planejava, não me findava. Nós éramos sem começo, sem meio, sem fim, sem solução, sem motivo. Mais existia um amor louco, insano! Que por nada deixava nos separarmos. Eu sinto saudades do seu amor, de como ele cuidava de tudo, de como ele cuidava de mim .. Sinto falta da perdição involuntária que era congelar na sua presença. Sinto falta da guerra de leões que havia todas as tardes quando procurávamos mais amor um no outro. Era a vida se mostrando mais poderosa do que eu e minhas listas de certo e errado. Era a natureza me provando ser mais óbvia do que todas as minhas crenças. Eu não mandava no que sentia por você, eu não aceitava, ainda assim, era inundada diariamente por uma vida trezentas vezes maior que a minha. Eu te amava por causa da vida e não por minha causa. E isso era lindo. Você era lindo.
Simplesmente isso. Você, a pessoa que eu ainda vejo passando no corredor e me levando embora. Eu mais uma vez me pergunto como é mesmo que se faz a coisa mais profunda do mundo com total superficialidade. Como é que se ama sem amor? Como é que se entrega de dentro de uma prisão? Nunca soube. Prometi não tentar entender e apenas sentir, sentir mais uma vez ! Com um início de perder o fôlego, mas com um eterno três pontinhos num final que nem existe.
Os três pontinhos são o que me matam, ponto final seria a dureza clara e o fim da história, três pontinhos são o que me matam !
E você continua indo embora, e eu continuo ficando, vendo você levar partes de mim que antes eu nem sentia falta. Ninguém acredita na gente: nenhum cartomante, nenhum pai-de-santo, nenhuma terapeuta, nenhum parente, nenhum amigo, nenhum e-mail, nenhuma mensagem de texto, nenhum rastro, nenhuma reza, nenhuma fofoca e, principalmente (ou infelizmente): nem você Os grandes αmores são assim mesmo, eles nos dão o caminho da emoção, mas os sentimentos de verdade são apenas nossos, ninguém copiα, ninguém leva, ninguém divide.
Aquele abraço era o lado bom da vida, mas para valorizá-lo eu
precisava viver. E que irônico: pra viver eu precisava perdê-lo !
sábado, 27 de novembro de 2010
Pra Sempre.
Tem muita gente que se distrai e é feliz pra sempre, sem conhecer as delícias de ser feliz por uns meses, depois infeliz por uns dias... Viver não é seguro. Viver não é fácil. E não pode ser monótono. Mesmo fazendo escolhas aparentemente definitivas, ainda assim podemos excursionar por dentro de nós mesmos e descobrir lugares desabitados em que nunca colocamos os pés, nem mesmo em imaginação. E, estando lá, rever nossas escolhas e recalcular a duração de "pra sempre". Muitas vezes o "pra sempre" não dura tanto quanto duram nossa teimosia e receio de mudar.
Te amo mesmo, talvez pra sempre. Mas nem por isso eu deixo de ser feliz ou viver minha vida !
Não somos um casal melado, mas duvido que tenha alguém que duvide do nosso amor. Quer dizer, a gente duvida, mas a gente é LOUCO !
Te amo mesmo, talvez pra sempre. Mas nem por isso eu deixo de ser feliz ou viver minha vida !
Não somos um casal melado, mas duvido que tenha alguém que duvide do nosso amor. Quer dizer, a gente duvida, mas a gente é LOUCO !
sexta-feira, 26 de novembro de 2010
Até Breve !
Nunca gostei da palavra adeus. Ela me parece forte demais. Deixa no ar uma ligação direta com o findar de uma existência de amizades. Tem o cheiro apavorante de um quarto de enfermo. Soa como uma despedida da vida. Prefiro, quando me despeço, dizer, um até mais, um até breve.
Faz um ano e meio que estou no aqui onde fui acolhido com muitas mãos de flores, com muitas línguas perfumadas, com doces olhares de bondade. Mais também tive um ardo caminho durante esse tempo A vida ensinou-me a não tomar decisões precipitadas, ingratas. Achei, por isso, que seria mais prudente tirar umas "férias", um projeto cultural profundamente bem elaborado, mas, cujas janelas, ultimamente, por onde entrava o sol ardente da liberdade estão sendo decoradas com cortinas pintadas com a cor do luto da inimizade, da injustiça, das ofensas pessoais.
