terça-feira, 10 de maio de 2011

Definitivo.

Todos os caminhos do mundo levam ao meu coração, ele mergulha sem hesitar no rio das paixões que sempre corre por sua vida.
Sei que sou livre para escolher o que desejo, minhas decisões são tomadas com coragem, desprendimento, e - às vezes com uma certa dose de Loucura!
Aceito minhas paixões, e as desfruta intensamente. Sei que não preciso renunciar ao entusiasmo das minhas conquistas, elas fazem parte da minha vida, e alegram a todos que participam.
Mais jamais perco de vista as coisas duradouras, e os laços criados com solidez através do tempo.
Sei distinguir o que é passageiro, e o que é definitivo.

Tô aprendendo, sentindo, e hoje...Agradecendo.

quinta-feira, 17 de março de 2011

Baixinho.

Eu sou uma espécie quase em extinção: Eu acredito nas pessoas.
Ô minha filha, as suas dores não são as maiores do mundo e nem vão ser. Sacode a poeira. Toma um banho de rio. Abre essas asas. Grita alto, chora baixo. Pula alto e cai de cara. Desenha toda a beleza do mundo. Compra uma caixa de lápis de cor e sai aí colorindo a vida

Que o tempo nos permita alguns reencontros sem culpas porque é bom sentir sempre mais uma vez. Porque mesmo a gente voltando para outros abraços só o nosso valerá a pena !

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

"Snaider"

Meus segundos de lucidez estão chegando ao fim. A cortina se abre, as conversas e as luzes aumentam. Eu me rendo. Se tudo está errado, assim permanecerá. Se este script não me satisfaz, ninguém mais tem que saber. Mais um dia se passou sem que eu exigisse meus direitos. Habito, mas não comando, está ai tudo, tudinho eu diria um TUDÃO!
É uma loucura insatisfeita, uma loucura que sente, que permite que desabafa, que chora, que constrói, que se diverte, que fala e que acima de tudo AMA!
É a loucura mais consciente que qualquer sanidade já existente nesse universo, daquelas que você chega a dizer - Se eu estivesse assim amanhã, resolveria todos os meus problemas.
Era tudo tão pequeno, tudo tão grande, tão frio, tão quente, tão apertado, tão gostoso, tão maravilhado, tão violento [no sentido de acabar com o que você acha que ainda te resta no peito].
Me sentia como se fluasse em nuvens feitas do mais puro algodão, como se o mundo inteiro estivesse na ponta dos meus dedos, como as borboletas estivesse na boca do meu estomago, como se tudo estivesse em câmera lenta e eu fazendo tudo pra chamar a atenção.
Minha mente percorria cada pedaço desse mundo, ela caminhava, livre, leve, solta, Louca!
Meu coração, ah meu coração esse não saia um segundo das suas mãos, era a troca mais mutúa,e ao mesmo tempo que eu tomava todo o cuidado pra não acabar amassando o seu coração com toda minha delicadeza inexistentes eu queria mesmo era guardá-lo dentro de uma caixinha bem do lado da minha cama e beijá-lo todas as noites.
Uma doçura existia no seu olhar, e isso me encantava, enquanto eu sempre querendo “tagarelar” de alguma coisa, seu olhar sempre me dizia que apenas um abraço resolvia qualquer “brisa” mal interpretada.
Eu quero sim te matar, porque você tem uma mania surda de responder todas as minhas perguntas com um "ãhhh?" enjoado, e eu quero te socar porque você já descobriu tudo o que me irrita e gosta de me ver assim. Mas quando qualquer outra coisa no mundo me irrita, eu lembro que eu tenho você pra me fazer sentir essa raiva tão “sei lá”.
Minha intensidade às vezes me matava, eu pensava, pensava e pensava [e claro falava] das coisas mais inbecis possíveis, minha mente viajava longe muito longe, e quando achava que estava sendo boba demais vinha você me convidando para um passeio em marte!
Podia ser no meio de 30 milhões de pessoas ou somente eu e você no alto de uma pedra que a intensidade de só existir 2 pessoas no mundo era SEMPRE a mesma. As pessoas não existiam, simplesmente elas desapareciam, ué cadê todo mundo! - Calma agente não precisa de ninguém aqui, você basta!
Um abraço nos levava simplesmente para qualquer lugar no mundo, nas estrelas, nos céus ou simplesmente no NOSSO planeta. O mundo nem sequer lutava com a nossa força de mudá-lo em questão de segundos, em transformá-lo no planeta mais perfeito com a filosofia mais pura e sensata claro!
Tudo ficava claro e sincero, o mundo sim ficava mais puro e mais calmo. É, porque não nos candidatamos a Presidentes do país, era um começo! [é talvez fosse loucura demais, edaaaaí]
Cadê meu medo eterno!? Me ensina a tirar assim como você faz todas as vezes que me encontra! Quero ficar o tempo todo encolhida nos teus braços como uma menininha que chora com o joelho todo ralado.
Sou durona demais pra isso, mais nessas horas viro a menina mais doce, mais carinhosa, mais aberta, mais meiga, mais amada.
Aquela brisa suave parece percorrer minha pele e entrar pelos meus póros e bater direto na minha alma, me faz sentir de perto toda aquela paz que vem no soprar da noite, no soprar do vento nos meus cabelos, ao seu falar aos meus ouvidos.
A cada tocar seu em minha pele era uma explosão vibrante de energia, uma combustão como se a qualquer momento fossemos explodir e virar bolhas coloridas no ar!
Queria sumir te levar pra longe, para uma ilha, uma floresta, pra outro planeta, pra lua, pra qualquer lugar, e que eu não tenha que voltar pra merda do amanhã ou para o depois porque o depois mata!
Eu simplesmente vomitava as palavras, sabe aqueles filtros que você tem na cabeça pra não dizer tanta besteira, pois é eu já não tinha mais o meu, e sabe o melhor !? Você também não tinha o seu. E seguíamos com longas e longas conversas, e na nossa linguagem eram filosofias propriamente poéticas, íamos do meio fio da calçada até marte de brincadeira. Era a risada mais gostosa, aquela que você sente sua barriga doer, e pede, por favor, pra parar!
Porque o perfeito é cheio de estripulias, mas eu detesto estripulias e adoro nosso jeito intenso de se amar cheio de inconformismos com a intensidade...E o perfeito teria a maior paciência do mundo em me curar dessa loucura, e você tem a maior paciência do mundo em aumentar a minha loucura. Nossa dança num baile de máscaras é eterna, porque quando eu peso a mão, você me faz voar. E quando você perde o chão, eu te dou um soco na cabeça pra ver se achato a sua alegria pra caber na minha... E você cabe de sobra na minha intensidade, e acaba que a minha neurose fria é o quentinho da sua cama.
E o perfeito tem um beijo profundo e ritmado, que de tão melado e encaixável me deixa saciada de um jeito que encerra o meu desejo. E você tem um jeito caótico de me beijar meio burro, porque se eu vou para um lado, você vai para o mesmo. E é nesta única hora em que você não deveria concordar comigo, que você concorda... E eu nunca me dou por satisfeita, e acabo achando que a gente ainda nem deu o nosso primeiro beijo, o que me causa uma ansiedade de paixão inicial que não deixa o peito relaxar... E o homem das minhas ilusões me deixaria relaxar numa enorme cama amorosa, e acordaria inúmeras vezes para me ver dormir abraçada a toda a certeza que ele me daria com apenas um segundo de olhar... É muito quase como se você nem existisse, porque só o homem perfeito mereceria tanto sentimento. E eu te anulo o tempo todo dizendo para mim, repetindo para mim, o quanto você falha, o quanto você fraqueja, o quanto você se engana. E fazendo isso, eu só consigo te amar mais ainda. Porque você enterrou meu sonho aprisionado pela perfeição e me libertou para vivê-lo. E a gente vai por aí, se completando assim meio torto mesmo. E Deus escrevendo certo pelas nossas linhas que se não fossem tão tortas, não teriam se cruzado.
E Calma, calma, por favor! E Poooooft! Caímos no chão sem a menor piedade, sem a menor explicação. E aí, doeu, acho que não sinto meu coração [de novo], talvez até cicatrize logo, mais a dor não vai passar!
Não faz sentido viver sem ter no mínimo a essência mais bela no coração, apagar tudo isso seria uma afronta a qualquer sentimento meu e seu, aos menos me deixe essa linda lembrança na alma.
Ao menos me jure amor eterno, pois o meu já é seu e não importa o que aconteça ou eu esteja. Jure que todos esses momentos nunca serão esquecidos.

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

A História Completa de Nikita !

Nikita fingiu a vida inteira mas nunca deixou de procurar a verdade. Sempre uma tosse de angústia na boca do peito. Sempre um motorzinho acelerado enjoado lá pro meio de algo que fica dentro. O olho ardia. A língua travava de vontade de mudar todo o discurso pronto e dizer apenas a verdade. Mas qual era a verdade? Então seguia fingindo. A vida inteira. Estudou um monte de coisa que se embaralhava na sua frente, mas fingia acreditar que aquilo a levaria para algum lugar. Um lugar com novos amigos e novos amores, talvez. Talvez essa fosse a verdade que purificaria tanta coisa sem sentido. Mas também não era isso porque, com esses amigos e amores, Nikita seguia fingindo. De fingir estudar passou em tudo que fingiu se importar. De fingir curtir as festas e os amigos e aquilo tudo,Nikita vivia em álbuns felizes e acabava feliz. De fingir amar, acabou chorando e doendo e escrevendo tantas coisas bonitas. Nikita seguia fingindo o tempo todo. Às vezes, com medo de morrer soterrada por tanto teatro, Nikita segurava firme no fundo dos olhos de alguém e dizia: a verdade é que, a verdade é que. E a pessoa, caso fosse assim como Nikita, uma pessoa especial (porque quem procura essa verdade sempre é) só dizia: eu sei, eu sei. E era isso. Um momento especial, de verdade, sem a bola de pêlo presa na goela. Sem a tosse de angústia, tentando soltar algo pro ar entrar. Mas que algo? Mas que tosse? Então Nikita ia ao psiquiatra e dizia não entender todas essas coisas como nuvens e casamentos e rodas fedorentas de caminhões bafando quente e infernal e abajures e cartões fidelidade e apostilas e tudo isso que acaba acontecendo porque acontece com todo mundo. Mas pra quem? Por quê? Qual é a verdade? Todos caminhando, todos com horários, todos de volta, cansados, o cérebro já bem gasto, agora podemos dormir, ufa, podemos dormir, pra quê? Pra amanhã mais e mais. E Nikita ia. Como na hora do rush do ônibus. Empurrada pela multidão sem verdade pra dentro de algo que leva pra algo. Pra onde? Eles precisam pagar as contas, eles precisam pagar o plano de saúde, diria sua mãe. Tá, e daí? Ter um problema sério nos ocupa de não ter o problema real. O problema real é que não dá pra calar a cabeça procurando a verdade. Que verdade? Quem inventou as nuvens? Porque as rodas de caminhões soltando fumaças quentes lembram tanto o inferno? E quem disse que a roda solta alguma coisa? Onde está a saída daqui? O tempo todo essa pergunta: onde está a saída daqui? Qual o caminho mais rápido para a minha cama, o silêncio, o escuro. Nikita abraça as pernas, como criança, e se diz baixinho: não dá pra saber a verdade, não dá pra parar a cabeça, nada parece realmente o que é, hoje eu não disse o que realmente queria, aquelas pessoas não sentem aquilo que demonstram, eu pouco me importo com 70% dos preenchimentos do meu dia, mas é preciso chegar até amanhã. É preciso chegar. Nikita se formou, trabalhou, namorou, viajou, casou, teve filhos, escolheu vestidos, escolheu pisos, escolheu tacos, escolheu flores, escolheu travesseiros, escolheu máquinas de lavar, escolheu o nome do neto, escolheu fazer a cirurgia, escolheu o sapato baixo, escolheu ver a novela ao invés do filme, escolheu dormir até mais tarde no dia que a empregada chegava mais cedo. Sem saber a verdade, Nikita escolheu viver. No último segundo, até porque prometi que essa era a história completa de Nikita, Nikita descobriu algo que nunca mais poderá contar a ninguém. Só o que sabemos é que, em sua última sugestão do que seria a verdade, ela sorriu como sorrimos para um bebê quando ele se levanta bem e disse: APENAS VIVA !

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Seu Zé.