Se um dia resolver voltar, espero que suas portas por onde entraram tantas delícias de muitas almas de luz, sensíveis, naturais, continuem abertas para novamente abrigar o mesmo coração aberto de esperanças cuja a mudança é necessária.
Uma glória. Uma vitória, um sonho, para quem aprendeu a desejar pouco da vida. Não fujo no meio da noite, não sou desleal com os amigos, com você que cobriu muitas das minhas dores com o teto seguro. Saio num meio de tarde aspirando uma brisa que parece querer me dizer que a desesperança no amanhã nunca é para sempre.
Falei para as calçadas enluaradas, para as caçadas em busca da felicidade. Fiz poemas para as estrelas. Bisbilhotei minha infância. Mandei cartas sem fim para minhas saudades. Clamei para a volta da esperança. Ansiei pela eternidade. Pela felicidade plena.
Escrevi doces recados para os pássaros. Tentei esconder o ontem. Pedi aos céus sinais de luz. Espalhei orações. Fabriquei a fé. Perdi-a nas noites escuras. Recuperei-a ao nascer de muitas alvoradas. Dei vida para muitos cansados telhados. Mandei um beijo interminável para vida. Amei muitas manhãs de chuvas. Apaixonei-me pelo sol poente. Odiei-o por me trazer tantas tristezas.
Enviei carta dura para a morte. Exaltei a vida, o amor com todas as suas ilusões e desilusões. Cobrei do ciúme exagerado uma nova postura. Aconselhei os corações ateus. Tentei abrir a fechadura espiritual de muitas almas. Sonhei ser santa. Sofri ao ver tantos indigentes deixando suas moribundas digitais em tantas portas que não se abriam.
Rasguei o ventre da terra. Vi muitos meninos desnudos brincando de nada. Inventei e reinventei sonhos. Copiei as esperanças alheias. Brindei bebendo pingos de luar, gotas de orvalho. Com a revolta que irrompe da injustiça, critiquei o Pai Noel por injuriar os sonhos dourados de muitas crianças pobres, por prometer e não cumprir. Senti como são longas e ingratas as asas do tempo.
Castiguei os corações desgovernados. Falei para a razão e a emoção. Pedi explicações sobre a diferença de amor e saudade. Ouvi no começo da primavera o primeiro canto de um sabiá. Escrevi uma grande carta para os múltiplos encantamentos da vida. Supliquei para a esperança acelerar seus passos. Senti como somos indiferentes com a dor que mora ao nosso lado. Vi que as cidades são grandes teatros de mentiras e assim mesmo, numa insensatez da minha alma, ansiei ser cidade quando espiava, um dia, meu particular horizonte de saudades.
Espalhei tantas cartas pelas ruas escuras. Muitas os ventos as levaram. Outras o tempo as escondeu, tantas a vida as reescreveu. Um dia resolvi sair pelas calçadas, pelas esquinas, pelas praças, recolhendo, sob a luz das estrelas ou sob a luz do sol ardente, retalhos de cada uma delas que pudessem contar um pedaço da minha vida que, mesmo andando entre a tristeza e a felicidade, é esperança que não cessa, é amor que não se acaba.
Entendi que a vida é feita de momentos, de pedaços, de sonhos que nascem no coração e acordam nos parapeitos das janelas. Muitos ficam, empoeirados nas prateleiras da alma, outros viram realidade e constroem, mesmo entre o riso e o pranto, um livro, que o danado do tempo jamais conseguirá fazer cair no esquecimento humano e para sempre ficará guardado Hoje sou sonho completo. Sou lábios que agradecem a Deus as bondades que me ofertou. Sou grata aos amigos que aqui garimpei. Sou grata a Você, por ter me permitido ser páginas escritas com os olhos da alma desse livro da minha vida. Não sei por quanto tempo ficarei ausente dessas “férias” forçadas. A vida e o tempo são meus donos. Talvez, se um dia voltar, e, se assim me for permitido, muita coisa tenha mudado, muitas vitórias tenham sido conquistadas, afinal, não se abre, impunemente, ao sopro dos ventos, uma mão carregada de pó de ouro.
Faz um ano e meio que estou no aqui onde fui acolhido com muitas mãos de flores, com muitas línguas perfumadas, com doces olhares de bondade. Mais também tive um ardo caminho durante esse tempo A vida ensinou-me a não tomar decisões precipitadas, ingratas. Achei, por isso, que seria mais prudente tirar umas "férias", um projeto cultural profundamente bem elaborado, mas, cujas janelas, ultimamente, por onde entrava o sol ardente da liberdade estão sendo decoradas com cortinas pintadas com a cor do luto da inimizade, da injustiça, das ofensas pessoais.