Não é isso que todo mundo acha super divertido? Beber e fumar, e beber, e fazer sexo sem amor, e beber e fumar e dançar e chegar tarde e envelhecer e não sentir nada? Sabe Seu Zé, ahh posso te chamar só de Zé né!? Posso, ah posso né com um papo tão profundo já somos desses somos amigos! Sabe Zé no começo doeu não sentir nada. Mas eu consegui. Eu não sinto nada. Nada. Uns vem, uns vão. As garrafas tão lá, ao lado do lixo. As cinzas saem dançando por aí. As minhas vão junto. No dia seguinte eu acordo, tomo um banho, passo protetor solar, sento na minha varanda com o meu jornalzinho e ó: nada. Nadinha. Pode ser boa que é uma coisa. Já chorei muito, já doeu muito esse coração. Mas agora tô, ó, tá vendo? De pedra. Nem pena do mundo eu consigo mais sentir. Minha pureza era linda, Zé, mas ninguém a entendia, ninguém acolhia ela. Todo mundo só abusava dela. Agora ninguém mais abusa da minha alma pelo simples fato de que eu não tenho mais alma nenhuma. Já era, Zé. É isso que chamam de ser esperto? Nossa, então eu sou uma ninja. Bate aqui no meu peito, Zé? Sentiu o barulho de granito? Quebrou o braço, Zé? Desculpa!

-Psiu Zé conta pra ninguém não, mais eu menti um pouquinho. Tá Tá eu menti quase tudo! Ah Seu Zé não quero mais ser sua amiga, você nem ao menos me deixa inventar meus sentimentos!

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Querido Papai Noel,

Esse ano fui uma menina muito boazinha. Passei fio dental, paguei todas as minhas contas (ou quase todas) e usei camisinha. Por isso, queria te pedir um presente. A última vez que te escrevi uma cartinha eu devia ter uns seis anos. Depois disso, o Thiago, o menino ranhento da minha classe, riu bem alto de mim, me apontando enquanto girava no gira-gira: Ela acredita! Ela acredita! HAHAHA.
Pois é, eu acreditava, e morri de vergonha. E nunca mais quis saber de você. Por causa do trauma de ser inocente e do dedo apontado do menino cheio de ranho, você virou um velho tarado que fica de pau duro em shopping, querendo mais é sentar as jovens mães em seu colo barato. O mundo foi ficando feio e cínico e com cheiro de saco de Papai Noel que não tem tempo de lavar a única calça abafada.
Mas esse ano fui uma menina boazinha e resolvi resgatar o 0,1% de crença que ainda existe em mim e te fazer esse pedido. Eu acredito Papai Noel. Eu acredito no amor, eu acredito ainda! Eu TENHO que acreditar.Que por trás desse mundo sujo existe apenas pessoas que querem preservar o amor que elas sentem dentro de si.Mais realmente se tudo fosse tão fácil como apenas camuflar seus sentimentos com sujeira ou com a simplicidade de acreditar num velho fazedor de brinquedo e seus viadinhos sobrevoando nossas cabeças.
Se eu te contasse como foi minha vida nesses últimos anos, Santa, você diria: pegue seu amor e se mude agora para o Pólo Norte! Congelada e solitária talvez você viva melhor!
Mas cara, quer dizer, Papy, vou te falar que sou leonina e teimosia é meu sobrenome. E eu ainda acredito no amor. Eu acredito! Volto agora pra cena macabra da infância. Thiago tem apenas sete anos. Ele gira, gira. Segura com uma mão o brinquedo e com a manga do outro bracinho gordo ele limpa seus ranhos. Escuta aqui, moleque, mas escuta bem: eu acredito que dá pra sonhar. Dá pra sonhar seu desgraçadinho entupido! Ouviu? Assopra tapando o nariz pra destampar esse ouvido!
Noel, cara, eu cansei. Só quero que seja natural, simples, fácil e bom. Não quero falar o que meus amigos me mandam falar porque se eu falar o que eu tenho vontade de falar poucos vão ficar. Eu não quero poucos. Eu não quero muitos. Eu quero um. Um amor. Só um.
Já tive bastante do resto que parece amor, já fiz bastante do resto que parece amor, já provei bastante pro Thiago que ele tava certo em relação a girar e rir e não acreditar e escorrer pelo nariz de medo de ficar aqui dentro. Agora eu quero sentar no seu colo, sem você ficar de pau duro, e quero que exista alguma porra de pureza nessa vida.

domingo, 12 de dezembro de 2010

Ainda Não.

Às vezes cansa e entristece tanto, o mundo com os mutilados todos. Enxergar os pedaços, pegar um cinema com um tronco, tomar um café com meio rosto, apertar as mãos de uma canela, sentir o abraço idiota de um joelho com aquele cheiro de pele lixada pela continuidade.
Não é arrogância, se fosse, eu a usaria pra me sentir menos assustada e sozinha. É só mesmo a busca de me formar pelos outros ou me ver neles, nunca sei o peso da troca, e nem se é justa. Mas é tão de verdade que não se pode dizer arrogância ou loucura.
Na pressa de juntar tudo pra ver de uma vez só e me enojar menos, na pressa de juntar tudo pra ser de uma vez só e sentir menor o silêncio de ser uma parte que nem em si tem companhia, o mundo é como os desenhinhos que fazemos no cantinho de um bloco. Corra, corra, e todos terão tudo, todos se movimentarão tanto, o mundo rola, role com ele, basta o dedão percorrer rápido os cantinhos e a vida vai.
Dar certo é questão de segundos, sentir é questão de segundos, sempre a um passo de ser melhor e sentir pra valer. E a sensação deliciosa de dormir só e em silêncio mas junto com o mundo inteiro. Ser sem gente pra encher o saco, mas ser junto com todo mundo que é. Se isso ocorrer, esse segundo antes de dormir, isso sim é dormir. O resto é desculpa pra continuar mais tarde, varrendo o chão do inferno, o chuá, chuá do cérebro que brinca de lixeiro mas é só o chuá, chuá da repetição. A poeira fica, só nos enganamos chutando o que somos cada hora para um lado.
Como assusta o instante em que qualquer enrolação não é suportável e vemos, da janela, do carro, da mesa, da porta, de nós, as pernas correndo sem cabeça, as cabeças se dando sem mãos, os pés chutando sem estômago, as tripas acariciando sem pulso.
Quando cansa e entristece, os amigos dedos com anel, os amigos cintura com cinto, os amigos orelha com cabelo liso atrás, os amigos calça antes de encostar no calcanhar. O que me mantém em pé apesar da falta de corpo é a saudade de algo encaixável e inteiriço, é a curiosidade e a fé em algo encaixável e inteiriço. O que me mantém em pé é perseguir um corpo, pra ser igual ou pra que seja. O que me mantém em pé é, justamente, o quase tudo isso, o quase que sempre foi e o quase de daqui a pouco. É o gosto da lembrança e da iminência. A promessa sempre atual do há ou daqui a. Mas nunca, nunca, nunca, foi. Será?
Onde estão os amigos? Devagar, com paradas, com amor, são restos de algo, são quase, tudo é quase, tudo é resto, tudo é ainda não, mas quase. Nunca sei se serão ou se sobraram. Então, o desespero, o desespero é justamente não existir um corpo inteiro que se abrace. O desespero é, principalmente, não se ser um corpo inteiro para abraçar. É nunca aprender porque não ensinamos. É nunca copiar porque não estamos. A queda que ninguém segura e nem a gente mesmo. O desespero é, sobretudo, não desistir, não acabar, sequer ser queda. Sequer ser desespero. Desespero é nem isso. Ainda não ser, ainda não ter, ainda não não.

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Seja Idiota !

A idiotice é vital para a felicidade.
Gente chata essa que quer ser séria, profunda e visceral sempre.
A vida já é um caos. Por que fazermos dela, ainda por cima, um tratado?
Deixe a seriedade para as horas em que ela é inevitável: mortes,separações, dores e afins.
No dia-a-dia, pelo amor de Deus, seja idiota!
Ria dos próprios defeitos. E de quem acha defeitos em você.
Ignore o que o boçal do seu chefe disse.
Pense assim: quem tem que carregar aquela cara feia, todos os dias, inseparavelmente, é ele. Pobre dele!
Milhares de casamentos acabaram não pela falta de amor, dinheiro, sexo, sincronia, mas pela ausência de idiotice.
Trate seu amor como seu melhor amigo, e pronto.
Quem disse que é bom dividirmos a vida com alguém que tem conselho pra tudo, soluções sensatas, mas não consegue rir quando tropeça?
Alguém que sabe resolver uma crise familiar, mas não tem a menor idéia de como preencher as horas livres de um fim de semana?
Quanto tempo faz que você não vai ao cinema?
É bem comum gente que fica perdida quando se acabam os problemas. E daí, o que elas farão se já não têm por que se desesperar?
Desaprenderam a brincar. Eu não quero alguém assim comigo.
Você quer? Espero que não!
Tudo que é mais difícil é mais gostoso, mas... a realidade já é dura; piora se for densa.
Brincar é legal!
Adultos podem (e devem) contar piadas, passear no parque, rir alto e lamber a tampa do iogurte.
Ser adulto não é perder os prazeres da vida e esse é o único "não" realmente aceitável.
Teste a teoria.
Acorde de manhã e decida entre duas coisas: ficar de mau humor e transmitir isso adiante ou sorrir...
Bom mesmo é ter problema na cabeça, sorriso na boca e paz no coração!
Aliás, entregue os problemas nas mãos de Deus e que tal um cafezinho gostoso agora?

sábado, 4 de dezembro de 2010

Mais um vez ...

Eu nunca vou entender porque a gente continua voltando pra casa querendo ser de alguém, ainda que a gente esteja um ao lado do outro. Eu nunca vou entender porque você é exatamente o que eu quero, eu sou exatamente o que você quer, mas as nossas exatidões não funcionam numa conta de mais nem de dividir.
Eu nunca aceitei a simplicidade do sentimento. Eu sempre quis entender de onde vinha tanta loucura, tanta emoção. Eu nunca respeitei sua banalidade, nunca entendi como pude ser tão escrava de uma vida que não me dizia nada, não me aquietava em nada, não me preenchia, não me planejava, não me findava. Nós éramos sem começo, sem meio, sem fim, sem solução, sem motivo. Mais existia um amor louco, insano! Que por nada deixava nos separarmos. Eu sinto saudades do seu amor, de como ele cuidava de tudo, de como ele cuidava de mim .. Sinto falta da perdição involuntária que era congelar na sua presença. Sinto falta da guerra de leões que havia todas as tardes quando procurávamos mais amor um no outro. Era a vida se mostrando mais poderosa do que eu e minhas listas de certo e errado. Era a natureza me provando ser mais óbvia do que todas as minhas crenças. Eu não mandava no que sentia por você, eu não aceitava, ainda assim, era inundada diariamente por uma vida trezentas vezes maior que a minha. Eu te amava por causa da vida e não por minha causa. E isso era lindo. Você era lindo.
Simplesmente isso. Você, a pessoa que eu ainda vejo passando no corredor e me levando embora. Eu mais uma vez me pergunto como é mesmo que se faz a coisa mais profunda do mundo com total superficialidade. Como é que se ama sem amor? Como é que se entrega de dentro de uma prisão? Nunca soube. Prometi não tentar entender e apenas sentir, sentir mais uma vez ! Com um início de perder o fôlego, mas com um eterno três pontinhos num final que nem existe.
Os três pontinhos são o que me matam, ponto final seria a dureza clara e o fim da história, três pontinhos são o que me matam !
E você continua indo embora, e eu continuo ficando, vendo você levar partes de mim que antes eu nem sentia falta. Ninguém acredita na gente: nenhum cartomante, nenhum pai-de-santo, nenhuma terapeuta, nenhum parente, nenhum amigo, nenhum e-mail, nenhuma mensagem de texto, nenhum rastro, nenhuma reza, nenhuma fofoca e, principalmente (ou infelizmente): nem você Os grandes αmores são assim mesmo, eles nos dão o caminho da emoção, mas os sentimentos de verdade são apenas nossos, ninguém copiα, ninguém leva, ninguém divide.
Aquele abraço era o lado bom da vida, mas para valorizá-lo eu
precisava viver. E que irônico: pra viver eu precisava perdê-lo !

sábado, 27 de novembro de 2010

Pra Sempre.

Tem muita gente que se distrai e é feliz pra sempre, sem conhecer as delícias de ser feliz por uns meses, depois infeliz por uns dias... Viver não é seguro. Viver não é fácil. E não pode ser monótono. Mesmo fazendo escolhas aparentemente definitivas, ainda assim podemos excursionar por dentro de nós mesmos e descobrir lugares desabitados em que nunca colocamos os pés, nem mesmo em imaginação. E, estando lá, rever nossas escolhas e recalcular a duração de "pra sempre". Muitas vezes o "pra sempre" não dura tanto quanto duram nossa teimosia e receio de mudar.
Te amo mesmo, talvez pra sempre. Mas nem por isso eu deixo de ser feliz ou viver minha vida !