Se um dia resolver voltar, espero que suas portas por onde entraram tantas delícias de muitas almas de luz, sensíveis, naturais, continuem abertas para novamente abrigar o mesmo coração aberto de esperanças cuja a mudança é necessária.
Uma glória. Uma vitória, um sonho, para quem aprendeu a desejar pouco da vida. Não fujo no meio da noite, não sou desleal com os amigos, com você que cobriu muitas das minhas dores com o teto seguro. Saio num meio de tarde aspirando uma brisa que parece querer me dizer que a desesperança no amanhã nunca é para sempre.
Falei para as calçadas enluaradas, para as caçadas em busca da felicidade. Fiz poemas para as estrelas. Bisbilhotei minha infância. Mandei cartas sem fim para minhas saudades. Clamei para a volta da esperança. Ansiei pela eternidade. Pela felicidade plena.
Escrevi doces recados para os pássaros. Tentei esconder o ontem. Pedi aos céus sinais de luz. Espalhei orações. Fabriquei a fé. Perdi-a nas noites escuras. Recuperei-a ao nascer de muitas alvoradas. Dei vida para muitos cansados telhados. Mandei um beijo interminável para vida. Amei muitas manhãs de chuvas. Apaixonei-me pelo sol poente. Odiei-o por me trazer tantas tristezas.
Enviei carta dura para a morte. Exaltei a vida, o amor com todas as suas ilusões e desilusões. Cobrei do ciúme exagerado uma nova postura. Aconselhei os corações ateus. Tentei abrir a fechadura espiritual de muitas almas. Sonhei ser santa. Sofri ao ver tantos indigentes deixando suas moribundas digitais em tantas portas que não se abriam.
Rasguei o ventre da terra. Vi muitos meninos desnudos brincando de nada. Inventei e reinventei sonhos. Copiei as esperanças alheias. Brindei bebendo pingos de luar, gotas de orvalho. Com a revolta que irrompe da injustiça, critiquei o Pai Noel por injuriar os sonhos dourados de muitas crianças pobres, por prometer e não cumprir. Senti como são longas e ingratas as asas do tempo.
Castiguei os corações desgovernados. Falei para a razão e a emoção. Pedi explicações sobre a diferença de amor e saudade. Ouvi no começo da primavera o primeiro canto de um sabiá. Escrevi uma grande carta para os múltiplos encantamentos da vida. Supliquei para a esperança acelerar seus passos. Senti como somos indiferentes com a dor que mora ao nosso lado. Vi que as cidades são grandes teatros de mentiras e assim mesmo, numa insensatez da minha alma, ansiei ser cidade quando espiava, um dia, meu particular horizonte de saudades.
Espalhei tantas cartas pelas ruas escuras. Muitas os ventos as levaram. Outras o tempo as escondeu, tantas a vida as reescreveu. Um dia resolvi sair pelas calçadas, pelas esquinas, pelas praças, recolhendo, sob a luz das estrelas ou sob a luz do sol ardente, retalhos de cada uma delas que pudessem contar um pedaço da minha vida que, mesmo andando entre a tristeza e a felicidade, é esperança que não cessa, é amor que não se acaba.
Entendi que a vida é feita de momentos, de pedaços, de sonhos que nascem no coração e acordam nos parapeitos das janelas. Muitos ficam, empoeirados nas prateleiras da alma, outros viram realidade e constroem, mesmo entre o riso e o pranto, um livro, que o danado do tempo jamais conseguirá fazer cair no esquecimento humano e para sempre ficará guardado Hoje sou sonho completo. Sou lábios que agradecem a Deus as bondades que me ofertou. Sou grata aos amigos que aqui garimpei. Sou grata a Você, por ter me permitido ser páginas escritas com os olhos da alma desse livro da minha vida. Não sei por quanto tempo ficarei ausente dessas “férias” forçadas. A vida e o tempo são meus donos. Talvez, se um dia voltar, e, se assim me for permitido, muita coisa tenha mudado, muitas vitórias tenham sido conquistadas, afinal, não se abre, impunemente, ao sopro dos ventos, uma mão carregada de pó de ouro.
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