Não somos um casal melado, mas duvido que tenha alguém que duvide do nosso amor. Quer dizer, a gente duvida, mas a gente é LOUCO !

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Até Breve !

Nunca gostei da palavra adeus. Ela me parece forte demais. Deixa no ar uma ligação direta com o findar de uma existência de amizades. Tem o cheiro apavorante de um quarto de enfermo. Soa como uma despedida da vida. Prefiro, quando me despeço, dizer, um até mais, um até breve.
Faz um ano e meio que estou no aqui onde fui acolhido com muitas mãos de flores, com muitas línguas perfumadas, com doces olhares de bondade. Mais também tive um ardo caminho durante esse tempo A vida ensinou-me a não tomar decisões precipitadas, ingratas. Achei, por isso, que seria mais prudente tirar umas "férias", um projeto cultural profundamente bem elaborado, mas, cujas janelas, ultimamente, por onde entrava o sol ardente da liberdade estão sendo decoradas com cortinas pintadas com a cor do luto da inimizade, da injustiça, das ofensas pessoais.
Se um dia resolver voltar, espero que suas portas por onde entraram tantas delícias de muitas almas de luz, sensíveis, naturais, continuem abertas para novamente abrigar o mesmo coração aberto de esperanças cuja a mudança é necessária.
Uma glória. Uma vitória, um sonho, para quem aprendeu a desejar pouco da vida. Não fujo no meio da noite, não sou desleal com os amigos, com você que cobriu muitas das minhas dores com o teto seguro. Saio num meio de tarde aspirando uma brisa que parece querer me dizer que a desesperança no amanhã nunca é para sempre.
Falei para as calçadas enluaradas, para as caçadas em busca da felicidade. Fiz poemas para as estrelas. Bisbilhotei minha infância. Mandei cartas sem fim para minhas saudades. Clamei para a volta da esperança. Ansiei pela eternidade. Pela felicidade plena.
Escrevi doces recados para os pássaros. Tentei esconder o ontem. Pedi aos céus sinais de luz. Espalhei orações. Fabriquei a fé. Perdi-a nas noites escuras. Recuperei-a ao nascer de muitas alvoradas. Dei vida para muitos cansados telhados. Mandei um beijo interminável para vida. Amei muitas manhãs de chuvas. Apaixonei-me pelo sol poente. Odiei-o por me trazer tantas tristezas.
Enviei carta dura para a morte. Exaltei a vida, o amor com todas as suas ilusões e desilusões. Cobrei do ciúme exagerado uma nova postura. Aconselhei os corações ateus. Tentei abrir a fechadura espiritual de muitas almas. Sonhei ser santa. Sofri ao ver tantos indigentes deixando suas moribundas digitais em tantas portas que não se abriam.
Rasguei o ventre da terra. Vi muitos meninos desnudos brincando de nada. Inventei e reinventei sonhos. Copiei as esperanças alheias. Brindei bebendo pingos de luar, gotas de orvalho. Com a revolta que irrompe da injustiça, critiquei o Pai Noel por injuriar os sonhos dourados de muitas crianças pobres, por prometer e não cumprir. Senti como são longas e ingratas as asas do tempo.
Castiguei os corações desgovernados. Falei para a razão e a emoção. Pedi explicações sobre a diferença de amor e saudade. Ouvi no começo da primavera o primeiro canto de um sabiá. Escrevi uma grande carta para os múltiplos encantamentos da vida. Supliquei para a esperança acelerar seus passos. Senti como somos indiferentes com a dor que mora ao nosso lado. Vi que as cidades são grandes teatros de mentiras e assim mesmo, numa insensatez da minha alma, ansiei ser cidade quando espiava, um dia, meu particular horizonte de saudades.
Espalhei tantas cartas pelas ruas escuras. Muitas os ventos as levaram. Outras o tempo as escondeu, tantas a vida as reescreveu. Um dia resolvi sair pelas calçadas, pelas esquinas, pelas praças, recolhendo, sob a luz das estrelas ou sob a luz do sol ardente, retalhos de cada uma delas que pudessem contar um pedaço da minha vida que, mesmo andando entre a tristeza e a felicidade, é esperança que não cessa, é amor que não se acaba.
Entendi que a vida é feita de momentos, de pedaços, de sonhos que nascem no coração e acordam nos parapeitos das janelas. Muitos ficam, empoeirados nas prateleiras da alma, outros viram realidade e constroem, mesmo entre o riso e o pranto, um livro, que o danado do tempo jamais conseguirá fazer cair no esquecimento humano e para sempre ficará guardado Hoje sou sonho completo. Sou lábios que agradecem a Deus as bondades que me ofertou. Sou grata aos amigos que aqui garimpei. Sou grata a Você, por ter me permitido ser páginas escritas com os olhos da alma desse livro da minha vida. Não sei por quanto tempo ficarei ausente dessas “férias” forçadas. A vida e o tempo são meus donos. Talvez, se um dia voltar, e, se assim me for permitido, muita coisa tenha mudado, muitas vitórias tenham sido conquistadas, afinal, não se abre, impunemente, ao sopro dos ventos, uma mão carregada de pó de ouro.

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Nasci Cedo.

Quem nasce cedo,
Aprende que a vida não é um mar de rosas não!
Quem nasce cedo,
Cedo colhe aquilo que plantou.
Quem queima os dedos,
Logo aprende a não brincar com fogo.
Quem lambe os dedos,
Morde os beiços de admiração.
Quem me dá sossego,
Também tira meu sossego!
Quem tem meu tempo,
Também invade o meu sono.
Quem vê meus medos,
Sabe que eu nasci cedo!
E quem têm minha verdade,
Sabe que na verdade eu queria estar com você.
Você estando bem
Está tudo bem!
Quem nasce cedo,
Paga pelos seus erros.
Quem teme o tempo,
Teme o passar do tempo.
Quem veio cedo,
Veio pra passar o tempo.
De quem têm medo
O medo passa com o vento. . .
Mas vamos tentar
vamos ficar separados
quem sabe a vida inteira.
talvez alguns minutos,
pois muito além do que gostar de mim
é ter confiança no que sou e se você contribuir ..
Que seja bom para nós dois !

sábado, 13 de novembro de 2010

É Isso ...

Essa chuva foi um sim para tudo que eu estava pensando ontem à noite, para todas às lágrimas que até então controlei e que agora já não consigo mais. Essas poucas horas que se passou de ontem até hoje não me fizeram ter vontade de NÃO chorar, só em chorar,chorar aquele choro da alma, aquele que em tanto momentos eu precisei e não o fiz. E só agora depois de duas horas de sono, aqui estou eu, preparada pra chorar pela PRIMEIRA VEZ por estar triste, por estar com raiva de mim, eu não choro por ódio, nenhuma lágrimas dessas que agora escorrem são ódio. São apenas tristeza por eu sentir ódio por não conseguir. Desde que eu cheguei neste lugar sabia que se eu quisesse viver bem, para o bem, eu precisaria de paciência, aquela Patience do Guns n' Roses mesmo. Primeiro eu não a tive, depois eu a tive demais, hoje eu vejo ela fugindo de mim, eu pareço estar acenando pra ela. Como quem diz '- vá!' Eu entrei nesse jogo achando que saberia jogar, que dessa vez eu seria esperta, que DESSA VEZ eu não precisaria estar chorando. Eu realmente entrei no jogo sabendo jogar, eu joguei muito bem no inicio, mas com um jogo desse tão distante do final, realmente eu deveria me preocupar, eu deveria ter acreditado que seria difícil. Mas aí, eu sempre acho que sei tudo,que tô sempre no comando, magina EU sei o que tô fazendo .. doce engano, não sei nada. Então, você percebe que andou demais, olha para trás, e não dá para voltar, mais precisa voltar. E olho para frente e a estrada que continua se transformando em curvas sinuosas, cheias de pequenas estradas que te levaram a um novo rumo, uma nova direção. Essas pequenas estradas são de terra, algumas esburacadas, algumas belas com flores e até dá vontade de passar, de pegar, de sentir.Mais é seguro!? O que seria mais seguro cair em um barranco de vez ou caminhar entre flores com medo de encontrar espinhos !? Eu não contava que me perderia dessa forma. Sabe muito de mim, mas do que qualquer um sabe, e entende muito bem as coisas da forma das quais eu coloco. Não quero que NINGUÉM me faça perguntas sobre este texto, conclua o que quiser, eu apenas preciso escrever.Mais eu não quero ter que reproduzi-lo em um diálogo. O poder de uma frase é incrível, uma frase que pode ser inofensiva,e se torna sua vilã em menos de algumas horas quando falada. Mais FODA-SE, eu tinha que estar preparada pra isso! Não se preparou porque é uma besta, que ficar acreditando que o céu é sempre branco de chuva e que pelo menos uma vez por semana os raios iluminaram o céu, bem feito! Esse aqui é o meu ódio. Eu quero me distrair, não com essas palavras, mas foi algo sobre distrair-se que causou isso. Você estalou os dedos pra mim, para que talvez eu acordasse. Eu ainda não acordei. Eu não procurei distração, porque quando algo te faz feliz todos aqueles espaços são preenchidos, como você poderá alugá-lo para outra pessoa. Se eu me distrair será platônico, não da minha parte, da outra. Você me soltou como um pai solta o filho ao caminhar, como uma criança solta o balão, e ele voa. Nesse caso a criança chora. Eu ainda sinto a tua mão querendo pegar na minha, eu ainda sinto tudo o que deveria sentir. Eu passo quieta por você, você passa quieto por mim, e eu ainda escuto o barulho que agente faz !. Me dê uma distração, afinal, uma hora todos devem se distrair não é? Inclusive você. Quando você olha para o céu esperando que uma estrela caia, ela nunca cairá, você apenas vai se frustrar. Eu sempre olho pro céu esperando que uma caia pra então fazer um pedido. e quando você a procura ela nunca aparece, mas de repente você está distraido e você olha o céu, e lá está ela caindo, e você faz um pedido . Esse sentimento transformou-se em algo religioso o meu querer. Algo que me fez acreditar muito, pensar menos na realidade. Eu estou ainda com os pés no chão, os olhos no céu e ainda fico sonhando TODOS os planos. Mas vamos viver, vamos viver. Mas não, por favor, não me obrigue a acordar. Não dessa maneira. Fim !

- me pergunto sempre se você não teceu em volta de mim uma porção de coisas irreais.
e a resposta, sempre a mesma.

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Cadê !?

Amanheci em cólera. Não, não, o mundo não me agrada. A maiorias das pessoas estão mortas e não sabem, ou estão vivas com charlatanismo. E o amor, em vez de dar, exige. E quem gosta de nós quer que sejamos alguma coisa de que eles precisam. Mentir dá remorso. E não mentir é um dom que o mundo não merece !
Queria saber onde estão aquelas pessoas de verdade, que a gente não compra mas também não vive sem. Aquele amigo que mudou para o outro lado do mundo mas você não pensa duas vezes antes de pegar o carro, o ônibus ou o avião e fazer uma visita. Só olhar para ele, sentar ao lado, ouvir a voz, faz tudo ficar mais feliz.
Algumas pessoas simplesmente valem a pena.
Queria saber onde é que está aquele tipo de namorado que você não veste para se exibir mas despe para provar só pra si mesmo o quanto é feliz. Que você não desfila ao lado, mas leva dentro do peito.
Que você não compra, consome, negocia ou contrabandeia. Mas se surpreende quando ganha de presente da vida.
Aquele tipo que você não usa para ser alguém e justamente por isso acaba sendo uma pessoa muito melhor.
Não culpo pessoas, lugares e sentimentos que se vendem e muito menos me culpo por viver pra cima e pra baixo com minha sacolinha de degustações frugais. É o nosso mundo moderno cheio de tecnologias e vazio de profundidades.
Mas hoje, só por hoje, vou sair de casa sem minha bolsa. Vamos ver se acabo conhecendo alguém impagável.
*LONGE DE TODA A NEGATIVIDADE DESSE MUNDO SUJO !

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

É a Hora.

Me recordei de todas as pessoas e coisas que perdi por ainda não estar preparada para elas, ou por ainda ter muita curiosidade de mundo e dificuldade em ser permanente.
Minha fome é sobrevivência, minha vontade é mecânica, minha beleza é esforço, meu brilho é choro, meus dias são pontes para os dias de verdade que virão quando essa dor acabar, meus segundos são sentidos em milésimos de segundos, o tempo simplesmente não passa !
Entre idas e vindas me resumo feliz. Entre altos e baixos me resumo equilibrada. Sendo assim, tá na cara e não tem pane: Ando meio mal, mas vou sair dessa.
Atiram a gente nesse mundo, nosso coração sente um monte de coisa desordenada, nosso cérebro pensa um monte de absurdo. E a gente ainda precisa ser superequilibrada para ganhar alguma coisa da vida. Como se só por estar aqui, aturando tanta maluquice, a gente já não devesse ganhar aí um desconto para também ser louco de vez em quando.
Dessa vez tudo vai ser a meu modo, seja ele do modo mais louco ou mais consciente vai ser a MEU modo.
Sinto a vibração contagiante da MUDANÇA, e isso me deixa mais tranqüila.

domingo, 31 de outubro de 2010

Confusão !

Eu quero ir embora e não esperar o dia seguinte. Porque cansei dessa gente que manda ter mais calma. E me diz que sempre tem outro dia que sempre tem o mês seguinte ou o ano que vem. E me diz que eu não posso esperar nada da vida[Porque ela Não espera mais nada de mim]. E me diz que eu preciso de uma camisa de força. Mais idaí se eu sofrer a loucura que é estar vivo. Se pudesse passaria a noite em claro de tanta vontade de viver esse dia sem esperar o outro, até colocaria a camisa de força me enroscando nesse corpo que com forças loucas me tragam algum equilíbrio.É uma grande mentira viver sozinho, permita-se. Eu só queria alguém pra vencer comigo esses dias terrivelmente chatos.
Eu jamais serei o que eu quero e jamais serei o que eu sou sem precisar disfarçar que quase sou o que eu quero. E cada hora eu quero uma coisa. E no fundo eu não quero Porra nenhuma !
Milhares de pessoas nascem e morrem, milhares de relacionamentos começam e terminam, um objeto que quebra, a garrafa de café quase vazia, uma amizade de anos que já não era a mesma.. Tudo, do simples ao inabalável,tudo chega ao fim. E há milhares de finais acontecendo todo dia.
Eu te amo' virou uma frase tão romântica quanto 'me passa o açúcar'. Eu não quero promessas. Promessas criam expectativas e expectativas borram maquiagens e comprimem estômagos. Gente, ta na hora da gente ser muito feliz. Primeiro porque somos de verdade, depois porque somos filhos de Deus e, pra terminar, porque existe escova progressiva!
Estar sempre insatisfeito, na verdade, é o que faz a gente nunca desistir de seguir em frente e quem sabe um dia se encontrar nesse mundo. Mas a solidão dói e eu sigo inventando personagens. Odeio minha fraqueza em me enganar. Eu invento amor, sim e dói admitir isso. Mas é que não agüento mais não dar um rosto para a minha saudade. É tudo pela metade, ao menos a minha fantasia é por inteiro.. enquanto dura. No final bruto, seco e silencioso é sempre isso mesmo, eu aqui meio querendo chorar, meio querendo mentir sobre a vida até acreditar. E aí eu deito e penso em coisas bonitinhas. E quando vou ver, já dormi.

Deus me proteja de mim, e da maldade de gente boa e da bondade de gente ruim.

domingo, 24 de outubro de 2010

Diga Não Aos Covardes !

Intenções soltas e desejos desconexos. Esse mistério todo é uma violência contra a minha inteligência. Sejamos diretos para não sermos idiotas: Eu Te quero!?. Você me quer!? Tem duvida? Ah, então vá pra puta que te pariu. [E vá ser vago na casa da sua mãe !]
Seja inteligente, faça jus à espécie, seja Sapiens. Perceba o sinal verde, ultrapasse.
Eu não sou morna e, se você não quiser se queimar, morra na temperatura do vômito. E bem longe de mim.
Eu ainda quero muito. Quero as três da manhã de um sábado e não as cinco da tarde de uma quarta. Vamos viver uma história de verdade ou vou ter que te mandar pastar com outras vaquinhas?
A sorte é sua de estar ao meu lado hoje, ontem, semana passada.
Amanhã não sei mais das minhas prioridades: posso querer dormir com pijama de criança até meio-dia, pagar 500 reais numa saia amarela, comer uma trufa na Cacau Show ou quem sabe dar um soco na vaca que você insiste em olhar.
É assim que vivo, masturbando minha mente de sonhos para tentar sugar alguma realização. É assim que vivo: me fodendo.
Calma, raciocínio e estratégia são dons da força que pára para racionalizar. Força que é força não pára, não tem intervalo, atropela.
Não caio na mesma vala de quem empurra a vida porque ela me empurra. Ela faz com que eu me jogue em cima de você, nem que seja para te espantar.
Melhor te ver correndo pra longe do que empacado em minha vida !

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Obrigada.

Ele é um super-homem quando a gente precisa e uma criancinha fofa quando a gente também precisa. Ele pára o mundo todo, se ajoelha no sofá deixando as mãos no meu colo: “Você é Linda.” Seus olhos quase se enchem de lágrima, a música se torna instrumental matando qualquer outra palavra, a cidade não respira, o tempo não existe, a solidão é coisa de gente que mora muito longe dali, minha mente aquieta todos os monstros, as mulheres lindas nas capas das revistas são empilhadas descartavelmente e viram nada, a poluição vira oxigênio puro e cor-de-rosa, Num ímpeto de tesão, ou talvez após um trabalho de consciência confusa que, por preguiça, acabava se decidindo impulsivamente. O outro homem que é dono sem merecer do meu corpo magoado explode no ar deixando apenas estrelas para iluminar meu recomeço, as dúvidas todas do que fazer pelos próximos mil anos se simplificam porque eu só desejo viver aquele momento, sim, sim, sim, eu quero zerar tudo de antes e de depois e amar esse homem agora, como antes, como nunca. Por que não? Eu realmente queria tudo aquilo, queria sim. Queria como a manhã pede o sol, como o mar pede o azul, como as arvores pedem a brisa suave de um fim de tarde, como eu peço a Lua todas as noites! E era assim suave, breve, confiante. Mais não, não era tão facil assim e talvez nunca será, porque sempre serei o lado mais racional de tudo e isso acaba comigo, acaba com meus sonhos, meus planos, meus sentimentos e por fim acaba com minha segurança. É assim que a gente faz com a nossa própria existência: não entendemos nada, mas continuamos insistindo!

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Saca Rolha, Please !

Estou cheia do azedo que percorre meu fígado e me enche de medo de vazar, de repente, num fim de tarde, numa certeza qualquer de uma roupa branca e equilibrada, numa alegria despretensiosa, numa felicidade sem cérebro, num silêncio mais cansado do que desejado.
Até a borda de mim. Entupida de tudo o que, passiva em ser, apenas sou. Olhos inchados, boca cheia, coração apertando o peito, língua encharcada, a vida latejando e o corpo pesado demais para voar.
Estou cheia de mim e de tudo que se relaciona ao assunto. Cheia da incapacidade em estacionar em um plano, em enquadrar um sonho feito uma borboleta morta, em continuar acreditando no que acreditei até a morte, em ter paz longe das arestas acolchoadas que criei durante toda uma vida de expectativas assustadas.
Sou filha, mãe e escrava do caos, dele me tiro, sem ele não existo. Estou cheia do caos, mas tenho horror ao equilíbrio. Confiro minhas listas compulsivamente, buscando um pouco de linha reta para que eu possa deitar e esquecer das contorções que me apertam até que eu pingue no mundo.
Sou um trapo sujo que lavo e contorço todos os segundos, mas não o tanto que deveria por falta de força, preguiça e vontade de borrar a existência ao lado. Eu preciso ganhar um sopro de vida em qualquer outra vida, para me enxergar além do espelho construído e imposto. Eu preciso me ver responsável por uma palidez matinal, uma pontada no intestino inflamado, uma trepada no azulejo do chuveiro, uma parte suave e instrumental de uma música, um cheiro de podre e solidão na madrugada sem preenchimentos.
Existo apenas para causar, e juro que amo essa palavra “causar” além da gíria que ela sugere. Existo apenas para mim mesma, o tempo todo, como nos contos do Hermann Hesse, tenho nojo e pânico de grupos que se acolhem para que se aceitar não seja um trabalho tão penoso e se sentir possa tranqüilamente ser vazio.
Estou vazando de tanto que me encho de mim, mas tenho muito medo que alguém que não mereça minha intimidade cate pelos cantos assustadores do mundo as minhas tripas. Tenho muito medo que as pessoas sem profundidade conheçam a minha, e mais medo ainda de que a profundidade do mundo me cuspa. Sou uma sem-terra porque desprezo o superficial, mas dói demais ser intensa o tempo todo, e preciso fazer luzes, compras e sexo casual.
Cheia dos meus preconceitos, da vontade que tenho dar um soco bem no meio da fuça de todo mundo que faz beiço para insinuar sexualidade, de todo mundo que se enfia num terno para insinuar vitória, de todo mundo que se enfia atrás de uma mesa para insinuar vida, de todo mundo que se enfia atrás de uma garrafa para insinuar alegria, de todo mundo que se enfia num bando para insinuar existência, de todo mundo que se esquece no Sol para insinuar luz.
Até o topo, até o céu, atolada, tô por aqui comigo. Cansada do meu vício de organizar tudo o que sou e de não deixar espaço para o novo, para o que eu poderia ser, para o que eu nem sei que é.
Queria agora que uma asa rasgasse as minhas costas porque, mais do que sentir a dor da liberdade, preciso não ter ninguém, nem nome, nem realidade e nem casa. Preciso enxergar e sobrevoar o mundo sem ser eu, para que ser eu não seja este mundo tão pequeno e apavorado. Preciso ser qualquer coisa que eu não saiba.
Quero me chacoalhar e implodir essa rolha que me prende em mim, Essa Sociedade hipocrita Que Sempre Acaba Nos Dominando e Nos Limitanto !

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Saudadinhaa

Ainda que eu esteja numa fase bacana e sem nós no peito (o que por um lado é ruim pois a paz sempre me dá alguns quilinhos a mais e alguns textos a menos), resolvi embarcar num momento nostalgia.
Não sei se é o Clima. Não sei se é porque agora, nesse exato momento, estou ouvindo “I know it’s over”, do Smiths, e tomando um Sorvete Com Coca-Cola (Que Eu Sempre Detesteeei). Só sei que o Dia está pedindo e resolvi fazer uma sessão nostalgia.
Acho normal. Acho perfeitamente normal lembrar com carinho que você sempre dava um jeito de me mandar mensagens em datas festivas. Estivesse você casado ou namorando ou ilhado num templo budista, dava um jeito. Era como se dissesse, sem dizer “eu sei que já faz tempo, mas ainda amo você”.
Também me faz bem lembrar que você nunca, nunca, nunca se alterava. Trouxesse o garçom o pedido errado pela terceira vez ou fizesse um playboy qualquer uma tremenda barbeiragem em cima do seu carro. Você nunca estragava nossas noites. Eram tão 'nossos' os nossos momentos, você dizia, que eram para ser sempre bons. E de fato sempre eram.
Eu tenho saudade de mil coisas e todas essas mil coisas sempre caem na mesma única coisa de que eu tenho tanta saudade: sua leveza. Você me dizia que jamais iria me cobrar leveza, pois me amava intensa. E me pedia que fizesse exatamente o mesmo, ainda que ao contrário, por você. E eu não obedecia nunca, afinal, pessoas intensas não obedecem.
E assim nós seguimos, por alguns bons anos entrecortados, sendo tão parecidos ainda que tão atraídos mutuamente pelos nossos opostos. A gente era parecido principalmente porque topava as coisas mais malucas como, por exemplo, brincar que tinha acabado de se conhecer numa festa, ainda que tivesse ido junto para a festa. E por horas ficávamos nessa bobeira e nenhum dos dois ria. Até que alguém pedia, cansado, “já pode voltar ao normal? É que está me dando vontade de transar e eu não transo com desconhecidos”.
Eu tenho saudades de tudo. Da gente acordar sua vizinha de tanto rir de coisas bestas, do seu carro sempre bagunçado, da paciência que você tinha com meus quase quinze anos a menos, da mania que você tinha de arrumar minhas roupas em cima da cama enquanto eu tomava banho e de quando você apertava os ossinhos das minhas costas no escuro e falava, baixinho: “ai, como essa menina gosta de fazer drama!”.
Não é um sentimento egoísta e muito menos possessivo. É apenas uma saudadezinha. Gostosa, tranqüila, bonita, saudável, de longe. E, quem diria: leve.